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“Chapa 2 - Virada” vence eleições para o DCE-UFMG. O governismo e a direita saíram derrotados

Terminou ontem, 30 de abril, o processo eleitoral para o Diretório Central dos Estudantes da UFMG. Após dois anos de gestão, governismo perde eleições estudantis em um de seus principais bastiões.

Francisco Marques

Professor da rede estadual de Minas Gerais

sábado 2 de maio de 2015| Edição do dia

Na madrugada de hoje foram conhecidos os resultados que deram a vitória à Chapa 2 - Virada com 2348 votos, contra 1807 do governismo e 981 da direita. A chapa antigovernista é formada por militantes do PSTU, PCR, CST-PSOL, Isegoria-PSOL, Juntos e Coletivo LGBT MOOCA, junto a estudantes independentes.

Expressou-se o esgotamento do projeto dos últimos dois anos, de submissão do DCE à política da Reitoria e apoio ao projeto de universidade e educação do governo Dilma/PT. A “Chapa 1 - Podemos”, formada por militantes do PT, Levante Popular da Juventude e estudantes independentes representava este projeto, e foi derrotada não só na universidade como um todo, mas em faculdades onde há uma tradição petista forte, como a FAFICH, onde perderam por uma diferença de 4 votos: 284 contra 288 da “Virada”.

Nos últimos dois anos, por responsabilidade desta gestão, em nada se avançou para questionar e combater com mobilização estudantil a elitização da universidade, o racismo, machismo e homo-lesbo-transfobia estruturais, o trabalho precário terceirizado, a ligação da universidade a grandes empresas que lucram milhões em parcerias de pesquisa e a estrutura de poder antidemocrática e herdeira da Ditadura. Desde 2013, quando milhares saíram às ruas questionando a precarização da vida e responsabilizando os políticos governantes, o DCE não foi uma ferramenta de organização e luta dos estudantes. Nos últimos meses, quando a universidade e mesmo a educação de conjunto vem sofrendo cortes, permaneceu a apatia da gestão do DCE e do governismo, corroborando com os ajustes de Dilma, Joaquim Levy (Ministro da Fazenda) e Renato Janine Ribeiro (Ministro da Educação).

A Chapa 3, “Pra Frente É Que Se Anda”, formada por militantes do PSDB e estudantes independentes, recebeu 981 votos, com presença expressiva na Faculdade de Engenharia e ICEX (Instituto de Ciências Exatas), onde recebeu 506 votos. O resultado mostrou o rechaço dos estudantes a uma perspectiva conservadora e de direita, com a qual o governo PT faz coro nos cortes e ajustes econômicos e que está junto com Aécio Neves, Eduardo Cunha, Beto Richa (governador do Paraná que protagonizou o massacre aos professores do Paraná essa semana) e outros reacionários pela redução da maioridade penal, em defesa da terceirização e do PL4330, contra a legalização das drogas e do aborto e contra a criminalização da homofobia. Esta força política luta para aprofundar a elitização, a privatização e a presença das opressões na UFMG.

Agora está colocado um grande desafio para a ex-Chapa 2 - Virada, atual gestão do DCE: transformar em mobilização a imensa politização presente nos estudantes, questionando a universidade a serviço dos empresários e governos que temos hoje e se aliando aos trabalhadores em luta e à população em defesa da educação – começando desde já, se colocando e buscando mobilizar os estudantes em defesa dos professores em greve em vários estados e repudiando veementemente a violenta repressão sofrida pelos professores paranaenes –, dos direitos democráticos dos oprimidos e dos direitos trabalhistas que vêm sendo atacados pelo governo PT e apoiado pela direita, como desenvolvemos em texto escrito nesta semana. Lutemos por esta perspectiva.




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