Mundo Operário

CONGRESSO DE TRABALHADORES DA USP

Começa o 6º Congresso de Trabalhadores da USP: “Avançar na democracia dos trabalhadores e na independência de classe”

Babi Dellatorre

Trabalhadora do Hospital Universitário da USP, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário

terça-feira 28 de abril de 2015| Edição do dia

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Ontem, 27 de abril, começou o VI Congresso dos Trabalhadores da USP, que tem como sua maior tarefa construir a mais ampla unidade da categoria para organizar a luta no próximo período. Também é tarefa desse Congresso avançar no classismo, na democracia dos trabalhadores, construindo uma alternativa independente do governo e da direita. O congresso se estenderá até o dia 30 de abril.

O SINTUSP, desde suas origens, na greve de 1979, foi formado a partir de um histórico de resistência e democracia operária, sendo de fato um instrumento de luta dos trabalhadores – como colocou Magno Carvalho, diretor do sindicato e um dos fundadores dessa tradição, na abertura do congresso.

Em 2014, foram 118 dias de greve, onde os trabalhadores colocaram em prática a democracia direta ao eleger nas bases delegados revogáveis para compor o Comando de Greve. Neste instrumento, tomaram decisões, aprenderam a fazer política e treinaram como organizar uma nova sociedade. Durante a greve, todas as diferentes tendências políticas se expressaram e os trabalhadores puderam fazer experiência e tirar conclusões de cada posição, avançando em sua consciência.

O Movimento Nossa Classe, para manter viva essa experiência, propõe que a diretoria do sindicato seja proporcional. E também que seja rotativa, garantindo renovação e formação de novos trabalhadores como dirigentes de sua classe. A democracia direta só é possível se o delegado, representante sindical, está em contato direto com a base, por isso é fundamental a rotatividade dos que estão liberados do trabalho.

O SINTUSP historicamente defende os direitos dos trabalhadores terceirizados, pois entende que a classe trabalhadora é uma só. No dia 15/04, deu mais um exemplo de classismo mantendo a independência dos trabalhadores em relação aos governos e aos partidos dos patrões ao levar pras ruas a consigna debatida em assembleia da categoria: “Nem com o governo anti-operário, nem com a direita. Pela mobilização independente dos trabalhadores. Contra as MP’s 664 e 665 de Dilma, contra o PL 4330.”

Nesse contexto nacional de ataques, mas também de disposição dos trabalhadores para se mobilizar, é necessário construir uma mobilização independente. Precisamos neste congresso debater um plano de lutas que seja impulsionado pelo SINTUSP e demais sindicatos ligados a CSP-Conlutas – central sindical anti-governista – a partir de encontros construídos na base das categorias e que levante um programa contra a precarização do trabalho e a divisão de nossa classe, para barrar o ataque histórico do PL4330, e exigir a efetivação imediata de todos os terceirizados. Que defenda também os empregos, combatendo qualquer demissão e propondo a repartição das horas de trabalho sem diminuição do salário para que ninguém fique sem trabalho. Além disso, o reajuste mensal do salário de acordo com a inflação! É através desse plano de lutas concreto, organizado pela base, poderemos unificar os trabalhadores de todo o país numa greve geral realmente efetiva!




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