Política

ELEIÇÕES 2018

Com Lula excluído pelo autoritarismo do judiciário, PT nomeia Haddad

A Direção Nacional do PT confirmou nesta terça-feira, 11, em Curitiba, Fernando Haddad como o candidato do partido à Presidência, substituindo assim Lula, que está preso arbitrariamente e foi vetado pelo Tribunal Superior Eleitoral de participar nas eleições.

terça-feira 11 de setembro| Edição do dia

A cúpula do PT esteve reunida em Curitiba para preparar o lançamento da candidatura de Fernando Haddad, junto à vice Manuela D’Ávila, do PCdoB, substituindo a candidatura presidencial de Lula, vetado arbitrariamente pela Lava Jato, o Judiciário e a colaboração da mídia.

Foi montada toda uma estrutura em Curitiba para o anúncio de Haddad, com a presença da ex-presidente Dilma, da atual presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, entre outras lideranças do partido. A militância do partido fez vigília em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, onde Lula está preso.

Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos fundadores do PT, leu a “Carta de Lula ao povo brasileiro”, com o título "Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República".

Em sua carta, Lula diz que “Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República [...] A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sergio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder [...] E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente”.

Lula fez inúmeros elogios a Haddad na sua carta, lembrando os programas educacionais dirigidos pelo ex-prefeito de SP.

Concluiu que “É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação "O Povo Feliz de Novo" a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente [...] Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social"

Dito seja de passagem que, se o golpe aprofundou a exploração dos trabalhadores e pobres do país, o PT iniciou os ajustes contra a população em seu próprio governo.

"Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo [...] Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros”.

Fernando Haddad, novo candidato do PT à presidência, fez um discurso aludindo aos governos anteriores de Lula: “Qual foi o pecado do presidente Lula? Foi ter aberto as universidades para o filho do trabalhador? Foi ter matado a fome do povo no semiárido? Foi garantir juro baixo para o crédito consignado? O que é isso na cabeça da elite? Ou foi um negro sentar ao seu lado no avião? Esse foi o pecado? [...] Não vamos aceitar o Brasil do século XX, do século XIX, do século XVIII. Não queremos aquele Brasil desigual e intolerante”.

Ao contrário do que diz Haddad, entretanto, mesmo com as concessões precárias feitas pelo lulismo ao setor mais pobre e oprimido da sociedade, os que mais ganharam foram os empresários nacionais e estrangeiros, boa parte dos quais formaram a base de apoio do golpe institucional. O que diria Haddad do PT ter governado com a direita racista, machista e homofóbica? Ou que a terceirização e precarização do trabalho – que traz consigo diversos aspectos da exploração dos trabalhadores dignos dos "séculos XIX e XX" – triplicou nos governos do PT? Ter aberto o caminho ao golpe institucional é uma conclusão inconfessável para o PT.

A partir de hoje, então, fica oficializada a candidatura de Haddad para representar o PT nas eleições presidenciais. Segundo o Datafolha, Haddad cresceu de 4% para 9% das intenções, antes mesmo do ato de transferência de apoio de Lula a Haddad (segundo a pesquisa, 33% das pessoas dizem que "votariam com certeza" no candidato indicado por Lula). Parece se desenvolver a tendência de um segundo turno entre o petista e Jair Bolsonaro, que obteve 24% das intenções.

Sobre o tema, Maíra Machado, candidata a deputada estadual pelo MRT em SP, disse que: "Estas eleições estão manipuladas pelo judiciário e a direita golpista, que deram mais um passo na continuidade do golpe ao excluir Lula arbitrariamente das eleições. A mídia golpista, em especial a Rede Globo, agora flerta com a candidatura de Jair Bolsonaro - e seu vice, o ex-general Hamilton Mourão, que também defende torturadores - para seguir os ataques de Temer, já que o tucano Alckmin não sobe nas pesquisas. O Alto Comando das Forças Armadas cumpre papel auxiliar no golpismo. Não há dúvida que o PT fortaleceu o autoritarismo judicial e ajudou as Forças Armadas a ’estenderem as asas’ sobre a política. A política petista em 13 anos de governo abriu o caminho ao golpe institucional, tendo governado junto à direita e assimilado os métodos de corrupção próprios do capitalismo. É incapaz de enfrentar seriamente essa tirania golpista. Por isso, não votamos em nenhuma das candidaturas do PT".

Flávia Valle, candidata a deputada estadual pelo MRT em MG, também disse que "Não votamos no PT, mas denunciamos o avanço da direita golpista, do autoritarismo judicial e a politização reacionárias das Forças Armadas: se atacam os direitos políticos de um líder popular reformista que reúne mais de 40% das intenções de voto no país, o que não farão com os trabalhadores em luta, a esquerda e os sindicatos? Precisamos enfrentar seriamente essa direita e os empresários, e para isso precisamos construir correntes anticapitalistas e socialistas nos sindicatos, contra a burocracia sindical, inclusive do PT, e preparar o terreno para as lutas que virão. O MRT, que impulsiona o Esquerda Diário, a principal imprensa à esquerda do PT, e as candidaturas anticapitalistas nestas eleições manipuladas, busca preparar, teórica e praticamente, uma esquerda anticapitalista e revolucionária, que aposte na luta de classes dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e LGBTs, para quando as massas terminem de fazer sua experiência com o PT".




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