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China promete comprar o país que Temer quer privatizar

As autoridades chinesas respaldaram na sexta-feira o programa de privatizações realizado pelo presidente Michel Temer, com a promessa de continuarem investindo no país.

sábado 2 de setembro| Edição do dia

Não se falou das últimas turbulênciaspolíticas durante a reunião de Temer com seu homólogo chinês, Xi Jinping. O mandatário chinês insistiu no aumento dos intercâmbios econômicos entre as duas nações, e indicou novos investimentos de seu país “nos setores energético, agrícola e de infraestrutura” do Brasil. São, justamente, parte das áreas que Temer quer abrir ao setor privado, acreditando que a China desempenhará um papel determinante.

Os dois países assinaram 14 acordos bilaterais, dentre os quais se destacam a aprovação de uma nova linha de crédito de 300 milhões de dólares (942 milhões de reais) ao Banco do Brasil e outro preparatório para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) receba uma linha de 3 bilhões de dólares (10 bilhões de reais), uma confirmação de que a China tem se tornado o grande banqueiro do Brasil. Na área da infraestrutura, a empresa chinesa State Grid (que já havia comprado 25% da CPFL) assinou a licença para as obras da linha de alta tensão entre o Xingu e o Rio de Janeiro, enquanto a China Communication and Construction Company investirá 700 milhões de dólares (2,2 bilhões de reais) na construção de um terminal de uso privado no porto de São Luís. A China National Nuclear Corporation assinou também um memorando de entendimento com a Eletrobras para continuar com a construção da usina nuclear de Angra III.

“Esses acordos são um enorme passo à frente para os dois países”, afirmou Zhang Run, subdiretor para a América Latina e o Caribe no Ministério das Relações Exteriores chinês. Para o executivo, a relação entre a China e o Brasil “resistiu à prova das mudanças e circunstâncias e se manteve no caminho para um crescimento estável e maduro”. Diante do enorme crescimento dos investimentos e linhas de crédito de Pequim ao Brasil nos últimos anos – uma situação que também ocorreu na Venezuela –, Zhang evitou dizer que Brasília se transformou em um foco das empresas chinesas pela instabilidade de Caracas. “O Governo continuará incentivando as empresas chinesas a participarem ativamente na cooperação econômica e comercial com os países da América Latina, incluindo o Brasil e a Venezuela”.

É provável que seja assim pelo menos no Brasil. “Não posso comentar sobre oportunidades específicas, mas temos interesse nesse plano [de privatizações]. E vejo um impulso, um avanço no mundo corporativo chinês, de pessoas que estão tentando ir ao Brasil. Esse programa pode ser uma oportunidade para eles”, disse Li Yinsheng, executivo-chefe da China Three Gorges Brazil, que opera duas das maiores centrais hidrelétricas do país, em Ilha Solteira e em Jupiá.

Pequim é o principal parceiro comercial do Brasil, com um comércio bilateral de 50 bilhões de dólares (157 bilhões de reais) nos primeiros sete meses desse ano, de acordo com dados das alfândegas chinesas. O gigante asiático é o primeiro mercado comprador de soja, ferro, aves de curral e carne bovina. E o Brasil se transformou no principal destino latino-americano do capital chinês.

Cheias de dinheiro, empresas chinesas aproveitam a sede por privatizar de Temer para avançar agressivamente no subcontinente e buscar impor taxas de exploração chinesas aos trabalhadores brasileiros e imigrantes. Um movimento que serve para estimular a disputa entre EUA e China pela América Latina e sua principal economia, e colocar a vida dos trabalhadores na mesa dos magnatas chineses.




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