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CONGRESSO CSP-CONLUTAS

Cláusula de barreira gera debate e polêmica na primeira mesa do Congresso

quinta-feira 4 de junho de 2015| Edição do dia

O debate sobre conjuntura nacional se iniciou logo após a primeira rodada de saudações. Nela estiveram presentes novamente Luciana Genro, do PSOL, Mauro Iasi, do PCB e Zé Maria do PSTU. Todas as falas partiram de assinalar o momento nacional, marcado pela crise do PT, pelos ataques aos trabalhadores, com os planos de ajustes e cortes dos orçamentos de Saúde e Educação, e quais as perspectivas que as organizações de esquerda deveriam assumir nesse cenário.

A necessidade de dar uma saída dos trabalhadores à crise econômica também foi uma tônica geral, bem como a saudação às greves que ocorrem no país, como as dos professores do Paraná, de São Paulo e dos funcionários do transporte e da saúde de diversos estados. Mas novamente, a exemplo da mesa de abertura, não houve nenhum representante dessas lutas na mesa nacional.

O primeiro a falar, Mauro Iasi do PCB, defendeu que a conjuntura nacional está se transformando com a crise do governo federal, e que a direita tem buscando capitalizá-la. Mas que frente a isso a “esquerda tem cumprido seu papel”, protagonizando mobilizações. Dessa forma, a interpretação de Mauro Iasi se destacou por ser uma leitura benevolente sobre a forma com a qual a esquerda em geral, e o PCB em particular, estaria respondendo a presente situação de crise econômica e transformações políticas no país. Assim, reivindicou as paralisações que aconteceram, como a do último dia 29 de maio, chamada pelas centrais sindicais.

Mauro Iasi foi responsável por abrir a primeira polêmica dessa mesa, ao criticar Luciana Genro pela votação do PSOL à cláusula de barreira. Rebatendo a justificativa dada anteriormente por Luciana Genro para esse posicionamento do PSOL, de que haveria votado pelo mal menor, para barrar uma reforma política mais restritiva, Mauro Iasi afirmou que “não acreditamos que haja mal menor. Mal menor foi na verdade uma conveniência”.

A resposta de Luciana Genro deu-se em um tom defensivo, com a ex-candidata do PSOL à presidência afirmando que “creio que esse episódio não pode nos desunir”, em referência aos demais partidos da esquerda representados na mesa.
Complementando sua resposta, afirmou que a questão do posicionamento da cláusula de barreira seria “diferente para o PSOL, e partidos como o PCB e o PSTU”, já que em sua opinião seria muito mais fácil barrarem o seu partido por ele ter uma representação parlamentar mais numerosa que os demais citados.

Nesse sentido, reforçou com essa declaração a já alegada justificativa da votação do mal menor, que orientou a bancada parlamentar do PSOL nessa questão, e terminou defendendo que a “reforma política tal como se deu teria sido uma derrota para a burguesia”.

Zé Maria, do PSTU, último a falar afirmou que essa votação constituiu-se como um “ataque muito grave aos direitos políticos do PSTU, PCB e PCO, que corresponde praticamente a lançar o partido na clandestinidade”. Afirmou que o posicionamento do PSOL não poderia ser considerado como mal menor, e que poderia ter se abstido da votação, pois na prática isso constituiu-se como um voto contra partidos como o PSTU.

Também cobrou Luciana Genro pela política levada adiante pelo prefeito do PSOL, Clécio Luis do Macapá, que não atendeu às reivindicações dos professores da cidade. Zé Maria defendeu também a organização de uma greve geral, mas sem apontar uma via concreta para a sua organização. Encerrou sua fala reivindicando o papel da Conlutas nas paralisações das centrais ocorridas durante esse ano.




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