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CORONAVÍRUS

Cientista afirma que covid-19 está matando sem ser diagnosticado, inverso do que Bolsonaro diz

sábado 28 de março| Edição do dia

De acordo com Margareth Dalcolmo, pneumologista da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz, “estão ocorrendo mortes por Covid-19 sem diagnóstico na rede pública” devido à falta de testagem na população, inclusive na parcela que está nos hospitais sob suspeita da doença, o que expressa que o número de infectados e de mortos pelo vírus pode ser muito maior do que os dados informam.

A médica também relata preocupação pelas condições socioeconômicas do Brasil serem um fator de aprofundamento da epidemia, já que aqui a média de idade dos pacientes em estado grave é bem menor do que, por exemplo, em relação à Itália, sendo essa média entre 47 e 50 anos, portanto, “aqui poderemos ‘rejuvenescer’ a covid-19”.

Fora os outros problemas que o Brasil enfrenta, como a tuberculose, resultado das péssimas condições de vida e de moradia que o capitalismo submete às pessoas e que é uma doença agravante da Covid-19. Segundo Dalcolmo, se o coronavírus cruzar com a tuberculose, o número de mortes pode aumentar exponencialmente, pois mudaria o perfil dessa doença. O povo pobre, em sua maioria, seria a vítima, já que a tuberculose tem alta incidência em lugares periféricos e sem saneamento básico, como a favela da Rocinha, por exemplo, em que há 372 casos para cada cem mil habitantes.

Como medida de conter o alastramento do vírus, Dalcolmo afirma que a única alternativa é o isolamento social radical, o que vai em contrapartida com as últimas declarações negacionistas de Bolsonaro, que afirma que o “Brasil não pode parar”, demonstrando estar preocupado exclusivamente com a manutenção da economia em pleno funcionamento para assim assegurar os lucros das grandes empresas, sem nenhum compromisso com a saúde da população.

Porém, o isolamento social indiscriminado de todos (como sugere a médica) sem saber quem está realmente infectado não é a saída. Se a população está chegando a morrer sem ao menos saber que possui a doença, é fundamental que o Estado forneça testes em massa para ela, assim como ocorreu na Coreia do Sul,para assim poder identificar os contaminado se tratá-los, além de que os testes também organizariam racionalmente a quarentena, que hoje isola as pessoas sem que elas saibam se estão doentes e se são vetores.

O governo afirma que não existem recursos para aplicar os testes massivamente, contudo, gastou R$ 4,8 milhões de reais recentemente com sua campanha negacionista e obscurantista “O Brasil Não Pode Parar", o que mostra, na verdade, que não se trata sobre a falta de recursos, mas sim sobre as prioridades que o governo Bolsonaro tem, e a vida das pessoas definitivamente não é uma delas. Para além disso, saiu uma pesquisa de entidades que diz que se o governo taxasse as grandes fortunas, a verba que se poderia arrecadar é de 272 bilhões, o que seria suficiente para fazer testes para todos, ampliar os leitos de UTI e investir em respiradores.




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