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Claudionor Brandão fala sobre o desmonte da prefeitura do campus e de toda a USP

quinta-feira 16 de julho de 2015| Edição do dia

A reitoria da USP está ameaçando transferir os trabalhadores administrativos da prefeitura do campus da capital, conforme carta aberta dos trabalhadores que publicamos aqui. Entrevistamos Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP e demitido político da prefeitura do campus.

Do que se trata essa transferência, segundo a reitoria?
O que a reitoria quer é transferir todo o pessoal administrativo da prefeitura do campus, mais de cinquenta trabalhadores, pros “Blocos K e L”, onde era a Reitoria e agora fica a Administração Central. Eles dizem que é para liberar o prédio para Núcleos de Pesquisa.

Acontece que já tem um prédio com a mesma metragem desocupado na prefeitura, depois da desativação do restaurante pela reitoria, então está claro que essa transferência não seria necessária pra liberar espaço, além de ser ruim para o próprio funcionamento da prefeitura, por afastar o administrativo do operacional.

E o que essa medida de fato significa?
Já existe um plano claro de desmonte das “atividades-meio” em toda a universidade. Zago não esconde nos seus discursos que considera essas atividades secundárias, e quer cortar gastos enxugando a folha de pagamento nesses setores. Isso já está acontecendo no Hospital Universitário, nos restaurantes, nas creches. Na própria prefeitura o desmonte já vinha de gestões anteriores, com o fechamento do posto de combustível, da borracharia, o fim dos circulares gratuitos operados pela USP, resultando na transferência de muitos trabalhadores. A maior ameaça é que essa transferência seja um primeiro passo pra acelerar esse processo nas prefeituras e em toda a universidade, fazendo da prefeitura do campus da capital um balão de ensaio. A outra parte desse desmonte é o aumento da terceirização, substituindo os trabalhadores por empresas privadas, que contratam trabalhadores precários, com péssimas condições de trabalho e salários, portanto o risco é de mais demissões de trabalhadores efetivos. A transferência do administrativo tem o objetivo de separar e dividir os trabalhadores, numa unidade das que mais tem apresentado resistência contra esse desmonte, pra enfraquecer essa resistência, pois a reitoria já mostrou de muitas formas, e até em declarações públicas, que pra aplicar seu projeto precisa desmontar a vanguarda dessa resistência, da qual a prefeitura é um exemplo, e "acabar com a dinâmica de sindicalismo na vida acadêmica", como disse o reitor.

Além disso, os “Blocos K e L”, pra onde a reitoria quer levar o administrativo da prefeitura, eram moradia estudantil no passado, e há anos a reitoria prometeu devolver esses prédios pra esse fim. A reitoria saiu de lá, mas deixou a Administração Central, o déficit de moradia estudantil continua, e agora a proposta de mandar o administrativo da prefeitura pra lá claramente mostra que a reitoria não pretende cumprir esse acordo e atender essa demanda dos estudantes.

E como você vê essa situação a partir de agora?
Estamos fazendo todas as tentativas de negociação com a reitoria e o prefeito. Aprendemos já faz tempo que frente a essas medidas a resposta é a mobilização. E nesse caso é fundamental entender que essa não é uma tarefa exclusiva dos trabalhadores da prefeitura, pois essa medida tem o objetivo de acelerar o desmonte nas demais prefeituras, e em todas as atividades-meio da universidade, portanto nossa resposta deve ser unificada.




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