Educação

08/04 - ASSEMBLEIA DE PROFESSORES EM SP

Contra o arrocho de Alckmin e a paralisia da APEOESP: parar a escola e lotar a assembleia

Abril chega e complementamos mais um mês sem reajuste salarial, Enquanto isso, o bônus segue como uma promessa, que tudo indica será amarga. Se depender do Senhor Governador Geraldo Alckmin e de seu Secretario José Renato Nalini, será pago um montante que em valores absolutos é a metade do pago no ano anterior, ou seja, o mesmo número de pessoas receberá a metade do que recebeu ano passado, ou que os agraciados serão em número 50% inferior, ou ainda uma soma dessas duas coisas - em qualquer caso, será uma merreca que não atenderá os anseios de nós professores.

quinta-feira 7 de abril de 2016| Edição do dia

Se utilizando de uma pesquisa totalmente manipulada, o governo diz que vai pagar o bônus, nas condições acima explicadas, e nada de reajuste salarial para o ano de 2016, isto é, o maior arrocho salarial em muitos anos, uma vez que estaremos indo para dois anos sem reajuste, em um período de alta da inflação, que segundo as melhores expectativas vai beirar aos 18%!.

Alckmin, para justificar esse arrocho brutal, se utiliza do fato de que a arrecadação no Estado de São Paulo caiu no último período. Esquece de dizer, que em tempos de vacas gordas, quando a arrecadação subia, esse aumento de receita nunca foi repassado para nossos vencimentos.

O que Alckmin não diz também, é que o Estado de São Paulo, igualmente aos demais entes da federação pagam vultosas cifras a título de juros da dívida pública, uma verdadeira atividade de agiotagem, onde os banqueiros e grandes investidores se enriquecem num banquete de dinheiro retirado da educação e da saúde pública, dentre outros setores.

APEOESP se faz de morta

Se Alckmin segue sendo Alckmin, ou seja, duro e inflexível em seu intento de destruir a educação pública no Estado de São Paulo, nosso sindicato, segue como há muito tempo, nada de mobilização séria nas escolas, nada de espaço para base se expressar, segue sendo um espaço onde a Senhora Maria Isabel de Azevedo e Noronha, manda e desmanda como a rainha de copas da famosa história infantil.

Infelizmente as diversas correntes de oposição também seguem seus roteiros próprios, ou seja, discurso nos carros de som, às vezes diferentes, às vezes nem tanto e uma prática que leva com que os professores não superem essa maldita e carcomida burocracia que se enriquece com o suor de nosso trabalho, estando anos e anos fora da sala de aula.

Desde a greve do ano passado, temos insistido na necessidade imperiosa de se construir uma nova prática sindical em nosso cambaleante sindicato. Os professores têm que tomar em suas mãos, tal qual fizeram os secundaristas no fim do ano passado, sua luta, impondo desde a base comando deliberativos que organizem a luta e decidam os passos a serem dados. Sem isso, seremos sempre derrotados pelo governo com anuência da direção majoritária da APEOESP.

Um programa para vencer

Vivemos novos tempos, a sociedade de conjunto discute as saídas para o país. A direita mais reacionária, ligada ao tucanato e apoiada em várias atrocidades cometida pelo governo de Dilma levantou a campanha pelo impeachment, pelo qual nos mobilizamos contrariamente, que em determinado momento parecia que emplacaria, nesse momento não parece ser a saída mais provável, embora a realidade seja dinâmica e novos acontecimentos podem surgir.

Por sua vez, o PT e seus aliados como PCdoB, ambos compondo a chapa 1 de nosso sindicato, jogaram todos os seus esforços na defesa do governo Dilma sem fazer uma crítica e organizar a luta contra os ataques que esse governo desfere todo dia contra os trabalhadores e o povo pobre de nosso país. Por uma defesa de uma democracia tal qual a que vivemos, onde as mulheres têm seus direitos recusados a cada dia, onde os negros são mortos todos os dias nas favelas, onde os sem terras vivem nas beiras de estradas enquanto o latifúndio se farta em rios de dinheiros, baixaram a cabeça cordeiramente ao seu governo. Assim, em outros artigos de nossa parte, parece correto a defesa de uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana para passar que os trabalhadores estejam na linha de frente para opinar na resolução de todos esses grandes problemas e desafios da nossa classe.

Assim, passou a entrega do Pré Sal, assim foi aprovada a Lei Antiterrorista, assim está passando um imenso processo de demissão de trabalhadores de norte a sul do país e um arrocho salarial muito parecido com o que os militares efetuaram no fim dos anos 70. Assim também está sendo aprovada a famigerada medida provisória que em troca de estender o prazo de pagamento da divida dos Estados, obriga a esses mesmos Estados a congelarem salário e mesmo, demitir servidores, caso os gastos atinjam certos níveis, ou seja, um brutal ataque aos nossos direitos. Nisso PT, PCdoB e a direita tucana andam de mãos dadas.

Nesse sentido, os professores da rede estadual de São Paulo não podem ficar em suas reivindicações simplesmente sindicais. Temos que discutir com cada professor, aluno e pai que é preciso parar imediatamente de pagar aos agiotas do país a dívida pública, para que o dinheiro seja utilizado para investir em saúde e educação, garantindo assim reajuste salarial e condições de trabalho e ensino para todos.

Insistimos mais uma vez, que os professores do Estado de São Paulo não podem ficar entre um bônus insatisfatório e um reajuste zero. É preciso colocar o bloco na rua, passar por cima da direção majoritária da APEOESP e de todos que queiram parar a lutar e arrancar aumento real de salário e incorporação do bônus. Nessa perspectiva, todos temos que estar dia 08 de abril às 14 horas na Praça Roosevelt para juntos decidirmos os passos da luta.




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