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Conselho Universitário dá passos para o fechamento da Fundação Santo André

Na tarde de segunda-feira (13), o Conselho Universitário da Fundação Santo André após a reitoria ter fechado o período matutino, votou o fechamento de mais 6 primeiros-anos do período noturno, sendo os cursos Química, Ciências Sociais, Pedagogia, Geografia, Matemática e Letras.

quarta-feira 15 de fevereiro de 2017| Edição do dia

A Fundação Santo André, grande universidade do ABC, está com seus dias contados por conta da política irresponsável da reitoria e dos conselheiros”, essa é opinião de Jenifer Tristan, estudante do 4º e último ano da Ciências Sociais que está com dificuldades para conseguir sua rematrícula. O Esquerda Diário esteve presente na reunião do Conselho Universitário e conversou com estudantes e membros do Diretório Acadêmico do prédio da Faculdade de Filosofia e Letras.

O processo de desmonte da FSA

Os alunos contam que desde a saída do antigo reitor Odair Bermelho, que roubou mais de 10 milhões da universidade e foi destituído através da ocupação da reitoria que neste ano completa 10 anos, a universidade vem alegando uma crise crescente em seu orçamento. Essa dívida já se somava a prefeitura não dar subsídios a universidade desde 2004.

Em 2015 reitoria votou uma resolução a 012 que buscava transformar o Centro Universitário num centro de custos, onde se chantageava a abertura de cada curso a partir de um número mínimo de estudantes matriculados para arcar financeiramente com seus professores e gastos. Este projeto era abertamente contra os cursos de humanas. Mas esta resolução foi revogada a partir da mobilização dos estudantes. Depois se retomou esta proposta em 2016, buscando alterar alguns pontos superficiais para manter o mesmo conteúdo de fechamento dos cursos que não estão no mercado.

Os professores e os funcionários estão desde de 2016 sem receber seus salários regularmente, além de 13° e PLR e não tem nenhuma previsão quando vão receber. Foi por conta disso, que em 2016, os estudantes, professores e funcionários iniciaram um movimento que ocupou as ruas de Santo André exigindo da antiga gestão petista da prefeitura o pagamento da dívida que tinha com a universidade, que chegava a um montante de 28 milhões e o subsidio para manter a universidade aberta. Nesta ocasião, enquanto os três setores se mobilizavam, a reitora Leila não apenas se colocou contra exigir do prefeitura que pagasse a dívida como viajou como mesmo até Brasilia para debater a situação da universidade.

O Movimento Estudantil tem um projeto alternativo ao fechamento da universidade

Rafael Magrão, estudante da Geografia, que é membro do diretório acadêmico da FAFIL nos conta que : “A crise histórica da universidade está chegando num momento decisivo. Há anos nós viemos contrapondo a lógica da reitoria e dos Conselhos ultra burocráticos de jogar a crise sobre as costas dos estudantes aumentando as mensalidades e expulsando os filhos dos trabalhadores de estarem nas salas de aula. Hoje é ainda mais claro que a crise é a própria Reitoria e sua política que só pode levar ao fechamento da universidade ou sua privatização”.

Nianza, estudante da Psicologia e também do Diretório Acadêmico complementou “Nossos cursos estão sendo fechados, e isso já está causando uma grande insatisfação não só com os alunos e professores, mas com toda a população de Santo André. Recebemos dezenas de mensagens e cada vez mais pessoas se solidarizando e se colocando contra o fechamento de uma universidade que gerou tantos profissionais para a região. Nós que estamos na gestão do Diretório Acadêmico e somos da Juventude Faísca não vamos aceitar de braços cruzados esta situação”.

O movimento estudantil já vinha tendo iniciativas para mobilizar os estudantes como a reunião de Conselho de Representante de Classe que reuniu mais diversos cursos, a Assembleia extraordinária contra o aumento das mensalidades, além das campanhas de rematrícula dos inadimplentes.

Jenifer Tristan, da Juventude Faísca e também do diretório acadêmico conclui: “A Fundação Santo André já teve 6 mil alunos em um único prédio e hoje conta com 4 mil em todo o campus. Isso significa um passo para o fechamento da universidade e por isso é urgente mobilizar os estudantes, professores junto com os ex-alunos e a população de Santo André em defesa da Fundação Santo André”. “A reitoria sempre incentiva que os alunos sejam solidários e busquem escolas e locais para distribuir voluntariamente uma propaganda para a universidade para atrair mais jovens para estudar. Nós não queremos salvar a reitoria, nem seu projeto elitista de universidade, queremos transformar esta crise em uma oportunidade dos estudantes trabalhadores terem acesso a educação como um direito, que suas dívidas sejam anistiadas e suas rematrículas garantidas, assim como defendemos na reunião do Consun que as mensalidades fossem radicalmente reduzidas para duplicar ou quem sabe triplicar os números de alunos. Nós temos uma saída realista para o não fechamento da universidade”.




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