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Contra-Inteligência militar: A ferramenta para reprimir e intimidar os trabalhadores na Venezuela

O uso de organismos como a Contra-Inteligência militar nas empresas, fábricas e locais de trabalho por parte do Governo venezuelano têm dado um salto no último período com o objetivo de dobrar a luta dos trabalhadores que já não suportam as calamidades da crise imperante. É necessário a organização e a mobilização para cessar todo essa brutal ofensiva de ataques e assédio contra as lutas operárias.

quinta-feira 20 de fevereiro| Edição do dia

Se continua o aumento do nível de sofrimento do povo trabalhador como produto da brutal crise econômica e social que atravessa a Venezuela, também aumenta a repressão do Estado contra os trabalhadores através dos corpos de segurança, grupos parapoliciais e sobretudo com a utilização dos serviços de inteligência como a Contra-Inteligência Militar (DGCIM). O governo de Maduro está levando a frente uma brutal ofensiva contra os trabalhadores que lutam e rechaçam sua política anti operária e anti popular.

Chega a acontecer casos absurdos em que os trabalhadores são presos dentro da sua própria empresa pelo simples fato de convocarem ou participarem de assembleias

O governo de Maduro que diz "operário" vem dando um salto nos níveis de repressão aos operários e operárias nas empresas e locais de trabalho. Praticamente a repressão seletiva se eleva a níveis escandalosos pelos graus de impunidade, implicando brutais ataques a liberdade sindical e as liberdades democráticas dos próprios trabalhadores. Os corpos repressivos e os serviços de inteligência atuam de uma maneira aberta prendendo trabalhadores arbitrariamente, inclusive em casos, como recentemente se viu na siderúrgica Sidor, aonde membros da DGCIM ingressavam na planta vestidos com uniformes de trabalhador.

Chega acontecer casos absurdos em que os trabalhadores são presos dentro da própria empresa pelo simples fato de convocar participação nas assembleias, tal como aconteceu no final de janeiro no caso dos dirigentes sindicais petroleiros Marcos Sabariego e Gil Mujica na Refinaria El Palito, estado Carabobo, centro costeiro do país.

Esses trabalhadores foram detidos por comissões da Guarda Nacional e de Segurança interna da PDVSA quando queriam fazer uso da palavra numa assembleia na Refinaria. Depois de 6 horas sem saber o paradeiro, soube-se que os trabalhadores estão presos no Comando da GNB em Puerto Cabello. Trata-se de uma medida para intimidar e silenciar as vozes dos trabalhadores diante as violações dos direitos trabalhistas e suas condições vida com salários de fome.

Mais recentemente, na última quinta feira (13/02), no município Lagunillas do Estado Zulia, no ocidente do país, um grupo armado, com aval policial, assaltou a casa dos dirigentes sindicais Dolores Herrera e Gustavo Yánes, sendo desalojados violentamente e despojados de seus pertences pessoais, tal como denunciou a Corriente Clasista de Trabajadores Petroleros (CCT-CV) a que pertencem os dirigentes. Era o lar de dois ativistas sindicais, onde moravam com seus dois filhos menores.

De igual modo denunciam também uma perseguição policial- militar realizada contra trabalhadores petroleiros que organizavam assembleias operárias no estado de Zulia, com saldo até agora de 3 dirigentes operários provavelmente presos pela DGCIM. Entre os perseguidos por esse organismo de segurança do Estado se encontram Gustavo Yánez e Jorge Barraez, alem de outros trabalhadores e dirigentes operários, de acordo com a CCT-CV.

No estado de Bolivar, oriente do país, na mesma consonância, no dia 12/02, uma comissão da Contra-Inteligência Militar (DGCIM), Guarda Nacional e o tribunal desalojaram se sua sede o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Siderúrgica Nacional (Sidernac), no Complexo Siderúrgico Nacional- Planta Casima (antiga Sidetur). Em outras palavras, através das forças militares expulsaram os trabalhadores de suas sedes sindicais, além de realizar ameaças de prisão.

Tratou-se de uma ação de grave despotismo trabalhista, e que havia sido precedida com ações na segunda (03/02) quando funcionários da DGCIM prenderam arbitrariamente Jesus Guevara, trabalhador do mesmo Complexo Siderúrgico, pelo mais comum fato, possuir um panfleto colado na sua oficina com a demanda de "Salário Digno".

Os trabalhadores da empresa ha aproximadamente duas semanas vinham protestando por um melhor salário, e por isso era comum cartazes colados ao redor da planta com alusão as reivindicações salariais. Por tal razão, na oficina do trabalhador havia esse tipo de panfleto, motivo o qual os agentes da DGCIM o levaram para realizar uma "entrevista". O mantiveram preso por 08hs por conta de um simples panfleto. O DGCIM não somente cometeu uma apreensão ilegal, mas também ameaçaram com mais prisões se continuasse as manifestações por reivindicações trabalhistas.

Nessa segunda feira (17/02) trabalhadores da Sidor falaram também numa assembleia no portão 1 da Siderurgia, sobre a perseguição e assédio trabalhista na empresa Siderúrgica, denunciando a presença da Direção Geral da Contra-Inteligência Militar (DGCIM). Tudo com o objetivo de intimidar o protesto e eliminar a instituição sindical tal cono tem sido feito em outras estatais como a Ferrominera e como aconteceu recentemente na antiga Sidetur.

É a mesma situação de intimidação que acontece com os trabalhadores e seus dirigentes sindicais, com os professores, que não somente se utiliza a polícia para impedir seus protestos, mas também usam corpos parapoliciais como aconteceu em meados de janeiro em pleno centro de Caracas. E assim se pode seguir com a larga lista de mais casos que vem ocorrendo.

É que para avançar com seus planos de fome e pacotes anti operários o governo de Maduro necessita submeter os trabalhadores e trabalhadoras ao maior controle e perseguição sindical, enquanto aos grandes empresários de todo o tipo lhes oferece as maiores facilidades para seus negócios como a eliminação das leis sindicais e direitos trabalhistas tal como se ve com o Memorando 2792, em meio de um processo de dolarização que mergulha ainda mais o povo trabalhador na miséria.

É necessário a organização e a mobilização para cessar toda essa brutal ofensiva de ataques e intimidações, e exigir de forma enérgica o fim de todo assédio e perseguição contra os trabalhadores petroleiros, das indústrias básicas, dos empregados estatais, do magistério e demais locais de trabalho. Liberdade imediata aos trabalhadores petroleiros ilegalmente presos e que pare as detenções pelo elementar direito de realizar assembleias em seus locais de trabalho.

Insistimos, todos esses abusivos e brutais ataques políticos e sindicais que esta levando a frente o governo de Maduro e todo seu ministério, busca calar a voz dos protestos dos trabalhadores que são submetidos a salários de fome, a perda de benefícios, bem como a eliminação de conquistas históricas da classe trabalhadora. Imediata liberdade aos trabalhadores da PDVSA e demais trabalhadores que lutam. Não a criminalização dos protestos operários e a repressão das lutas operárias! Basta de uso dos órgãos de repressão e da Contra-Inteligência militar nas empresas e locais de trabalho!




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