Educação

CRISE DAS UNIVERSIDADES

Com cortes gigantescos de Bolsonaro, UFES deve perder 18,2% de verbas em 2021

O corte consta no Proposta de Lei Orçamentária Anual (Ploa) para 2021 enviado pelo Governo Federal em agosto de 2020.

terça-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

Somando todas as universidades federais, cortes chegam a R$ 1 bilhão e supera R$ 400 mi para os institutos federais no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021 que está para ser votado. O IFES já amarga uma situação de penúria: “falta dinheiro água e luz” disse o reitor Jadir José Pela a Gazeta.

Pode interessar: Da Lei de Responsabilidade Fiscal à EC 95 – a destruição da educação pública e nossas tarefas

Segundo nota da Administração Central da UFES, a universidade sofrerá um baque de mais de R$ 20 milhões ao todo: "perde R$ 3,14 milhões que seriam destinados ao Programa de Assistência Estudantil, R$ 16,8 milhões de custeio e R$ 2 milhões de capital".

Tentando justificar os cortes em decorrência da pandemia, o MEC afirmou em nota que "em razão da crise econômica em consequência da pandemia do novo coronavírus, a Administração Pública terá que lidar com uma redução no orçamento para 2021, o que exigirá um esforço adicional na otimização dos recursos públicos e na priorização das despesas". Porém, não levam em conta que em 2020 o MEC teve o menor gasto da década com educação básica, foram gastos R$ 48,2 bilhões, uma redução de 10,2% em relação ao ano de 2019. O governo Bolsonaro é também o que menos investe no ensino superior desde 2015.

Mesmo antes desse corte substantivo, a UFES amargou perdas consideráveis ao longo de 2019. Nesse ano, os alunos enfrentaram um caos, os banheiros só eram limpos 1x por semana, o lixo se acumulava, com falta de papel higiênico e detergente pra lavar as mãos, além do ares condicionados serem desligados para economia de energia. Foram as trabalhadoras terceirizadas que pagaram a conta da crise com os cortes de salário e as demissões.

Leia mais: UFES: lutemos contra o ensino remoto e a precarização

O Governo Bolsonaro é a continuidade violenta do projeto do golpe institucional para a educação. A PEC do teto de gastos que congela os gastos com saúde e educação, os distintos cortes e desprezo pela ciência marcaram os governos federais desde então. Se os governos petistas não foram capazes de implementar um programa para garantir a permanência na universidade, criando vagas mas sem a devida qualidade, aumentando o peso das universidades privadas, os últimos dois governos trataram de aprofundar o sucateamento do ensino público em favor dos grandes empresários da educação.

Devemos também combater os retrocessos da Câmara Municipal de Vitória, como foi a aprovação do Projeto “Infância sem pornografia”, para censurar alunos e professores. É necessário a busca por uma saída de conjunto para enfrentar o governo Bolsonaro e esse regime, a fim de construir uma organização revolucionária no estado do Espírito Santo, que batalha pelo fim do capitalismo no mundo.

O orçamento federal da educação é cobiçado tanto por empresários da educação como por bolsonaristas ávidos por uma cruzada contra “a esquerda”. Essa disputa nas alturas deve ter a intervenção decisiva do movimento estudantil para combater ambos os lados em favor de uma universidade a serviço da classe trabalhadora e é para esse objetivo que a Juventude Faísca se coloca.

É preciso que se levante um debate vivo na universidade sobre seus rumos e que os Centros Acadêmicos e o DCE realizem assembleias estudantis imediatamente. Os rumos da Ufes estão em jogo frente a votação do orçamento de 2021.




Tópicos relacionados

Responsabilidade fiscal   /    UFES   /    Espírito Santo   /    Corte de verbas   /    Faísca - Juventude Revolucionária e Anticapitalista   /    Educação   /    Universidades Federais   /    Educação   /    Movimento Estudantil

Comentários

Comentar