Sociedade

RIO GRANDE DO NORTE

Chuva e seca evidenciam precariedade do RN enquanto empresários devem bilhões

Alagamento em 84 pontos da cidade de Natal, rompimento de açudes e seca crônica no interior. Essa é a caótica situação em que vive a população potiguar e que, longe de significar uma crise sem volta, resultado de “condições naturais” incontroláveis, é fruto de uma política pública consciente. Seus idealizadores são os empresários, as grandes famílias e os capitalistas que controlam a política regional e criam impeditivos estruturais para solução dos problemas.

domingo 28 de abril| Edição do dia

Nessa quinta-feira, as chuvas intensas fizeram emergir dos bueiros a podre estrutura urbana e social do estado. Na capital potiguar, Natal, alagamentos tomaram 120 pontos da necessidade, em sua maioria nas zonas periféricas da cidade, mas também com cerca de 46 pontos na Zona Sul. Resultou em carros revirados, enormes dificuldades de deslocamento e mortes.

Enquanto isso, Tomaz Neto, que é secretário de Obras de Infraestrutura de Natal, disse que a prefeitura da capital carece de R$ 1,5 bilhão para efetivar o sistema de drenagem da cidade. Isso significa na prática um decreto da falência estrutural da cidade, que renovará suas vítimas a cada temporal, pois na conta da crise capitalista não cabem os recursos necessários para essas obras.

Ao mesmo tempo, nos interiores, barragens de açudes estão rompendo com o grande o volume de água, ameaçando a vida da população nas cidades e prometendo agravar a situação de seca em diversas regiões. No último domingo, 21, as paredes da barragem São Miguel 1, Vavá 1 e São Pedro, localizadas na cidade de Fernando Pedroza foram rompidas. Com isso, uma ponte na RN-041, que dá acesso à cidade de Santana de Matos, foi destruída.

Foi alertado o risco de rompimento de outras duas barragens, São Miguel 2 e Vavá 2, que poderia significar o alagamento de cidades, destruição e mortes. Foi decretado estado de emergência em quatro municípios, Fernando Pedroza, Angicos, Santana do Matos e Ipanguaçu.

É mais um ano com municípios em estado de emergência devido às secas. Dessa vez, já são 144 municípios, mas com a situação das barragens, o cenário deverá ser ainda mais degradante.

O ex-governador Robson Farias (PSD), junto à prefeitura de Natal de Álvaro Costa (PMDB), culpavam hora o excesso de chuvas, hora sua estiagem, pelos problemas das secas crônicas no estado e os alagamentos na cidade. Na realidade, a sua política “responsável” com o pagamento da dívida, que nada mais pretende salvar os capitalistas da crise, assim como com os interesses das grandes famílias e empresários do estado, enquanto a população é afogada na rua, nas suas casas, é portanto responsável pela situação ter chegado ao nível que está.

Por sua vez, a governadora eleita Fátima Bezerra (PT) assumiu o governo assinando os mesmos compromissos com os detentores da dívida do estado, às custas até mesmo do salário dos servidores da saúde, que fizeram greve no começo de ano pelo pagamento dos atrasados e a enorme precariedade nos hospitais. Prometeu saná-la destinando royalties do pré-sal que deverão ser obtidos às custas da entrega de bilhões de reais em poços pré-sal do estado, em acordo com o governo, e negociando apoiar a Reforma da Previdência com Bolsonaro em troca de auxílio. Ou seja, não irá romper com os capitalistas frente a crise do estado, portanto manterá sem solução as enchentes, barragens rompidas e a seca histórica.

É necessária uma saída da classe trabalhadora para a crise estrutural do Rio Grande do Norte, já que esta é expressão da crise capitalista que querem descarregar sob as nossas costas, começando pelo não pagamento da dívida e o confisco dos bens dos políticos corruptos, os da família Alves.

Os grandes empresários do RN devem mais de R$ 6 bilhões em impostos ao Governo do Estado. Desta dívida, o governo do RN recebe apenas R$ 26 milhões por ano, menos de 1% do valor. Devemos exigir com a mobilização o pagamento de cada centavo que esses capitalistas nos devem!

É inadmissível que enquanto faltam recursos para prevenir esse caos social e a governadora Fátima tenha renovado seis contratos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio Grande do Norte (Proadi), que na realidade é um programa que isenta empresários magnatas de 65% a 95% de impostos de arrecadação estadual. Em 2016, foram 800 milhões isentados de grandes indústrias escravistas como a Guararapes, de Flávio Rocha.

Para isso, é necessário superar a paralisia imposta pelas Centrais Sindicais e pela UNE, que cumprem um papel de grande importância no RN, em diversos sindicatos e DCEs, quando fazem parte do chamado de dias de luta nacional contra a Reforma da Previdência, mas sabotam cada assembleia e espaço que poderia servir para autoorganizar trabalhadores e estudantes nesse momento. Fazem isso em consonância com a proposta de Fátima de garantir a governabilidade de Bolsonaro, enquanto negocia pelas costas dos trabalhadores a aprovação do aumento da idade mínima e outros pontos da reforma, retirando as mudanças no BPC, na aposentadoria rural e na capitalização.




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