Juventude

UNICAMP

Contra a vontade do DCE Unicamp, estudantes decidem paralisar por Marielle, por permanência e suspender o Clube DCE!

Nessa terça-feira, 27, ocorreu na Unicamp uma assembleia geral dos estudantes que impôs à atual gestão do DCE a organização da luta por Marielle, deliberando um indicativo de paralisação para o próximo dia 13 de abril, com a posição de que "Marielle presente! Por uma investigação independente! Abaixo a intervenção federal no RJ!”. Além disso, decidiram se somar ao ato dos trabalhadores da Unicamp na próxima terça-feira, unificando contra os ataques da reitoria e que a paralisação também tenha como mote “Nenhum estudante a menos”. No final, a atual gestão, composta pela UJS e pelo grupo Apenas Alunos, recusou-se a encaminhar a discussão de suspensão do Clube DCE e abandonou o espaço para seguir vendendo a entidade às empresas autoritariamente.

Ítalo Gimenes

Campinas

quinta-feira 29 de março| Edição do dia

Logo nos informes, a assembleia com cerca de 200 estudantes se contagiou com a grande notícia de que os professores e servidores municipais de SP haviam imposto uma vitória contra Dória, o PSDB de Alckmin e à burguesia que sonha com a reforma da previdência. Com uma greve de mais de 100 mil, esses trabalhadores deram um exemplo inestimável e obrigaram Doria a adiar por 120 dias a pauta do Sampaprev (a Reforma da Previdência Municipal). Uma vitória que também se colocou por Marielle e que contagiou toda a assembleia.

Não fosse a exigência dos próprios estudantes de incluírem como pauta central a mobilização por Marielle, como já haviam se manifestado estudantes do IFCH, a atual gestão teria servido à Globo e aos golpistas para que essa pauta morresse. Não à toa, nem mesmo uma posição enquanto gestão sobre o caso eles levaram, que não fosse "o DCE disponibilizará todos os meios de comunicação necessários aos estudantes".

Unanimemente, os estudantes então deliberaram um indicativo de paralisação a ser votado nos cursos, exigindo do DCE organizar junto aos Centros Acadêmicos assembleias nos Institutos, com a seguinte política: "Marielle presente! Por uma investigação independente! Abaixo a intervenção federal no RJ!", somando-se aos milhares que saíram às ruas nas últimas semanas para denunciar o papel do Estado e da polícia nesse assassinato político a uma mulher negra e da esquerda. Por isso, discutiram não confiar em nada mais que uma investigação independente desse Estado, que sirva para impor uma derrota à intervenção federal no RJ e aos golpistas.

Em seguida, a assembleia entrou no tema da permanência estudantil, em que se discutiu como nossa luta por Marielle tem que fortalecer também o movimento estudantil para impedir que a reitoria siga seus ataques a esse direito elementar dos estudantes. Ela que começou o ano aumentando o bandejão durante as férias, agora vem incluindo, através do SAE, critérios meritocráticos e não socioeconômicos – os coeficientes de progressão do estudante – para cortar bolsas e auxílios estudantis. E o mais escandaloso é que Knobel está tentando mais uma vez descumprir os acordos após o término da histórica greve e ocupação de reitoria de 2016. Na época, a reitoria de Tadeu havia assinado um documento em que se comprometeria a criar 600 novas vagas na Moradia Estudantil, o que ainda não saiu do papel.

Os estudantes da Unicamp não vão retroceder em suas pautas, inspirados pela força dos servidores em São Paulo. Junto aos trabalhadores, lutaremos contra os cortes, por espaços noturnos a estudantes mães e pais e seus filhos, creches, bolsas sem contrapartida ou critério meritocrático e ampliação da moradia.

Entretanto, já na primeira assembleia do ano, a atual gestão do DCE, encabeçada pelo grupo Apenas Alunos, que possui membro do MBL, aliados aos stalinistas dirigentes da UNE (maior entidade estudantil do país), do coletivo UJS, já deixou seu recado: assembleia democrática dos estudantes não vale nada para eles. Autoritariamente, deram a assembleia, nesse momento com mais de 100 estudantes, por encerrada e abandonaram o espaço. Os estudantes restabeleceram a discussão e se posicionaram pela suspensão imediata do Clube DCE, mediante a decisão já tirada no Conselho de Representantes de Unidade, instância superior às decisões da gestão e um repúdio ao autoritarismo da gestão que passa por cima dos espaços democráticos e legítimos do movimento estudantil, em sua sede de vender nossa entidade às empresas.

Por um DCE democrático, que organize a luta pela base: por Marielle, contra os cortes, por permanência estudantil e moradia, e que não se venda às empresas! Abaixo o Clube DCE! Que o exemplo dos estudantes da Unicamp, inspirados na força dos municipais de São Paulo, possa ser parte de construir um movimento estudantil em defesa de nossas entidades como ferramentas da nossa luta por Marielle e contra os ataques dos golpistas em todo o país! Essa luta pode servir para fortalecer os estudantes da USP e de outras universidades no país, como a própria UERJ, que já estão exigindo assembleias para organizar a luta por Marielle e suas demandas contra o imobilismo de seus DCEs, em aliança com os trabalhadores de dentro e fora da universidade.




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