Internacional

VENEZUELA

Cipayismo latino-americano: o Grupo Lima não reconhece a presidência de Maduro

Na última sexta-feira, doze dos treze países que compõem este grupo assinaram uma declaração que desconhece a nova presidência de Nicolás Maduro na Venezuela. Estados Unidos por trás desta resolução.

quarta-feira 9 de janeiro| Edição do dia

O Grupo de Lima (GL) foi criado em 2017 em Lima, a mando do ex-presidente desse país, Pedro Pablo Kuczynski, que foi expulso da presidência por alegações de corrupção.

Este grupo reúne Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Guiana e Santa Lúcia. O principal objetivo era colocar pressão sobre Venezuela para tirar Maduro da presidência, tornando a monitorar este país, embora o texto do documento fundacional inicialmente tentou disfarçá-lo como a busca de uma solução negociada.

Nestor Popolizio, Chanceler do Peru, ao apresentar a declaração sobre a Venezuela, disse que "a mensagem principal é certamente o não-reconhecimento da legitimidade do novo período do regime venezuelano."

O único país que não assinou foi o México, seu presidente Manuel Lopez Obrador não compareceu à reunião do GL e em vez enviado o subsecretário para a América Latina e o Caribe Maximiliano Reyes Zúñiga.

É provável que a recusa do presidente mexicano a assinar a declaração rejeitando a nova presidência Maduro é devido à disputa que está sendo conduzida por esse país contra os Estados Unidos pelo muro segregacionista que Trump insiste em construir na fronteira dos dois países.

A interferência dos Estados Unidos nesse grupo de países latino-americanos é tão clara que eles não se preocupam em manter as aparências. Mike Pompeo - Secretário de Estado dos EUA - participou de videoconferência daquela reunião, sem que esse país fosse membro do Grupo Lima.

Além disso, na recente posse de ultra-direitista Jair Bolsonaro, Pompeo aproveitou a oportunidade para se reunir com o presidente colombiano e o representante do Peru, precisamente para discutir o assunto e pressionar para conseguir essa declaração, em uma ingerência aberta sobre aqueles países.

Este último não é um fato menor. Países abertamente alinhados com os Estados Unidos emitiram uma declaração pedindo que Maduro não assuma um novo governo e dê poder total à Assembleia Nacional, liderada pela oposição de direita.

Um salto na intromissão dos assuntos internos daquele país, que carrega a "assinatura da água" da principal potência imperialista, que trata a América Latina como seu quintal, com um Grupo de Lima que concorda com este tratamento.

Precisamente esses mesmos países saudaram a posse de Bolsonaro como presidente do Brasil, um claro herdeiro do golpe institucional realizado pela direita junto com o Judiciário, com o Departamento de Estado dos EUA agindo nos bastidores.

Depois de um tempo o golpe institucional, fez uma convocatória para as eleições com a candidata do PT com maior intenção de voto, Lula Da Silva, proscripto sem direito a qualquer tipo de propaganda política.

Este grupo de Lima ficou em silêncio sobre todo esse processo no Brasil. Que eles não tenham o mesmo critério para medir os diferentes países, fala claramente da interferência que eles agora procuram fazer na Venezuela. Mas também é uma tentativa de fazer a política da região ir ainda mais a direita, com os EUA com um peso específico maior.

A principal potência hegemônica que intervém militarmente em países, viola sistematicamente as liberdades democráticas no seu país, apontando para a população negra e latina e não hesitou em colocar literalmente em jaulas meninos e meninas filhos de imigrantes latinos.

Esse país alega ter o "direito" de questionar os governos e rejeitá-los.

As eleições na Venezuela, que está passando por uma grande crise econômica e política, ocorridas em maio do ano passado, tiveram um número muito baixo de eleitores (votaram 46,01% do total de eleitores).

Maduro teve a menor porcentagem na história do chavismo, tendo em conta o total de eleitores votaram nele são apenas 28% da população, que mostra claramente - juntamente com fator de alta abstenção - o cansaço do povo trabalhador da Venezuela que dia após dia sofrem grandes padecimentos devido à crise econômica.

Precisamente esta grande crise em curso, uma verdadeira catástrofe para o povo, nada mais demonstra do que aonde nos conduz "socialismo do século XXI" do Chavismo.

Mas isso de forma alguma permite que países alinhados com os Estados Unidos definam os governos de outros países. Só o povo venezuelano tem esse direito.




Tópicos relacionados

Nicolás Maduro   /    Venezuela   /    Eleições na Venezuela   /    Crise diplomática com Venezuela   /    Internacional

Comentários

Comentar