Política

CORRUPÇÃO NAS CRECHES DE SP

Creches terceirizadas pela prefeitura de São Paulo roubam até a comida das crianças

Apontados por investigação policial, creches privadas que funcionam com financiamento público da prefeitura são suspeitas de desviar verbas e comida que deveriam ir para as crianças. É o resultado de mais um modelo de privatização da educação.

quinta-feira 12 de setembro| Edição do dia

Hoje a maior parte das creches que atendem a população de São Paulo são administradas por empresas terceirizadas contratadas pela prefeitura. Estas, supostamente, são entidades “sem fins lucrativos”. Muitas ferem aspectos elementares da educação, como a laicidade no ensino, já que são entidades religiosas que impõem aos alunos as crenças propugnadas por seus proprietários. O tipo de ensino que fornecem também está em grande medida alheio ao poder público que terceirizou sua responsabilidade em garantir vagas para as crianças.

Tudo isso já seria ruim o suficiente, mas, ainda pior, agora vem à tona a “máfia das creches”. A operação Misantropia da Polícia Civil realizou busca e apreensão contra suspeitos de chefiar um esquema de crimes como apropriação indébita, peculato, formação de quadrilha e ocultação de patrimônio.

Os desvios feitos pela máfia das creches se referem não apenas às verbas, mas até mesmo a comida destinada às crianças. Ou seja, essas “entidades filantrópicas” que alegam não ter fins lucrativos estão literalmente tirando comida da boca de crianças para seu enriquecimento, para garantir uma vida de luxo e privilégios a seus proprietários.

A ação, realizada por policiais do 10º Distrito Policial (Penha), está focada em um grupo responsável por cerca de 20 creches da região leste. O grupo chefiado pela delegada Ana Lucia Souza suspeita que haja uso de empresas de fachadas e notas frias para desviar verbas.

Contudo, é impossível confiar na polícia para acabar com essa corrupção. Uma instituição que é, ela mesma, cheia de seus próprios “esquemas”. A própria investigação se deu após denúncias feitas na imprensa de irregularidades na distribuição de alimentos.

O que este esquema mostra é o absurdo da terceirização das creches. As entidades privadas hoje são responsáveis por 280 mil das 340 mil vagas para crianças de zero a três anos.

Um dos investigados no esquema, Leonardo Moreira Corsi, vive em um condomínio de luxo no Jardim Anália Franco, zona leste da capital paulista. É dono de pelo menos seis carros de luxo, entre eles um Porsche, uma Mercedes e um BMW. Corsi é ex-presidente de duas ONGs responsáveis por creches na cidade: a Associação Anjinho de Deus e a Mulheres da Cidade Tiradentes.

É nas mãos desse tipo de gente que a prefeitura de São Paulo está deixando as crianças, isso quando há vagas nas creches, pois o déficit de vagas chega a casa de dezenas de milhares. Muito lucro para os donos das terceirizadas, muito pouca vaga para as crianças, e ainda com comida sendo roubada.




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