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DITADURAS NA AMÉRICA LATINA

Chile condena nove militares por tortura e morte de músico Víctor Jara

“Canto, que mal me sai quando tenho que cantar espanto! Espanto como o que vivo como o que morro, espanto.” Últimos versos escritos pelo músico com as mãos destruídas. Jara ainda conseguiu escrever os últimos versos a lápis em uma caderneta que entregou a um companheiro.

sexta-feira 6 de julho| Edição do dia

Imagem: RadioCut/Reprodução

Víctor Jara, popular músico e autor de canções como "Te recuerdo Amanda" e "El derecho a vivir en paz", foi preso com outras 5 mil pessoas em 1973, um dia após o golpe militar. Nesta ação absurda, o Estádio Nacional, em Santiago, serviu como centro de detenção e tortura.

Nove militares foram condenados a até 15 anos de prisão pelo assassinato de Jara, ocorrido em 16 de setembro de 1973. Era o início da ditadura de Pinochet.

Após anos e anos de investigações, o juiz Miguel Vázquez proferiu a primeira condenação para este caso histórico. O músico foi morto por 44 tiros por ser simpatizante do socialista Salvador Allende, presidente que havia sido deposto pouco antes, e membro do Partido Comunista.

Os militares condenados pelo assassinato de Jara são: Hugo Sánchez Marmonti, Raúl Jofré González, Edwin Dimter Bianchi, Nelson Haase Mazzei, Ernesto Bethke Wulf, Juan Jara Quintana, Hernán Chacón Soto e Patricio Vásquez Donoso. Todos foram também condenados a mais três anos de prisão por sequestro. Rolando Melo Silva foi também julgado e condenado a cinco anos e um dia de prisão por encobrir os homicídios e a mais 61 dias de cárcere por ser cúmplice dos sequestros.

Outros detentos relatam que Jara teve suas mãos cortadas e foi ainda torturado de diversas formas antes de ser morto. Três dias depois, seu corpo foi encontrado perto de um cemitério. Em 2003 o estádio Nacional foi renomeado em sua homenagem.

Durante a ditadura de Pinochet, pelo menos 3 mil pessoas morreram ou desapareceram, enquanto outras 28 mil foram torturadas.




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