Política

GREVE GERAL

Contra o peleguismo da Força Sindical, precisamos tomar a greve geral em nossas mãos!

O 8o Congresso da Força Sindical foi nos últimos dias 12, 13 e 14, meio mês antes da greve geral do dia 30. A carta do Congresso é revoltante. É absurdo que uma das maiores centrais do país não fale sobre a greve a geral, nem sobre nenhum tipo de mobilização. Preparam a traição, defendendo abertamente a conciliação com os patrões e com o governo golpista que quer nos fazer trabalhar até morrer.

sexta-feira 16 de junho| Edição do dia

Este é um momento crítico para todos os trabalhadores do país. O presidente golpista e o congresso de políticos patronais e corruptos, mesmo com toda a crise política, seguem convictos em nos fazer trabalhar até morrer e destruir os direitos conquistados com duras batalhas. Os patrões pressionam para que a crise capitalista seja paga pelos trabalhadores cada vez mais. E nesse cenário, uma das maiores centrais sindicais do país faz seu 8o Congresso e não fala nada sobre luta e mobilização.

O documento, chamado "Carta da Praia Grande", é revoltante. Deve ser por isso que é escrito em linguagem para peão nenhum entender. Todo um malabarismo para reafirmar o peleguismo e o histórico de traições dessa central sindical controlada por uma burocracia entregue à patronal, que vive às custas dos trabalhadores, em conciliação com os governos. Na carta, a greve geral, convocada para 30 junho, nem é citada!

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É preciso dizer que a carta deles não defende nada diferente do que eles fazem nos sindicatos: conciliação com os patrões. Logo no início do texto, já se entregam: "o paradigma linear de direita e esquerda não responde mais às necessidades contemporâneas", o que, traduzido para o português que entendemos, significa "não existe direita e esquerda". Eles usam esse discurso (tão comum em quem defende coisas de direita) para justificar suas alianças com a direita e com os patrões.

Dizem que vão "atuar com as forças progressitas desenvolvimentistas", o que significa que não vão atuar com a força da classe trabalhadora, e sim com setores como o corrupto Renan Calheiros (PMDB), cotado, inclusive, para falar no bloco deles no ato em Brasília. Aquilo que eles chamam de "equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores e dos interesses desenvolvimentistas" é, na verdade, um pacto de conciliação com aqueles que querem destruir nossos direitos e nos fazer trabalhar até morrer.

Se a Força Sindical convocou a paralisação do dia 15 de março e também a greve geral do dia 28 de abril, é por pressão dos trabalhadores de sua base, e também pelo interesse na manutenção do imposto sindical, ameaçado pela reforma trabalhista. Paulinho da Força (SD-SP), principal dirigente da central desde 1999, articula a traição enquanto tenta negociar com sua base parlamentar a manutenção do imposto sindical.

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A retirada "pura e simples", como dizem, dos direitos trabalhistas e previdenciários não será barrada com a conciliação com os patrões e alianças com políticos corruptos. Isso porque os interesses deles são completamente opostos aos interesses da classe trabalhadora, e dependem da exploração cada vez mais intensa. Dependem da reforma trabalhista, da terceirização, da reforma da previdência e todos os ataques.

Por isso, mais do que nunca, os trabalhadores precisam tomar em suas mãos a luta pela defesa dos direitos conquistados e contra Temer e sua corja de corruptos. Não se pode ter nenhuma confiança nessa burocracia. Com eles, é necessário impor a mobilização através das próprias forças da classe trabalhadora! Se na greve do dia 28 de abril os ônibus de Porto Alegre param durante todo o dia, mesmo sem nenhuma iniciativa do STET-Poa (filiado à FS), no dia 30 podemos fazer muito mais!

Em cada local de trabalho, se organizar de maneira independente, ser protagonista da luta e impor isso para a burocracia. Erguer comitês de base que reunam e organizem toda a indignação contra os políticos e as reformas, que exijam assembleias de base para decidir, à revelia dos acordos da burocracia com o governo e as patronais, os rumos da luta.

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Frente à traição anunciada da Força Sindical, é tarefa de toda a esquerda, sobretudo a CSP-Conlutas, as Intersindicais e inclusive os parlamentares do PSOL, colocar todo seu peso para construir esses comitês de base, que são o que pode garantir que sejam os trabalhadores a decidir sobre a luta. Não embelezar essas direções burocráticas, mas desmarcara-las e batalhar para que os trabalhadores tomem a greve geral e todas as batalhas e suas mãos.

