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RIO DE JANEIRO

Comlurb suspende licenças de garis do grupo de risco e os obriga a tirar férias em julho

sexta-feira 3 de julho| Edição do dia

A Comlurb a partir da Ordem de Serviço Nº 007 determinou que colocará em férias os funcionários que compõem o grupo de risco, isto é, aqueles (afastados por medidas restritivas, por idade ou doença crônica/comorbidade), em julho de 2020 ou enquanto durar o estado de calamidade pública. A direção da Comlurb quer colocar compulsoriamente os garis do grupo de risco em férias, impondo a eles que entrem em férias sem serem consultados se estão de acordo ou não. Os demais garis terão suas férias suspensas, ou seja aqueles que estão com férias programadas para o mês de julho ou que já haviam se programado pra tirar férias em determinada época do ano de 2020 não terão mais esse direito sem a mínima consulta prévia o que é um grande absurdo. Mais absurdo ainda vindo de uma empresa que em plena pandemia não garante sequer sabão nas gerências, EPI’s e material adequado como garis denunciaram aqui.

Crivella e a direção da Comlurb não tem nada a oferecer aos trabalhadores se não sofrer ainda mais com a pandemia do covid-19, vários garis morreram por conta do vírus por estarem na linha de frente sem os EPI’s adequado, perderam parentes e amigos. Mesmo assim Crivella decretou a flexibilização da quarentena, retornando às atividades serviços não essenciais, ao invés de garantir testes para a população e um auxílio de 2000 reais por trabalhador que tenha que fazer isolamento. No Rio de Janeiro já são mais de 10 mil mortos por conta do coronavírus, em sua maioria negros e negras, que são trabalhadores essenciais e da linha de frente como as trabalhadoras da saúde, os garis, os entregadores de aplicativos e tantos outros.

Essa medida arbitrária da direção da Comlurb não pode ser pensada por fora do espaço aberto desde o golpe institucional que aprofundou os ataques contra a classe trabalhadora com a reforma trabalhista e a reforma da previdência. Forçar um funcionário a tirar férias é uma medida bastante autoritária, as férias são um direito conquistado historicamente com muita luta e suor pelos trabalhadores, um ataque dessa proporção é resultado de um regime onde os trabalhadores têm cada vez menos direitos.

Não bastasse obrigar os garis a entrar de férias, eles podem ficar de férias enquanto durar o estado de calamidade pública, ou seja, Crivella precarizou a sistema público de saúde, não garante leitos, testes e respiradores, e os garis dos grupos de risco são obrigados a tirar férias enquanto durar uma crise que não foram eles que criaram. O prefeito Marcelo Crivella não se importa com a vida dos trabalhadores, completamente diferente de seu slogan na eleição de "cuidar das pessoas", mas ele junto com empresários e a alta cúpula das igrejas evangélicas se beneficiam com a flexibilização sem testes e EPI’s, que vemos o número crescente de mortos e infectados pela covid-19.

Repudiamos medidas como essa que querem obrigar os garis dos grupo de risco a tirarem férias forçadas. É imprescindível que os trabalhadores e as trabalhadoras se auto organizem em um comitê de Saúde e Higiene para que os trabalhadores que façam parte do grupo de risco sejam liberados com a remuneração assim como sejam feitas escalas de trabalho pelos próprios Trabalhadores e ainda consigam gerenciar os EPIs e os materiais de limpeza.




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