Crianças enjauladas por Trump e as marcas de um trauma capitalista

Matéria escrita pelo The New York Times em 31/07 revela diversos casos de traumas em crianças que foram separadas de seus pais após a perversa política anti-imigração de Donald Trump, nos EUA, conhecida como “tolerância zero”.

quarta-feira 1º de agosto| Edição do dia

Não foram poucas as imagens que circularam pelas redes sociais mostrando centenas de crianças, filhos de imigrantes, que foram separadas a força de seus pais e mantidas em verdadeiras jaulas nos centros de detenção dos EUA, dormindo em colchões no chão com cobertas de alumínio. Foram também muitas denúncias de maus tratos e violência psicológica, fruto da xenofobia e racismo por parte dos agentes de Trump.

O The New York Times destaca o caso da brasileira Ana Carolina Fernandes e seu filho Thiago, de 5 anos, que foram separados no dia 22 de maio e só puderam se reencontrar depois de 55 dias. Ana Carolina, que estava em um presídio federal, foi colocada ao telefone com seu filho, que estava aos prantos, para convencê-lo a se alimentar depois de ele ter se trancado num quarto se recusando a comer e tomar banho e, somente depois de semanas sem contato, descobriu que ele havia sido transferido para Los Angeles e colocado com uma família adotiva.

Depois de sair do presídio, em 10 de Junho, Ana Carolina só conseguiu a libertação de Thiago no dia 13 de Julho, quando finalmente puderam se reencontrar. Mas ela conta que seu filho não é mais o mesmo de antes, está distante e fechado e muitas vezes se esconde no armário para evitar interações.

A matéria ainda conta que são vários os casos de crianças que foram arrancadas de seus pais às súplicas ou que foram enganadas e depois não foram mais devolvidas, impedidos de se comunicarem por semanas. Isso resultou em sinais de ansiedade, introversão, regressão e outros problemas de saúde mental, segundo relatos de advogados, defensores de imigrantes e voluntários que trabalham com as famílias reunidas. E a maiorias dessas crianças fica com ansiedade aguda quando se separam brevemente dos pais por questões de rotina como tomar banho ou até mesmo quando estão em cômodos diferentes.

Foram mas de 3000 crianças separadas de seus pais e traumatizadas pela política xenófoba e racista de Donald Trump, que está intensificando a política anti-imigração nos EUA ao mesmo tempo em que aumenta a exploração nos países de onde saem todos esses imigrantes em busca do sonho de um futuro melhor. Exemplo disso são países da América Latina como o México e o próprio Brasil aonde milhões de trabalhadores vem sendo cada vez mais precarizados pela reforma trabalhista que corta na carne dos trabalhadores para encher os bolsos dos bancos norte americanos através do pagamento da dívida pública e através também de uma política agressiva de privatizações que vão devastando os empregos e saqueando as riquezas nacionais.

A crise da imigração passa pela perpetuação do capitalismo, um sistema decadente e desumano que provoca imagens como essas das crianças enjauladas nos EUA que ficarão traumatizadas por muito tempo, até a de um menino sírio morto numa praia da Turquia. É preciso por fim nas barreiras imigratórias com a abertura de todas as fronteiras americanas aos imigrantes e garantia de direitos civis e trabalhistas iguais a de um cidadão norte americano. Além disso, é preciso acabar com os mecanismos de dominação imperialista aos países dependentes e semi coloniais como o pagamento da dívida pública que desvia os recursos que poderiam ser utilizados para investimento em saúde, educação e infraestrutura para os capitalistas estrangeiros.




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