GREVE UNICAMP

Como fortalecer e expandir a luta da UNICAMP?

A UNICAMP ganhou as capas dos grandes jornais e as redes sociais nos últimos dias. É verdade que “uma das principais universidades do país” estar na grande mídia não é nenhuma novidade, no entanto a grande diferença é que agora não são apenas as pesquisas ou a opinião de importantes intelectuais o que ganha a cena, mas, sim, o grande movimento que nós estudantes estamos protagonizando. São dezenas e enormes assembleias de curso acontecendo, paralisações e greves que se ampliam e já apontam uma forte luta. A ocupação da reitoria da UNICAMP foi uma faísca que incendiou ainda mais a mobilização dos estudantes, com destaque para o piquete histórico que paralisou as aulas no Ciclo Básico, organizado por vários estudantes de diversos cursos das exatas. Essa faísca também foi um reforço para que já na noite dessa quinta estudantes votassem greve com ocupação do prédio da Letras e a greve na Pedagogia da USP.

quinta-feira 12 de maio de 2016| Edição do dia

É fundamental seguir fortalecendo a luta em cada instituto e faculdade, bem como na moradia estudantil, com grandes assembleias locais, mas também que a ocupação da reitoria e a assembleia geral sejam nossos espaços unificados de tomada de decisão. Acreditamos ainda que a força que esse movimento demonstra pode envolver e ganhar o apoio de dezenas de milhares de estudantes na UNICAMP que de distintas formas irão se mobilizar e precisam se sentir representados, para que nosso movimento tenha força suficiente para derrotar a reitoria e o governo Alckmin. As diretorias e chefias começaram a se organizar para tentar coagir o movimento em cada instituto, e nossa organização coletiva deve ser nossa maior fortaleza.

Devemos tomar em nossas mãos a nossa organização, pois ela já não cabe nas práticas rotineiras da atual gestão do DCE que é pouco representativo, e não pode ficar restrita a alguns Centros Acadêmicos, as entidades devem oferecer todo o apoio à luta, mas não podem falar em nome de milhares que se mobilizam. Institutos que tiveram que se articular entre si e por conta própria, como o Instituto de Artes que saiu a frente na mobilização, demonstram a urgência de um instrumento unificado para aprofundar e garantir a nossa organização e também tornam evidentes a insuficiência do DCE para articular essa grande mobilização.

Além da assembleia geral e da plenária da ocupação, é necessário que haja um comando de mobilização que seja um instrumento cotidiano de coordenação entre os cursos mais ativos e para que outros menos ativos também se mobilizem, para termos uma visão clara de nossa força nessa guerra contra aqueles que querem destruir a educação pública. Além de fortalecer a luta nos cursos com mais dificuldade, também é função do comando levar para o debate coletivo as propostas e posições da assembleia de cada curso e da moradia, ser o mais representativo possível dos debates, unificar as discussões, solidificar um instrumento coletivo de negociação que não permita que ninguém negocie pelas costas dos estudantes ou de forma separada, ajudar no processo de estadualização de nossa luta e coordenação com os trabalhadores e professores da Unicamp. Por isso é fundamental construirmos um comando de representantes de base, eleitos em assembleias de curso e da moradia, para que nosso movimento possa ser conduzido da forma mais democrática e possamos golpear com tudo os planos do governo e da reitoria. Fortalecer a unidade entre os cursos é fundamental para conseguirmos derrotar os cortes e lutar por nossa pauta.

Nós da Juventude FAÍSCA, estamos colocando esse debate em cada assembleia de curso que participamos. Na última assembleia geral levamos a reivindicação aprovada na assembleia dos estudantes de Ciências Sociais e História de que com a aprovação da greve geral é fundamental a construção do comando de mobilização unificado de representantes de base e na próxima assembleia geral de amanhã, 13, continuaremos esse debate, também com a defesa aprovada na assembleia dessa quinta dos estudantes do IA.

Comando de representantes de base X Comando aberto

Alguns setores, entre eles a atual gestão do DCE, se contrapõem ao comando de representantes e propõem um comando “aberto”, que na prática não expressa os setores mobilizados e entrega ao DCE os rumos do movimento. Achamos que são as assembleias massivas que estão ocorrendo nos cursos e na moradia que devem enviar, a partir de seus representantes, as propostas que consideram melhor para que a mobilização avance, e não apenas aqueles que “podem ir” às reuniões do comando, e que não representam as decisões de centenas presentes nas assembleias de base. Por isso, achamos fundamental que na assembleia geral aprovemos esse comando para avançar na coordenação entre os setores em luta. Propomos que a proporção seja eleger um representante a cada 20 estudantes nas assembleias de base. Os mandatos de cada representante serão revogáveis a cada nova assembleia de base, o que incentiva a que se aprofundem os debates e o acompanhamento se ele está sendo coerente com os rumos da luta como decide o conjunto do movimento.

Se a ocupação da reitoria já começa a ser um grande exemplo para ajudar a luta avançar na USP, construir um Comando de Mobilização representativo da Unicamp pode ser fundamental para retomar uma tradição dos grandes momentos de luta do movimento estudantil das estaduais paulistas: construir um forte comando estadual de mobilização, com representantes eleitos em cada universidade, para ajudar a coordenar e avançar nossa luta estadual e também nos somarmos aos estudantes secundaristas que ocupam suas escolas contra nosso inimigo comum. Que o ato unificado do dia 16 em São Paulo seja um primeiro passo, onde mostraremos às reitorias paulistas e aos governos que cortam que já estamos fervendo para derrotar cada ataque à educação.




Tópicos relacionados

#OCUPATUDO   /    Unicamp

Comentários

Comentar