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Comprometido com ataques e reformas, Paes faz discurso de vitória ao lado de Rodrigo Maia

Ontem, 29, Eduardo Paes (DEM) venceu a disputa eleitoral para a prefeitura do Rio de Janeiro, levando à derrota do atual prefeito bolsonarista Marcelo Crivella. No discurso de vitória, Paes esteve ao lado de Rodrigo Maia, também do DEM, e agradeceu ao presidente da câmara pelo apoio. Um governo que antes de começar já está comprometido com a agenda de ataques e reformas do Congresso.

segunda-feira 30 de novembro de 2020| Edição do dia

Eduardo Paes venceu o ultra conservador e bolsonarista Marcelo Crivella (Republicanos) na disputa da prefeitura do Rio de Janeiro, uma das cidades mais importantes do país. No entanto, o que aparenta ser uma derrota do bolsonarismo, não significa uma derrota do plano de ataques e reformas de Bolsonaro aos trabalhadores.

Isso já estava claro quando analisamos os mandatos de Eduardo Paes, já prefeito do Rio por 8 anos e que foi responsável por cortes milionários na saúde e pelo avanço da privatização, repressão aos negros e trabalhadores, com a defesa das milícias, além do seu partido ser um fiel defensor de reformas como a reforma trabalhista, da previdência, a PEC do Teto, e a futura reforma da previdência.

Mas no seu discurso de vitória, Eduardo Paes fez questão de agradecer à Rodrigo Maia, padrinho da sua candidatura, companheiro de partido e de projeto político, dizendo:

“A prefeitura do Rio não será uma trincheira de nenhuma ideologia política. Vamos ter um diálogo institucional com o presidente Jair Bolsonaro, o governador Cláudio Castro, pensando no bem dos cariocas. E o presidente Rodrigo Maia tem um papel importante na estabilidade do Brasil, nos ajudará nesse diálogo”.

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No mesmo discurso Paes falou que seu governo exalta a diversidade, contra o governo "omisso" e "preconceituoso" de Crivella. Mas por “diálogo” com Bolsonaro, leia-se, acordos e negociatas, por intermédio de Rodrigo Maia, para aprovar o conjunto de ataques e reformas aos trabalhadores, que aprofundam a precarização da vida dos negros, mulheres, e lgbts.

O governo “sem preconceitos” de Paes é o governo que vai seguir aprofundando a violência policial aos negros , como defende sua base aliada e como foi defensor nos seus anos de governo. Um herdeiro da elite escravocrata, é isso que significa Eduardo Paes, como falou à uma mulher negra, "tem que ’trepar muito’" ao entregar apartamento a ela. O ódio dos trabalhadores ao bolsonarista Crivella não pode significar nenhum apoio a Paesque deixa claro que vai atuar contra todos os direitos dos trabalhadores e da população carioca.

Por isso, é um erro colossal que setores do PSOL, como Freixo e a corrente Resistência, ao invés de colocar suas energias para construir uma forte oposição às duas posições que se colocaram nas eleições, chamando os cariocas a enfrentar Crivella e Paes através da mobilização, tenha chamado voto em Eduardo Paes, candidato vitorioso e que desde seu primeiro discurso não deixa dúvida ao que veio e não vai derrotar o projeto de Crivella. Além de seu partido ser um representante da ditadura militar.

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Os trabalhadores, mulheres, negros, lgbts do Rio de Janeiro precisam desde já se preparar para enfrentar seu próximo governo de ataques, exigindo que as centrais sindicais rompam a paralisia que estão e possam derrotar os ataques e reformas no único terreno possível, a luta de classes.




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