Internacional

CRISE POLÍTICA E SOCIAL

Com assembleias, paralisações e ocupações, se prepara uma nova jornada de mobilização no Chile

A insultante mudança do gabinete de Piñera não chega nem perto de acalmar a indignação gerada por um regime conservador e repressivo que apodrece há mais de 30 anos.

terça-feira 29 de outubro| Edição do dia

Preparando a grande terça-feira convocada para cercar La Moneda (sede do governo), milhares se mobilizaram na segunda-feira à tarde no Paseo Bulnes e arredores de Santiago. Dezenas de milhares desceram a Plaza Italia em direção a La Moneda e barricadas foram feitas com alguns milhares de jovens.

Dezenas de milhares de pessoas se mobilizaram em Santiago nesta segunda-feira 28.

Sob a repressão inicial das Forças Especiais, milhares de jovens, mulheres e trabalhadores que saíram neste horário de seu trabalho, se juntaram ao protesto.


Mais uma vez, milhares de jovens enfrentaram repressão por horas.

A mudança insultante do gabinete de Piñera não está nem perto de acalmar a indignação gerada por um sistema ultra-conservador e repressivo, herdeiro da ditadura, que apodrece há mais de 30 anos. O presidente, depois de se tornar um agressivo repressor da mobilização popular, pretende salvar seu governo com mentiras e manobras grosseiras.

Nesse sentido, as principais mudanças ministeriais foram a saída do odiado Ministro do Interior, Andrés Chadwick, agora substituído por Gonzalo Blumel, uma mera jogada ministerial que busca mostrar um rosto mais jovem e "amigável" diante do desprestigio e brutal repressão na semana passada.

No caso da porta-voz do governo, Cecilia Pérez saiu e assumiu a até então prefeita da Região Metropolitana, Karla Rubilar, que esteve encarregada da repressão em Santiago durante esses dois anos de governo. Assim que assumiu, e diante da massiva marcha de segunda-feira em direção a La Moneda, sua reação foi criminalizar as mobilizações.

Também houve mudanças de mesmo calibre na Secretaria-Geral de Governo e nos Ministérios das Finanças, Economia e Trabalho. Em suma, novos fantoches que não modificam uma virgula do conteúdo do governo. Mas dezenas de milhares já estão respondendo a essa armadilha.

O poderoso sindicato dos trabalhadores portuários, em uma assembléia extraordinária da Unión Portuaria de Chile e da Frente de Trabajadores Portuarios Centro, chamou paralisação nesta terça-feira e aderir a greve geral em todo o país contra Piñera e a repressão na quarta-feira.

Na cidade de Antofagasta, um dos epicentros do protesto social que se espalhou por todo o país, estudantes de escolas secundárias e universidades se reuniram em uma assembléia no Colegio de Profesores, que organiza o Comitê de Emergência e Abrigo, e decidiram continuar com a greve geral, em união com os trabalhadores, até a queda de Piñera, e a ocupação das escolas.

Seguindo esse exemplo, uma Assembléia Pública está sendo promovida na cidade de Arica através da formação de um Comitê de Emergência e Proteção que atua com diferentes comissões, incluindo assistência médica a feridos e atacados pela polícia em manifestações, uma comissão segurança, arte, audiovisual e divulgação, entre outros.

Em Valparaíso, o a agrupação estudantil Vencer faz chamados para promover assembleias massivas e iniciar ocupações de seus espaços para aderir à luta de uma maneira mais organizada.

Assim se começa a responder a uma mudança de gabinete que é uma nova farsa para sobreviver e manter o essencial de sua política. Para esta terça-feira, é chamada uma mobilização em direção a La Moneda, que deve ser massiva, e na quarta-feira haverá uma greve geral com bloqueios e marchas em diferentes partes do país.

Piñera não cairá sozinho, temos que tira-lo com a greve geral e a mobilização. Terá que ser pressionado pela força de trabalhadores, mulheres, jovens, aposentados e estudantes, e a partir de sua queda lutar por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana por meio de uma greve geral e mobilização ativa.




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