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Ciro Gomes tenta tranquilizar os patrões e assegura que faria a sua própria reforma trabalhista

A perspectiva de classe de Ciro fica clara quando alega que o problema da indústria brasileira não são os salários de trabalhadores, mas sim a política de câmbio e juros. Ora, qualquer trabalhador sabe que vive com muito menos do que o necessário para uma vida digna, com direito a saúde, educação e lazer.

Leticia Parks

São Paulo

quarta-feira 4 de julho| Edição do dia

O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, foi vaiado em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira, 4, em Brasília, ao defender que a reforma trabalhista foi uma "selvageria" aprovada contra os trabalhadores. Entretanto, logo após criticar a reforma golpista, tranquilizou os corações dos ricos e poderosos garantindo que ele próprio, se presidente, não revogará a reforma atual nem deixará de atacar os trabalhadores.

"Não tenho poder de revogar a reforma trabalhista no primeiro dia. Precisamos substituir essa selvageria por uma verdadeira reforma trabalhista. Meu compromisso com as centrais sindicais é botar esta bola de volta para o meio de campo", disse. O discurso fez com que parte da plateia iniciasse uma vaia contra o pré-candidato. A verdade é que uma enorme massa de trabalhadores vem sentindo os duros efeitos da reforma trabalhista, que lançou as relações de trabalho dezenas de anos pra trás na história. Não param de surgir denúncias de trabalhadores endividados por processos trabalhistas que perderam contra seus patrões, culpados por acidentes de trabalho e inclusive da própria morte em local de trabalho.

As eleições de 2018 tem um cenário muito difícil para todos os candidatos, já que nenhum deles até agora conseguiu hegemonizar os projetos burgueses ou mesmo aparecer com um forte apelo de massas junto a um programa burguês, papel que o PT cumpriu com excelência por 13 anos. Ciro, apesar da verborragia populista, se comunicava diretamente com o empresariado e a burguesia disputando para que seja esse candidato. Reagiu às vaias dizendo que a plateia colocasse a "mão na consciência". "50 milhões de compatriotas nossos estão vivendo o pão que o diabo amassou na informalidade. Vamos colocar a mão na consciência, cavalheiros", afirmou. O evento promovido pela CNI, chamado "Diálogo da Indústria com os candidatos à Presidência da República", tem como objetivo apresentar aos presidenciáveis propostas do setor para as eleições deste ano.

A perspectiva de classe de Ciro fica clara quando alega que o problema da indústria brasileira não são os salários de trabalhadores, mas sim a política de câmbio e juros. Ora, qualquer trabalhador sabe que vive com muito menos do que o necessário para uma vida digna, com direito a saúde, educação e lazer. Logo após esse esclarecimento, que posicionou Ciro lado a lado da patronal que implementa precarização e baixos salários por todo o país, Ciro arrancou aplausos declarando que "os dois preços centrais que estão desindustrializando o Brasil: câmbio e juros". "Vou agir para a indústria sobreviver e competir", acrescentou ao receber apoio dos presentes no evento.

Em coletiva de imprensa após o evento, Ciro mentiu descaradamente: "Meu lado é o lado da classe trabalhadora". Se fosse, seria explícito em dizer o que toda a classe trabalhadora sabe. É preciso revogar a reforma trabalhista e avançar contra os lucros capitalistas, diminuindo a jornada de trabalho para 6h por dia, 5 dias por semana e implementar o salário mínimo do DIEESE, calculado em mais de R$4 mil. Horas antes, a mesma platéia que ao final decidiu que aplaudiria Ciro, demonstrou o mesmo gesto de afeto e concordância por Bolsonaro.




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