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EXTERMÍNIO DA POPULAÇÃO NEGRA

Confirmado: investigação aponta que PM assassina de Witzel matou Ágatha Félix

Segundo conclusão do inquérito da Polícia Civil, o disparo que acertou as costas de Ágatha Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, partiu de um cabo da Polícia Militar.

terça-feira 19 de novembro| Edição do dia

O inquérito diz que houve um "erro de execução", que o policial teria dado um tiro de advertência para parar dois homens em uma motocicleta e acabou acertando Ágatha.

De que foi PM que acertou Ágatha já se tem certeza, pois um fragmento de projétil encontrado no corpo de Ágatha tinha ranhuras idênticas à do cano do fuzil usado pelo PM, segundo relatório do Instituto Criminalista Carlos Éboli.

Isso confirma a versão dos moradores de que a polícia assassinou Ágatha, até porque os indícios já haviam desde que, no mesmo dia do assassinato, PMs tentaram invadir o hospital para roubar a bala que teria matado Ágatha. A equipe médica, no entanto, não entregou o projétil.

No dia 5 de novembro, terça, a mãe de Ágatha, Vanessa Francisco Sales foi até a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para tirar satisfações sobre o caso, que queria acesso ao inquérito e punição aos responsáveis.

"Não pode ficar impune. Não podemos ter, no Rio, mais Ágathas, outras crianças vítimas dessa violência, não podemos deixar que se apague o que aconteceu. A gente quer que seja feita justiça", disse Vanessa. Desde a morte da filha, não conseguiu voltar para casa: "Não tenho condições psicológicas para isso. Ágatha era tudo naquela casa. Minha irmã e meu marido chegaram a ir, mas foi difícil para os dois. Eles choraram muito. Aquela casa era ela, há desenhos da minha filha na cozinha, no banheiro, no quarto".

O assassinato de Ágatha Félix é a imagem de uma sociedade decadente e assassina que ameaça destruir a vida e arrastar para a barbárie toda a humanidade. A morte de Ágatha é um brutal símbolo das consequência da escalada repressiva conduzida por Witzel no Rio de Janeiro, que leva o estado à taxas recorde de assassinatos pela polícia. O Rio de Janeiro é exemplo emblemático do que o golpe institucional tem como projeto de país, com Moro e Bolsonaro buscando estender os efeitos dessa política assassina e racista através de seu pacote anti-crime dando licença para a polícia matar.

Para vingar todas as Ágathas, é necessário um grande movimento contra a violência policial e seus assassinatos da população pobre e negra, em defesa da vida da população, porque as vidas negras e as vidas da favela importam, e o avanço da luta pelo fim da polícia.




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