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Conheça o programa da chapa 1: Pra Poder Contra-Atacar para o Centro Acadêmico Tasso Corrêa

sábado 30 de novembro| Edição do dia

No Chile jovens, trabalhadores e indígenas se levantam contra a miséria, os ataques e a repressão brutal do governo neoliberal de Piñera e desafiam o regime herdado da sangrenta ditadura de Pinochet. Com mais de um mês de manifestações os chilenos mostram o caminho para derrotar cortes de direitos e reformas: o da luta de classes. O Haiti também vive uma rebelião, assim como se passou também no Equador e em outros países. Na Bolívia, a população explorada e oprimida, principalmente os indígenas, se enfrentam contra um golpe cívico, policial, militar, religioso e racista, onde as forças repressivas estão assassinando e violentando brutalmente os que resistem. Depois da renúncia de Evo Morales e autoproclamação de Jeanine Áñez, apoiada por Trump e Bolsonaro, a resistência popular contra o golpe na Bolívia é exemplo da luta contra o imperialismo na América Latina.

Amedrontado, Bolsonaro já afirmou que seus exércitos estão prontos caso haja processos semelhantes no Brasil e se apressou para aprovar inúmeros ataques. Precisamos nos inspirar por essas revoltas populares, assim como pelos professores do RS que estão em greve contra os ataques de Eduardo Leite, nos organizando e lutando para derrotar Bolsonaro e seu projeto de descarregar a crise nas costas da juventude, dos trabalhadores e do povo pobre.

Frente ao retorno da luta de classes no cenário internacional, principalmente na América Latina, o papel que as entidades de cada local de estudo e trabalho podem cumprir se torna de extrema importância. No Instituto de Artes da UFRGS, é necessário que o Centro Acadêmico seja uma ferramenta de luta e organização dos estudantes, uma entidade militante e revolucionária para enfrentar os ataques impostos por Bolsonaro, disputando a consciência dos estudantes nos preparando para processos agudos como vemos na América Latina e no mundo.

Motivos não faltam: desastres ambientais como o rompimento de Mariana e Brumadinho, queimadas da Amazônia, derramamento de óleo nas praias, construção de uma enorme mineradora do lado de Porto Alegre. A essa barbárie promovida pelo governo e os capitalistas se soma a falta de respostas de quem mandou matar Marielle e a precarização da educação e do trabalho que vem em ritmo galopante. No RS, o governador Eduardo Leite descarrega a crise nas costas dos professores e servidores com salários congelados, parcelados ou atrasados desde 2015. Agora quer aplicar um pacote de leis para acabar com o plano de carreira, reduzir o salário, impedir organização sindical, com contratos precários e perda de inúmeros direitos. Milhares de professores e servidores estão em greve contra esses ataques. É papel de um Centro Acadêmico militante chamar os estudantes a apoiar ativamente a luta dos educadores e se aliar à classe trabalhadora.

Na UFRGS, a Reitoria descarrega os cortes sobre os setores mais precarizados, com a demissão de terceirizadas e indeferimento de cotistas, além do corte nas bolsas de pesquisa além de um corte de orçamento brutal previsto para 2020. Em outras universidades como a UFSC que esteve em greve recentemente, estão os restaurantes universitários, intervindo na escolha de reitores e ameaçando os servidores com uma reforma administrativa que destrói o funcionalismo público. Tudo isso para privatizar as federais por meio do projeto Future-se, para que o conhecimento produzido ali seja ainda mais restrito a uma elite, esteja ainda mais a serviço dos capitalistas.

Pelo fim da terceirização, contra a demissão das terceirizadas e pela sua efetivação sem necessidade de concurso público!

Que todos os estudantes com matrícula precária e indeferidos tenham sua matrícula regular imediatamente efetivada, que mais nenhum estudante tenha sua matrícula cancelada!

Pela defesa incondicional das cotas étnico-raciais e que sejam proporcionais aos números de negros por estado!

Pela manutenção e ampliação dos auxílios permanência, pelo direito de permanecer na universidade!

Frente a esse projeto de Bolsonaro os estudantes precisam dar uma resposta, apresentando também outro projeto de país e de universidade. Por isso defendemos uma universidade que não esteja a serviço dos capitalistas, com suas pesquisas destinadas ao lucro de empresas privadas e com com uma lógica mercantilista e precarizadora das artes e das humanas, e sim a nosso serviço, dos trabalhadores e da maioria da população. As instituições públicas são apenas 15% do ensino superior, assim, 85% da população é barrada por um filtro social, racista e elitista que é o vestibular, e acabam pagando duas vezes -pelos impostos e por mensalidades absurdas que levam à dívidas eternas- pelo ensino precário das universidades privadas.

Pelo fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, pleno acesso a todos que queiram uma educação superior! Pela estatização das universidades privadas sob controle de estudantes e trabalhadores

Pelo não pagamento da dívida pública e abertura do livro de contas das universidades pelas Reitorias!

A Reforma da Previdência de Bolsonaro e Guedes, inspirada no modelo chileno que resulta em índices absurdos de suicídio entre os idosos, foi aprovada no dia 23/10, em meio as rebeliões no Chile, com Bolsonaro se apressando para garantir a votação, comemorando com a grande mídia e os golpistas esse ataque histórico às condições de vida dos trabalhadores e população pobre, o qual fará com que milhões trabalhem até morrer.

