Política

COMBATE AOS PRIVILÉGIOS?

Contra Moreira Franco, PT vai usar mesmo argumento que era usado contra Lula?

sexta-feira 3 de fevereiro de 2017| Edição do dia

As afirmações de que Moreira Franco foi nomeado pelo presidente ontem como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência para blindá-lo das delações da Lava Jato geraram reflexo na oposição do PT e Rede, que preparam ações na Justiça para barrar a medida de Temer. A mídia repete insistentemente a clara intenção de blindagem, já que a constituição prevê fórum privilegiado ao alto escalão do governo e a Secretaria-Geral foi recriada especialmente para que ele assumisse o cargo. Estão todos de repente interessados em combater os privilégios dos políticos?

O senador Randolfe Rodrigues, da Rede, disse que a medida é um artifício, uma ofensa ao princípio da moralidade e uma tentativa de obstruir os trabalhos de investigação da Operação Lava Jato. Ele prometeu levar a cabo uma ação popular, bem como uma representação ao procurador geral da República; a bancada do PT no Senado também vai procurar o STF para tentar barrar a nomeação.

O novo ministro de Temer é acusado pelo ex-superintendente da Odebrecht, Claudio Melo Filho, de receber propina de R$ 4 milhões em 2014 quando era ministro da Aviação Civil do governo Dilma. Portanto, não há nada a se duvidar do fato de que sua nomeação tenha mesmo a intenção de blindá-lo frente à Lava Jato, mesmo porque não é nova também a disputa de poder aberta entre a casta política que quer manter seus privilégios e a toga que pretende fortalecer seus superpoderes. O que seria sim novo, é se por trás dessa movimentação e do hipócrita clamor por moralidade houvesse algum interesse sincero em combater os privilégios, seja por parte da casta política - escancaradamente ilustrado na simples existência do foro privilegiado para ministros, por exemplo - ou por parte dos juízes e procuradores, que através da Lava Jato fizeram com a constituição exatamente o que quiseram, levando adiante o golpe que hoje se concretiza no acordo geral dos ajustes contra os trabalhadores.

A oposição trata a Lava Jato e a relação com o judiciário da forma como lhe convém, ora denunciando as arbitrariedades da operação de Moro e companhia contra os petistas, comparando o silencio frente à nomeação de Moreira Franco e o barulho feito pelo PSDB quando Lula foi nomeado por Dilma e impedido de assumir, ora clamando por justiça ao STF para que intervenha e possibilite que as investigações vão “até o final”.

O que ninguém - nem a oposição, muito menos os parasitas do governo golpista e seus aliados dos mais diversos partidos da ordem, que estão juntos para concretizar as reformas da previdência e trabalhista o mais rápido possível - está de fato interessados é no combate aos privilégios, se trata mesmo de uma disputa de poderes que em nada serve à nossa necessária resistência aos ataques.




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