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Com sindicato ausente, bancários discutem dia 29

sexta-feira 29 de maio de 2015| Edição do dia

Como parte da cobertura do dia de paralisação nacional contra a terceirização e o ajuste fiscal, entrevistamos Thais Oyola, Eduardo Maximo e Edison Urbano, representantes de base de duas das principais agências da Caixa no centro de SP.

ED: Como foi a preparação do dia 29 na categoria?

Edison: Na verdade, o Sindicato se limitou a fazer uma propaganda sobre a paralisação nacional, mas não organizou de fato nem realizou uma assembleia para que os trabalhadores pudessem fazer uma verdadeira paralisação. O Sindicato dos bancários é um dos principais da CUT, e poderia ser o carro chefe de uma grande paralisação em São Paulo, que inclusive encorajasse outras categorias a parar, como os metroviários e ferroviários. Eles tinham o dever de organizar a luta, se falam tanto de barrar o PL 4330, as MPs 664 e 665 e demais medidas do ajuste fiscal. Mas não, eles se recusaram a pelo menos chamar uma assembleia para que os trabalhadores pudessem decidir sobre a paralisação.

Thais: Essa questão da assembleia não é uma questão menor, porque além de organizar a base pra ter uma paralisação efetiva, nós tínhamos que debater as bandeiras do ato. Se depender do Sindicato, a luta contra as medidas do ajuste fica subordinada à defesa do governo (em nome da “democracia”).

Essa é a contradição do Sindicato: ele precisa fazer alguma coisa pra se legitimar na base, mas não quer uma verdadeira mobilização de massas que pudesse atingir o governo. O resultado é esse: uma política que é mais jogo de cena que qualquer coisa. Podem até parar um ou outro local de “visibilidade”, geralmente na região da Paulista ou alguma unidade no centro. Mas as principais concentrações dos bancos vão funcionar normal, assim como o grosso das agências.

ED: E como está a disposição de luta na categoria?

Edison: Nas últimas semanas nós percorremos as agências do centro de SP, enquanto outros setores da oposição bancária também passaram em outras regiões. O que encontramos em geral foi uma compreensão significativa da necessidade de combater as medidas do ajuste fiscal, que poderia se reverter em luta real se tivéssemos uma direção combativa.

Nos locais onde estamos, conseguimos organizar a base para debater a paralisação e definir formas alternativas de tomar partido contra os ajustes do governo Dilma nesse dia nacional de luta.

Thais:

Na Sé, dando continuidade ao que fizemos no dia 15/4, reunimos o pessoal da agência para debater a importância de participar das manifestações do dia 29 chamado pelas centrais sindicais. O Sindicato, que se omitiu totalmente de organizar a luta, assim como havia “desaparecido” no dia 15/4, agora está querendo jogar seu aparato pra tentar cobrir sua ausência, mas faz isso sem nenhum debate com a base, o que é lamentável.

Eduardo:

Na Sete de Abril também fizemos uma reunião de unidade e discutimos como é irresponsável essa política do Sindicato, de não construir nada na base e escrever no site que vai ter “paralisação geral”, só pra depois colocar a culpa nos próprios trabalhadores pelo fato da categoria não parar como deveria.

Mas ao mesmo tempo, debatemos como a luta contra o ajuste fiscal do governo Dilma é uma luta decisiva para os trabalhadores. Se não formos capazes de resistir, todo o peso da crise econômica vai ser descarregado sobre nós. Num momento em que o desemprego cresce, e as demissões em massa se multiplicam, o governo Dilma e a oposição burguesa no congresso cortam no seguro desemprego e no abono do PIS, querem ampliar a terceirização, e mais à frente, vão usar o desemprego em alta para chantagear os trabalhadores a aceitarem arrocho salarial e mais cortes de direitos. Por isso, não podemos mesmo deixar passar em branco, e repetiremos o protesto que fizemos no dia 15/4, retardando a abertura da agência e dialogando com a população sobre a necessidade de unir todos os trabalhadores contra os ataques.




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