Mundo Operário

1º DE MAIO

Contra o 1º de maio das centrais com inimigos do povo como FHC e Maia, por um ato independente pelo Fora Bolsonaro e Mourão

Em meio à pandemia e a grave crise que vivemos, o 1º de maio deveria ser um dia de luta dos trabalhadores, mais que nunca. Mas as principais centrais sindicais do país estão preparando um ato que é uma vergonha que precisa ser não somente rechaçada pela esquerda socialista, mas é necessário construir um outro ato independente neste 1º de maio, um ato classista, sem inimigos dos trabalhadores, e pelo Fora Bolsonaro-Mourão, esse é nosso chamado.

sábado 25 de abril| Edição do dia

Nos últimos dias surgiu uma convocatória de um 1º de maio unificando todas as 11 centrais sindicais (entre elas Força Sindical, UGT, CTB, CGTB, Nova Central, CSB, CUT e inclusive Intersindical e CSP-Conlutas) com o lema “Saúde, Emprego, Renda: um novo mundo é possível com solidariedade”. Já seria estranho tamanha unidade num 1º de maio, pois dentre essas centrais sindicais estão golpistas como a Força Sindical e a UGT, parte do que existe de pior da burocracia sindical do país, e outros do tipo. Isso obviamente limitaria o que o ato poderia levantar politicamente, como desde o começo alertaram os dirigentes da centrais, que não permitiria ter como lema do ato sequer o “Fora Bolsonaro”, pois nem isso há acordo.

Em um arranjo que não poderia ser mais absurdo e oportunista como esse, não poderia tardar em surgir novos eventos absurdos, como foi noticiado pela Folha de São Paulo que “os dirigentes das seis principais centrais sindicais brasileiras — CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB — reforçaram a decisão de alargar o palanque” que contaria com figuras das mais reacionárias do cenário político brasileiro e diversas forças políticas de direita: Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli, João Doria, Wilson Witzel e Fernando Henrique Cardoso! A ousadia direitista das centrais já não é de namorar os Ciro Gomes, que também é convidado do ato e transformar um dia que deveria ser de luta em palanque para Lula, Dilma, Flávio Dino e outras figuras.

Se trata de uma live em que participarão toda uma gama de figuras asquerosas que são parte ativa de descarregar todos os mais cruéis custos da crise nas costas dos trabalhadores, no caso de algum deles, como Rodrigo Maia e Alcolumbre, diretamente condutores de reformas como a previdência; a participação do presidente do STF dessa instituição que tem sido peça chave na aplicação dos ataques e reformas neoliberais desde o golpe institucional, passando pela proscrição de Lula em 2018. Até mesmo a participação de um facínora como Witzel o mesmo que disse que a polícia tem que “mirar e atirar na cabecinha”.

O dia dos trabalhadores deste ano de 2020 que acontecerá em meio à pandemia do coronavírus, com as direções dos trabalhadores em um grande festão virtual com alguns dos principais inimigos declarados dos trabalhadores, das mulheres, jovens, negros e LGBTs. Ano após ano as centrais sindicais davam um passo cada vez mais decidido contra os trabalhadores, pisoteando e derrotando lutas e greves, ou com Paulinho da Força abertamente defendendo em pleno palanque do 1º de maio a destruição das aposentadorias, mas este é um salto de qualidade no conjunto de uma política criminosa contra os trabalhadores, trazer para um ato de trabalhadores figuras tão sinistras da política brasileira e que são responsáveis pela situação de caos na saúde que se aprofunda com a epidemia. Vão tratar estes senhores como aliados mesmo em meio a morte de milhares de pessoas por conta do coronavírus, com milhões de vidas de trabalhadores e suas famílias em risco abandonados à sorte da infecção, sem testes, leitos, máscaras, sem nenhuma garantia de emprego ou de salário, jogados à miséria da degradação e calamidade da saúde pública.

Mas é particularmente um salto à direita na aliança com setores reacionários por parte de centrais como CUT e CTB, dirigidas por PT e PCdoB, que articulam esse chamado em um momento de crise política aguda. Se fortalece como oposição ao bolsonarismo o bloco autoritário do que chamamos de bonapartismo institucional, que comporta forças como Rodrigo Maia, os governadores, STF, Rede Globo, aos quais se somou agora o herói golpista da Lava Jato Sergio Moro) e agora as centrais sindicais colaboram para que esses setores se fortaleçam ainda mais e apareçam para milhões de trabalhadores como uma alternativa à Bolsonaro.

Se já é espantosa a adesão da CUT e da CTB a esse bloco reacionário com os golpistas de ontem, ainda que não chegue a surpreender, é muito preocupante que até o momento não soltaram até agora nenhuma nota sobre a presença dessas figuras no 1o de maio por parte da CSP-Conlutas e a Intersindical, centrais ligadas ao PSTU e PSOL.

É urgente que as organizações de esquerda e ainda mais as que se colocam como socialistas rompam e repudiem esse ato de primeiro de maio com inimigos declarados da classe trabalhadora e do povo, que denunciem a postura criminosa desses reacionários que acham que podem tentar falar em nome dos trabalhadores.

Por um 1º de maio independente pelo Fora Bolsonaro e Mourão!

É preciso um 1º de Maio que levante uma política de independência de classe para os trabalhadores, que levante o Fora Bolsonaro e Mourão. A luta pelo Fora Bolsonaro que ganha cada vez mais força em setores de massa no país não pode ser canalizada por setores reacionários do regime, o que vem sendo um risco cada vez maior. Por isso, toda a esquerda que se reivindica socialista, precisa lutar pelo Fora Bolsonaro, mas sem abrir nenhum espaço para Mourão e um governo com ainda mais peso de militares. É necessário erguer uma política que apresente um polo de independência de classe no país, que alerte o povo em relação à manobra que podem querer fazer com os que querem Fora Bolsonaro, contribuindo na preparação de um movimento que possa dar uma verdadeira saída progressista para a crise, derrubando Bolsonaro, Mourão e os militares, mas que também denuncie a política dos governadores, do Congresso, de Moro e do STF. É em torno dessa unidade que a esquerda socialista deve atuar neste momento.

Chamamos o Bloco de Esquerda Socialista do PSOL e o PSTU, que vêm corretamente levantando a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro e Mourão”, se colocando contrários a um governo presidido diretamente por um general, a romper com esse primeiro de maio em unidade com esses podres atores do regime degradado.

O PSOL e o PSTU precisam romper com esse chamado e ser parte de denunciá-lo. A CSP-Conlutas e a Intersindical poderiam encabeçar o chamado a um 1º de maio independente, com todas as organizações de esquerda, parlamentares, movimentos de mulheres, negros e LGBT´S, a exemplo do que fará a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores na Argentina. Com um chamado assim o MRT se integraria colocando todas suas forças.

É preciso uma alternativa de trabalhadores com independência de classe, que lute contra o governo lambe botas do Trump de Bolsonaro, mas igualmente contra Mourão e militares no poder, que também rechace Maia, Sérgio Moro, STF, Globo e todos os atores do bonapartismo institucional, que supere pela esquerda o PT, tirando as lições de sua falência estratégica.




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