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REBELIÃO NA COLÔMBIA | Colômbia se mobilizou em um novo dia de protestos

Nesta quarta-feira foi realizado um novo dia de greve nacional com atividades nas principais cidades do país, enquanto Duque busca interromper bloqueios e piquetes.

quinta-feira 20 de maio | Edição do dia

Depois de ter fracassado nas negociações no último domingo, o segundo fracasso em duas semanas, em Bogotá, entre representantes do Executivo e os integrantes do Comitê Nacional de Paralisação (CNP), órgão que integra diversos sindicatos, convocou um dia de protestos nesta quarta-feira.

As demandas levantadas pelo CNP são garantias de protesto social, proibição do lançador de projéteis Venom (que utiliza vários tipos de munições) pela ESMAD e a desmilitarização das ruas. Com essas "mesas de diálogo", procuram desmantelar a rebelião em curso na Colômbia.

Enquanto isso, na segunda-feira, o presidente Iván Duque ordenou o envio de forças repressivas para desbloquear as estradas e rodovias da Colômbia, onde centenas de jovens se reúnem para efetivar a greve nacional. A eliminação dos bloqueios se tornou o eixo do discurso de Iván Duque, que quer mostrar uma normalidade que não existe no país.

Por outro lado, a reforma da saúde caiu no Congresso, segundo o jornal El Tiempo, “com 27 votos a favor e 5 votos contra, as sétimas comissões do Senado e da Câmara arquivaram nesta quarta o projeto de lei da Reforma da Saúde”.

Jornada nacional de protestos

O dia desta quarta-feira foi atravessado por atividades culturais nas principais cidades da Colômbia. Milhares de pessoas marcharam em Cali, Bogotá e Medellín, manifestando-se atividades culturais em uma tarde.

Se mobilizaram alguns sindicatos, como Mateo relatou em diálogo com La Izquierda Diario "nós marchamos desde a Universidade Nacional, saímos com o sindicato dos trabalhadores da universidade e o sindicato dos trabalhadores da indústria do petróleo aderiram".

Uma importante liderança feminina do sul de Bogotá falou com La Izquierda Diario sobre os motivos da jornada: “Hoje nos reencontramos em nossos espaços de resistência, nas ruas com diferentes jovens, diferentes organizações ... as demandas são muito claras, não haverá diálogo se não houver desmilitarização do país, dos nossos bairros, dos nossos cantos. Em segundo lugar, exigimos em todos os espaços a renúncia de Duque."

Há dois anos [Duque] sentou para negociar com os estudantes, com os camponeses, com os trabalhadores indígenas, e ele quebrou todos esses acordos. Não vamos sentar para negociar com Duque porque é um governo que quebrou todos os acordos, inclusive os acordos de paz. Por isso, é fundamental que ele renuncie para que possamos abrir um diálogo direto com o Congresso”.

É necessário defender as paralisações

Após vários dias de protestos, os jovens mostram que ainda estão mobilizados. Enquanto isso, Duque busca levantar esses bloqueios para mostrar uma falsa normalidade no país. Apesar disso, nas comunidades continua a resistência à brutal repressão policial e a protestar com a única ferramenta de que dispõem para tornar visível a sua luta, que é o bloqueio. Enterre as mobilizações, como já o fez depois dos dias que se iniciaram em novembro 2019.

Apesar da brutalidade na resposta das forças repressivas e não ter prometido nada mais do que retirar a reforma tributária, Duque conseguiu fazer com que boa parte do arco político, inclusive a centro-esquerda do Petro, até o Comitê Nacional de Paralisação (CNP), aceitassem, apoiassem ou sentassem diretamente à mesa com um governo que estava completamente enfraquecido.

Com o anúncio de Duque de enviar a força pública para atacar os bloqueios de estradas, torna-se urgente a solidariedade de todos os manifestantes em todas as partes do país com as áreas que estão sendo atacadas pela repressão aberta do Estado.

É preciso impedir a tentativa de Duque de separar os jovens que resistem, criminalizando-os como "vândalos" e "terroristas", do resto das manifestações que acontecem no país. Assim como a organização de todos esses setores que deixaram de ser representados pelo CNP nos bairros, comunidades, locais de trabalho e estudo é fundamental para o debate de um verdadeiro plano de luta, que inclui a necessidade de autodefesa contra as agressões policiais, estadual e paraestatal, até derrotar com Duque e seus planos.




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