Depois de mais de um ano de uma prisão autoritária e arbitrária, Lula foi solto pelo STF com o aval de outros setores do golpismo e dos capitalistas. Este órgão foi e é parte integral do avanço do golpe institucional, que ocorreu para aprofundar e acelerar ataques que PT já vinha fazendo, e culmina com a eleição de Bolsonaro em um processo totalmente manipulado. A decisão do STF busca separar os efeitos políticos do golpe da continuidade e aumento de seu programa econômico de precarização e exploração. A decisão tem também um sentido preventivo em meio às revoltas na América Latina, pois toda a oposição de Lula a Bolsonaro está a serviço de canalizar qualquer insatisfação eleitoral para a eleições e não para a luta de classes, esperando 2022 para tentar retornar ao governo, inclusive com alianças com a direita como sempre manteve em seus mandatos.

A juventude e os estudantes são o principal pólo da resistência aos ataques em curso. Nos dias 15 e 30M protagonizaram atos massivos no país inteiro, mostrando sua força e impondo recuos parciais aos ataques. Na UFRGS, os estudantes das artes estiveram à frente no movimento estudantil, construindo assembleias, aderindo às greves e paralisações e criando performances e obras visuais para intervir nas manifestações. A revolta dos artistas, historiadores, professores e apreciadores de arte que historicamente sentem na pele a arte ser mercantilizada e subordinada às imposições de uma classe dominante, e que sentem cada vez mais a precarização de suas vidas e os ataques à cultura que o presidente terraplanista aplica, deve ser organizada. Uma entidade militante deve cumprir este papel, entendendo o estudante como sujeito ativo desse enfrentamento.

Toda essa força e disposição dos estudantes se expressou apesar da política da direção majoritária da maior entidade estudantil do país, a UNE, controlada pela UJS (PCdoB). Separando a batalha contra a reforma da previdência e em defesa da educação, separando estudantes e trabalhadores, a UNE convocou atos dispersos sem um plano de lutas nacional e sem coordenar os locais mobilizados. No caso da greve da UFSC, atuou para isolar a única federal em greve e não fez uma campanha nacional de solidariedade e apoio. Enquanto isso seus dirigentes sentam para negociar com o ministro Weintraub. No IA a anterior gestão do CATC (dirigida pelo PCB) assistiu acriticamente esse política traidora, sem apresentar uma alternativa, assim como o DCE da UFRGS onde estão PSOL, PCB, Correnteza e outras organizações.

Essa política da UNE é o braço estudantil de uma política levada à frente também pelas centrais sindicais, especialmente CUT e CTB dirigidas pelo PT e PCdoB. Foi com seu silêncio ensurdecedor que a reforma da previdência foi aprovada na Câmara e no senado, sequer uma convocação de atos foi feita pelas centrais, muito menos um necessário plano de lutas para derrotar o governo, unificando estudantes e trabalhadores. Enquanto isso os governadores do PT e do PCdoB no nordeste aceitavam a reforma e negociavam suas vantagens na venda do petróleo, apesar dos parlamentares votarem contra, num jogo duplo, visando as eleições de 2020 e 2022.

É importante entender o papel dessas direções porque, frente a toda traição das centrais sindicais e da UNE, um Centro Acadêmico que tenha como objetivo avançar a consciência dos estudantes deve pautá-las, se posicionando para que rompam com essa política criminosa, colocando a necessidade da auto-organização dos estudantes para superá-las e para que tomem os rumos das lutas em suas próprias mãos.

Acreditamos que o CA não pode se resumir a cumprir tarefas burocráticas, como se deu na gestão atual, mas que elas estejam a serviço dos interesses dos estudantes. O CA precisa ser uma ferramenta de luta e organização, debatendo grandes temas políticos do país e sendo um organismo militante para enfrentar a extrema direita. Ele é o responsável por garantir que assembleias e mobilizações ocorram, por exemplo exigindo liberação das aulas para participar de assembleias e espaços. Ao observar que atualmente o diálogo com o CATC e sua equipe tem diversos entraves, propomos um CA aberto e transparente, com prestação de contas aos estudantes. Acreditamos que todas as reuniões do CATC devem ser abertas ao público e que uma tradição de assembléias deve ser criada, com encontros acontecendo regularmente, buscando criar um espaço de discussão e organização dos estudantes.

Temos em nossos ideais o acolhimento das iniciativas de todos os estudantes, as festas, exposições, eventos e atividades promovidas de forma independente devem ser potencializadas como um espaço cultural, de confraternização e de conspiração contra o sistema, tendo as condições materiais garantidas pelo CA com apoio técnico e de infraestrutura.

Vemos ainda, com extinção da prova específica das artes visuais e, consequentemente, na entrada de uma grande diversidade de calouros no curso, uma grande possibilidade de engajamento deles em atividades e discussões políticas e, nesse momento, uma recepção digna dos ingressantes se faz mais do que necessária para promover o envolvimento com os mesmos.

Outro ponto a ser levantado é a inexistência de uma programação na semana acadêmica do Instituto de Artes, uma semana essencial para a integração dos estudantes de diferentes cursos e que neste ano foi negligenciada e não ocorreu. Nos comprometemos a promover uma semana acadêmica integradora, com debates e atividades políticos e culturais.

Somos estudantes do Instituto de Artes da UFRGS, integrantes da Juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária e independentes. Queremos um Centro Acadêmico presente e que dê voz aos estudantes e seus interesses, por isso queremos reformar o estatuto do CATC para que a gestão seja proporcional (número de cadeiras na gestão proporcional ao número de votos na eleição), com a perspectiva de aprofundar o debate político, ideológico e programático entre os estudantes, e aplicar uma estrutura horizontal, onde todos os integrantes sejam Coordenadores e se formem Comissões com os estudantes do IA para as suas necessidades, como uma Comissão de negros e negras, de minas, de lgbts, etc., como forma de dinamizar e envolver mais estudantes.




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