Tomar a luta nas nossas mãos e arrancar os sindicatos das mãos dos burocratas

É um absurdo sindicatos importantes, que deveriam estar a serviço das lutas da classe trabalhadora, estarem sustentando burocracias como a Força Sindical. Um exemplo disso é o STET-Poa, sindicato dos rodoviários de Porto Alegre. O papel que eles cumprem é muito evidente: entregam os acordos coletivos, não combatem as demissões em massa que vem ocorrendo, aceitam os desmandos da patronal.

O trabalhador sabe muito bem que não pode contar com essa burocracia, e inclusive desconfia de qualquer ação que seja convocada por ela. É tão desastroso o papel que cumprem, de não só não organizar a luta, mas de ser, diretamente, contra ela, como mostra essa carta ridícula do congresso deles, que o efeito causado é um sentimento anti-sindicato. Muitos trabalhadores se voltam contra e desacreditam da organização sindical, que deveria ser sua ferramenta de luta! Isso porque ela está na mão de um bando de burocratas, uma máfia, que atrasa, impede e entrega a luta.

Outro exemplo é o Sindec, sindicato dos comerciários de Porto Alegre. Uma categoria enorme e muito precarizada, tem um sindicato que só serve para enriquecer seus sindicalistas. Nunca travaram nenhuma luta séria, nunca convocaram uma greve sequer, e seguem sem fazê-lo, submetendo os trabalhadores a uma situação de enorme exploração e precaridade sem nenhum tipo de combate.

Assim como a greve geral, todas as ações devem ser tomadas em nossas mãos. Apesar da correta desconfiança dos trabalhadores com as direções sindicais pelegas, quando eles convocam qualquer ação devemos aderir e tomar ela das mãos deles. Além disso, com as nossas próprias forças, impor ações para muito além do que eles pretendem. Assim como foi a greve dos rodoviários de 2014, convocada pela patronal e apoiada pelo sindicato, mas que foi tomada pelos trabalhadores e paralisou todos os ônibus da cidade durante 14 dias.

A serviço da patronal nos sindicatos e também no parlamento

Uma das figuras mais conhecidas da Força Sindical no Rio Grande do Sul é o vereador Clàudio Janta (SD). Ele, que se diz sindicalista e "defensor do trabalhador", é nada menos que o líder do governo Marchezan (PSDB) na Câmara! Apoia este governo, que assumiu a prefeitura atacando os trabalhadores, que quer privatizar a Carris, única empresa pública de transporte, que quer extinguir o cargo de cobrador e deixar milhares sem emprego. Este governo que é conivente com as demissões nas empresas de transporte, com o corte de linhas, com o aumento da passagem para proteger o lucro dos patrões! Este governo que está destruindo a educação e saúde do município, que quer parcelar salários dos municipários, que está entregando a cidade para os empresários lucrarem com o nosso desespero. É este governo que Claudio Janta e a Força Sindical apoiam!

E isso mostra, mais uma vez, o papel pelego e de conciliação com a patronal que essa central cumpre. Isso sem falar do corrupto e golpista Paulinho da Força, amigo do que há de mais podre deste já apodrecido sistema político.

Veja também: Paulinho da Força, amigo de Temer que aceita as reformas perde seus direitos políticos

Impor uma grande greve geral, parar o país, lutar para mudar as regras do jogo

Por essas e por outras, é muito urgente tomar em nossas mãos a luta contra Temer, Sartori, Marchezan e os patrões. Arrancar das mãos destas burocracias conciliadoras e pelegas os rumos da mobilização, organizando, em cada local de trabalho, comitês de base que imponham a vontade dos trabalhadores à burocracia. Convocar os colegas, tomar nossas próprias ações e impor que a burocracia convoque assembleias de base para que toda a categoria decida. A greve geral do dia 30 é um momento importante para isso.

E assim, tomando os rumos desses combates em nossas mãos, impondo nossa vontade à burocracia, podemos ir por muito mais. Nossa luta não pode se limitar a trocar Temer por outro político comprometido com as reformas. Precisamos batalhar para mudar não só os jogares, mas também as regras do jogo. Lutar para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde possamos eleger representantes operários como nós, que defendem um projeto de país à serviço dos nossos interesses e necessidades, para que os capitalistas paguem pela crise.

Saiba mais: Temer balança mas não cai: por que impor uma constituinte para derrubar ele e as reformas?




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