Educação

RETORNO PRESENCIAL ÀS AULAS

Começou hoje o planejamento da rede estadual de Educação de São Paulo e os professores exigem condições para o retorno

Sem condições seguras para o retorno haverá “busca ativa de óbitos", disseram os professores no dia em que começa o planejamento da rede estadual de ensino em São Paulo em resposta ao retorno presencial das aulas em plena segunda onda da Covid-19 no país.

terça-feira 26 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Divulgação / Governo do Estado de SP

Começou na manhã dessa terça-feira o planejamento na rede estadual de ensino de São Paulo para o retorno presencial das aulas no dia 08 de fevereiro, como anunciado pelo secretário de educação Rossieli e Doria. Entre hoje e a próxima quinta-feira os professores estarão em planejamento remoto e a partir de sexta-feira, 29, deverão voltar presencialmente às escolas. A conferência da secretaria estadual de educação foi transmitida pelo Centro de Mídias do Estado. E pelas redes os professores manifestaram sua indignação com a falta de condições para um retorno seguro às aulas presenciais e exigiram medidas concretas.

Enquanto Rossieli se dirigia aos professores em tom de ameaça dizendo que as aulas vão voltar a qualquer custo, mas ao mesmo tempo fazendo muita demagogia, comparando o estado com países com realidades completamente distintas, como a Holanda (o que rapidamente virou piada entre os professores), ou dizendo absurdos como ser mais fácil contrair a Covid em casa do que na escola ou no trabalho, os professores reagiam expressando indignação e revolta.

No chat do encontro os professores lamentavam as mortes de colegas de trabalho, denunciavam o agravamento da pandemia no estado com número de mortos crescendo e regiões sem vagas em leitos de UTI, a falta de condições de trabalho para realizar o chamado ensino híbrido e a total escassez de vacinas para os professores e a população. Vacina que Doria tanto faz propaganda, mas que não garante quantidade suficiente nem para os profissionais da saúde. Rossieli inclusive garantiu que não há previsão de vacina para todos.

Como vários professores e trabalhadores da educação denunciam, já faz quase um ano desde o início da pandemia e as escolas seguem sem estrutura para funcionar decentemente mesmo em condições normais. Há escolas que ficaram em condições ainda piores do que antes da pandemia. Escolas sem o mínimo de ventilação, sem espaços seguros de circulação, banheiros em que falta água, sem materiais de limpeza suficientes, além da gigante falta de trabalhadores de limpeza, apoio, além de professores.




Rossieli ainda aproveitou a conferência para dizer que não concorda com a greve que vem sendo discutida na categoria e diz, em tom de ameaça, que se os professores decidirem por greve a Justiça tem estado do lado deles em todas as ações que a Apeoesp tem entrado contra o retorno presencial. Mais uma prova do porquê não podemos, nós trabalhadores, confiar na justiça que já mostrou inúmeras vezes que não está do nosso lado.

Enquanto Doria e Rossieli menosprezam as vidas dos trabalhadores da educação, dos alunos e seus familiares, os professores dizem que sem condições seguras para o retorno presencial, sem vacinas para todos, haverá “Busca ativa de óbitos”, ironizando a famigerada “busca ativa” que as escolas tinham que fazer no ano passado, buscando e ligando para cada aluno.




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