Gênero e sexualidade

49 ANOS DE STONEWALL

Contra os travesticídios: na cidade da fúria milhares marcham exigindo justiça

Há 49 anos da revolta de StoneWall contra a polícia, a igreja e o Estado, milhares marcham contra os crimes de ódio à pessoas trans na capital de Buenos Aires. A marcha também ocorreu em outras cidades da Argentina.

sexta-feira 29 de junho| Edição do dia

Tradução: Virgínia Guitzel

Documento de la Marcha contra los travesticidios y transfemicidios - YouTube

Na Praça de Maio se realizou um jograu onde as travestis e trans com a presença de Joe Lemonge, deram visibilidade à realidade de um coletivo que no dia de hoje luta contra os assassinatos transfóbicos e a discriminação, para poder conquistar um emprego, a saúde e a educação, para erradicar a horrorosa cifra de 32 anos como perspectiva de vida.

No mesmo mês em que se viu o tsunami verde no 13J encabeçado pelo movimento de mulheres e com uma paralisação internacional de segunda-feira que mostrou a força das e dos trabalhadores do país, a marcha nacional contra os travesticídios e o transfeminicídios evidenciou que milhares, desde pessoas trans até estudantes secundaristas, saem as ruas também tomando em suas mãos as reivindicações de um coletivo historicamente marginalizado.

Não faltam denuncias da Igreja que vem ocupando um rol destacado contra a legalização do aborto, tampouco contra a repressão polícial que sofre este movimento desde o fim da ditadura militar e a falta de acesso ao trabalho, com este sentido, se pautou a implementação de cotas trabalhistas por todo o país. O grito por justiça para Diana Sacayán, os cantos "senhor, senhora, não seja indiferente, se matam travestis na cara da gente", inundaram constantemente a mobilização.

Com as travestis e trans à cabeça, milhares se dirigiram ao Congresso onde se leu o documento, com a presença de organizações sociais e políticas, entre elas, o Partido dos Trabalhadores pelo Socialismo/ Pão e Rosas Argentina, o Partido Comunista, a coluna Orgulho em luta, Correpi, Movimiento Evita, el MST y la Agrupación 1969-Partido Obrero. Por sua vez, estiveram presentes ativistas e referências da diversidade sexual como Tomás Máscolo (PTS/ Frente de Izquierda), Claudia Vásquez Haro, Alma Fernández, Suyai Sacayán, Florencia Guimaraes, Gabriela Mansilla, entre outros.

Em um país onde se conquistaram importantes demandas como a lei de identidade de gênero, educação sexual e a cota trabalhista para pessoas transgêneros em algumas cidades e províncias, seguimos lutando pela aplicação efetiva destas mesmas demandas, porque a igualdade perante a lei não implicou na igualdade perante a vida.

A rua é nossa

Por isso a força que se expressa em cada mobilização, há que se transformá-la em organização desde os lugares de trabalho e estudo para lutar por uma verdadeira igualdade. Por uma saíde de fundo a crise do governo e o acordo com o FMI que com a dívida promete um grande ajuste para os trabalhadores, que impactará com maior força as travestis e trans.

A luta pela implementação das medidas elementares como a cota trans, está diretamente ligada a luta contra o plano de Cambiemos (partido do presidente Macri) e os governadores, é necessário lutar por medidas realistas como o não pagamento da dívida pública, que o dinheiro se vá para a saúde, educação, trabalho e moradia. Retomemos a bandeira de StoneWall, com a juventude que questionava a moral patriarcal como parte de uma luta contra o capitalismo para realmente mudar a sociedade pela raiz.




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