Educação

GREVE PROFESSORES MG

Como Doria, Pimentel quer privatizar previdência pública em Minas Gerais

Douglas Silva

Estudante da UFJF

terça-feira 3 de abril| Edição do dia

Entrevistado pela TV 247, o governador Fernando Pimentel (PT) busca – numa comparação da situação financeira de MG, RJ e RS – pintar um projeto de Reforma da Previdência no Estado. O que em São Paulo foi levado pelo prefeito João Doria (PSDB) e derrotado nas ruas pelos professores em greve.

O governador mineiro, assim como Temer, quer descarregar a crise nas costas dos trabalhadores. Derrotar a greve na educação é o que daria margem para o governo implementar a reforma da previdência e os demais ataques contra os trabalhadores no estado. Por isso, para derrotar os ajustes do PT, precisamos fazer como os servidores de SP que derrotaram Doria.

Pimentel começa a entrevista se propondo a fazer o que o governo federal não conseguiu a nível nacional, acabar com a previdência pública no estado.

Tentando trazer a população para seu lado e garantir um apoio, muito improvável levando em conta o grande rechaço da população a reforma da previdência de Temer, o governador diz que é necessário tirar os “benefícios” dos servidores para não tirar de toda população.

O que Pimentel não esclarece é quais seriam os privilégios desses servidores. Afinal, seria um privilégio ter o salário parcelado em 4 vezes? Seria um privilégio não ter garantido o piso salarial como no caso dos professores em greve? Parece que o governador ignora que os verdadeiros privilegiados são os políticos e a casta de juízes com altos salários e benefícios que passam muito longe da real situação dos servidores de MG.

Enquanto o governador trata seus servidores como privilegiados, propondo cortar seus benefícios, elogia sua polícia, justificando que por ser um “trabalho mais urgente” do que o dos professores, tiveram o salário parcelado em apenas duas vezes ao contrário do restante do funcionalismo que vive com um parcelamento de quatro vezes.

Os elogios à PM vem no mesmo momento em que assistimos a covarde repressão da polícia do governador aos professores em greve de BH. A exaltação de Pimentel parece ser bem justificada no “excelente” trabalho de repressão que vem cumprindo seu braço armado.

A conciliação com os capitalistas e o beco sem saída do ajuste

O projeto do governador mineiro em privatizar a previdência, por mais que tente envernizar como diferente da que Temer tentou aprovar, carrega todos os mesmos elementos da conciliação com os capitalistas levada pelo governo federal. Uma conciliação que nos governos petistas sempre manteve a “roda girando” em benefício dos grandes empresários e pavimentando o caminho para o golpe institucional de 2016.

Salvando os patrões às custas dos trabalhadores, Pimentel não quer apenas privatizar a previdência, mas também o que mais estiver pelo caminho. Veja o exemplo da Codemig em que o governo tenta vender 49% da companhia aos capitalistas: Governo Pimentel quer privatizar Codemig

Como se não bastasse a conciliação com os grandes capitalistas rumo ao beco sem saída dos ajustes nas costas dos trabalhadores, o governador não tem nenhum pudor em afirmar na entrevista que, no cenário eleitoral de 2018, sendo ele candidato, “sem dúvida” estará com o PMDB em MG. Uma afirmação que não apresenta nada de novo sobre o governador e, muito menos, sobre o petismo que não esconde suas alianças com os golpistas em outras partes do país.

Organização pela base para derrotar Pimentel como os professores de SP

Como em SP, onde os professores e municipais derrubaram a reforma da previdência de Doria, servindo de exemplo para os trabalhadores de todo país , também podemos derrotar Pimentel em MG.

As direções da CUT e da CTB são parte do PT e atuam com a estratégia de desgastar o governo e não pela derrota deste. Isso porque não acreditam na força e unidade dos trabalhadores para combater a direita e todos os governos como os petistas que também arrancam nossos direitos e servem aos capitalistas. Por isso que até agora não chamaram um dia de lutas de todos os servidores contra os ataques de Pimentel em Minas Gerais. Isso porque morrem de medo desta luta sair de seu controle e das ambições eleitorais de seu partido. Por isso que batalhamos pela organização desde a base dos trabalhadores, como o comando de greve e a unificação em um dia de lutas e paralisações, resoluções que seguem sendo boicotada pela CUT.

Veja mais: Educadores de MG votam continuidade da greve

Contudo, o exemplo que vem de SP nos mostra que é possível vencer. Enfrentando Doria e a burocracia sindical, os professores demonstraram toda sua combatividade contra a reforma da previdência no estado do empresário do PSDB. Uma lição que deve ser tomada por toda classe trabalhadora de MG e de todo o país.

Lutar contra a Reforma da Previdência de Pimentel junto aos direitos democráticos

Nossa vitória em São Paulo, com a esquerda, os trabalhadores e, em especial, o Movimento Nossa Classe, apontou o caminho. A direção que os professores seguiram, levantando a bandeira por Marielle Franco e contra a intervenção federal no Rio, nos diz que a luta contra os ataques no estado de SP e MG pode – e deve – confluir com a luta democrática contra as forças reacionárias movidas pelo golpe institucional e todos os ataques em curso.

Enfrentar a reforma da previdência do governador petista em Minas é tão possível quanto aquela que foi colocada abaixo pelos trabalhadores em SP. Uma luta que, assim como a batalha contra a direita, só pode ser levada até o fim a partir de uma verdadeira unidade de ação para vencer todos os ataques da direita.




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