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CHILE DESPERTOU

Chile: milhares de mulheres, estudantes e trabalhadores mobilizados em prévia da greve geral

Nesta segunda-feira, milhares de pessoas se mobilizaram em torno do chamado a Paralisação Nacional e jornada prévia à Greve Geral convocada para esta terça-feira. Um dia marcado por manifestações em todo o país, especialmente com marchas de mulheres, mobilizações de estudantes, greve portuária e uma escalada na repressão, como se viu em Antofagasta.

terça-feira 26 de novembro de 2019| Edição do dia

Nesta segunda-feira, milhares de pessoas se mobilizaram em torno do chamado a Paralisação Nacional e jornada prévia à Greve Geral convocada para esta terça-feira. Um dia marcado por manifestações em todo o país, especialmente com marchas de mulheres, mobilizações de estudantes, greve portuária e uma escalada na repressão, como se viu em Antofagasta.

Nesta segunda-feira começou a sexta semana de mobilizações em todo o Chile. Longe das imagens de normalidade que o desacreditado Governo de Piñera quer mostrar e impor pela força, milhares de pessoas se mobilizaram no primeiro dia de paralisação nacional, prévia da greve geral convocada para esta terça-feira.

Muitas das mobilizações foram protagonizadas por mulheres, no Dia Internacional de Combate a Violência Contra as Mulheres, juntamente com jovens e trabalhadores em todo o país. Também se viram imagens de estudantes pulando a catraca no metrô, revivendo as causas do início da rebelião e expressando uma afronta ao governo de Piñera. E, é claro, o dia foi novamente carregado de casos de repressão, com ênfase especial em Antofagasta, onde uma parte do ativismo dos trabalhadores está concentrada, uma mensagem do governo antes do início da jornada de greve.

A segunda-feira começou novamente com declarações escandalosas da direita, começando com o projeto de lei anunciado por Piñera para colocar militares nas ruas sem necessidade de declarar um estado de emergência, e que o ministro do Interior Blumel disse que servirá, entre outras coisas, para “o atendimento de serviços como hospitais”.

O objetivo do governo com esta lei, que deve ser aprovado pelo Parlamento, é tentar antecipar a entrada em cena dos trabalhadores e trabalhadoras chilenos e militarizar fábricas, portos, minas, usinas elétricas, hospitais ou edifícios, para impedir que os trabalhadores sejam os que, através de sua ação, bloqueiam posições estratégicas que podem dar um golpe definitivo no desacreditado governo de Piñera.

Por outro lado a Ministra da Educação, Marcela Cubillos, anunciou um projeto de lei para criminalizar a "doutrinação política" nas escolas e jardins de infância, chegando a qualifica-la como discussão violenta. Um anúncio que tem pouco a invejar o projeto Escola sem Partido de Bolsonaro.
E como se isso não bastasse, para coroar, o senador Andrés Allamand, da direitista Renovação Nacional (RN), declarou na televisão que, sem as violações de direitos humanos praticadas pelas Forças Armadas não se pode normalizar o país...

A brutalidade de Allamand é na realidade parte do que todo a direita está discutindo para "normalizar o país", mas as respostas que eles deram nas ruas, mesmo nesta segunda-feira, mostram que a tradução desse eufemismo é repressão.

As ruas não deram trégua no dia anterior a greve do 26N

A jornada de segunda-feira começou com barricadas em algumas ruas das principais cidades do país, como Santiago, Concepción e Antofagasta, esta última tendo suas principais avenidas cortadas até às 8h30 da manhã, o que levou à suspensão de 5 linhas de transporte do TransAntofagasta. Além disso, se somaram à paralisação trabalhadores e trabalhadoras de pelo menos 15 dos portos mais importantes do país, um setor estratégico da economia.

Em particular, em Antofagasta e Valparaíso, a mobilização portuária ocorreu em conjunto com os Comitês de Emergência e Abrigo, organizações que buscam unificar e planejar a Greve Geral em conjunto com os estudantes, trabalhadores e população. Nesse sentido, também está avançando a mobilização da Ocupação da Casa Central da Universidade do Chile, na qual foram realizadas importantes assembléias de articulação dos setores mobilizados em Santiago.

Na capital, os serviços de transporte também foram afetados pelas mobilizações, onde, próximo ao meio-dia, o Metrô Santiago confirmou a suspensão do serviço no metrô de Santa Isabel por uma mobilização de centenas de estudantes que, depois de pular a catraca do metrô, sentaram na beira da via, impedindo assim a operação. Depois disso, a polícia das forças especiais entrou para reprimir, espancar os alunos e trancá-los por horas dentro da estação de metrô. Assim, pelo menos sete outras estações pararam de funcionar durante o dia por várias mobilizações.

Outro fato importante da mobilização estudantil se desenvolveu na Universidade Autônoma, especificamente na sede da Providencia, uma universidade que, embora ainda seja privada, tem mais estudantes com bolsa de estudos gratuita. A polícia os reprimiu, jogando gás lacrimogêneo dentro da universidade e detendo pelo menos três estudantes. Enquanto isso acontecia e os manifestantes tentavam se proteger na universidade, Baghetti, vice-reitor da universidade, ameaçava os estudantes.

Também houve manifestações pelo segundo dia consecutivo no Shopping Portal La Dehesa, uma dos bairros mais desiguais da capital chilena.

Finalmente, a partir das 17 horas, mobilizações massivas foram feitas pelo Dia Internacional de Combate a Violência Contra as Mulheres em todo o país, onde as principais demandas eram a necessidade de uma nova Lei do Aborto, que foi o último direito retirado pela ditadura e pela exigência de saída da atual Ministra da Mulher e Igualdade de Gênero, Isabel Plá.

No geral, o dia mostrou o aquecimento de motores para esta terça-feira 26, a convocação para uma greve geral, com massivas mobilizações de trabalhadores, estudantes e mulheres em todo o país, mas também mostrou novamente a intransigência do governo, que não está disposto a ceder mais do que migalhas e reforçar a repressão. Com este governo assassino, já foi demonstrado em inúmeras ocasiões que o caminho do diálogo não é possível, o que é urgentemente necessário é articular todas as forças demonstradas em um plano de luta unificado e escalonado, que possa derrubar não apenas esse governo, mas todo esse regime herança da ditadura militar que só quer nos dar migalhas e mais sangue.




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