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Censura LGBT, greve pelo clima e cortes de bolsas: a juventude precisa se levantar com uma estratégia anticapitalista

Em meio a crises do clã Bolsonaro, seguem os ataques aos trabalhadores e à juventude. Começam a se expressar focos de luta e resistência sem coordenação e divididos pelas direções. É preciso unificar a força da juventude que se revoltou com os cortes de bolsas e o ataque à ciência, a juventude que se levantou pela Amazônia e que gritou "não vai ter censura" contra Crivella e em defesa dos LGBTs.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

segunda-feira 9 de setembro| Edição do dia

A juventude veio mostrando desde maio deste ano que tem o potencial de ser linha de frente da resistência contra os ataques do governo Bolsonaro, fruto do golpe institucional. As enormes mobilizações do 15M e 30M mostraram um caminho, ainda que as direções do movimento estudantil como a UNE, dirigida majoritariamente pelo PCdoB e PT, sempre buscaram separar a luta dos estudantes da luta dos trabalhadores e, mais que isso, impedir a realização de um plano de lutas real e concreto.

Entretanto, os ataques seguiram e seguem: o anúncio de novos cortes de bolsas caiu como uma bomba nas universidades federais e mostrou que é necessário e urgente organizar a luta contra esses ataques. Alguns exemplos começaram a se expressar nacionalmente, como a luta na Universidade Federal de Santa Catarina e ocupações em outras universidades. A partir da Associação de Pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que o MRT compõe a gestão, também saiu um forte chamado a coordenar a luta nacionalmente e evitar a estratégia de atos espaçados e sem unificação que somente podem enfraquecer a nossa luta.

Este mesmo sentimento de revolta vimos se expressar amplamente na juventude diante da fúria bolsonarista contra a Amazônia e agora diante da política absurda de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, organizando a censura contra quadrinhos que continham um beijo entre dois homens. O ódio e a revolta da juventude contra cada um desses ataques a educação, a natureza e aos direitos mais elementares de expressar sua própria sexualidade tem o perigo de ser canalizado e desviado dos objetivos de enfrentamento e resistência concreta. Por um lado, com ceticismo e resignação desistir de lutar porque nossos inimigos são muito fortes e porque não se vê um caminho real de luta - os atos são importantes mas não há um plano de lutas concreto. Por outro lado, sempre achar que o futuro eleitoral vai resolver nossos problemas (e até lá fazer nada) ou que outros "atores" vão resolver os problemas: que Macron e Merkel, e particularmente o G7 poderão resolver o problema da Amazônia - como se não tivessem mil e um interesses imperialistas em torno dessa grande reserva natural - ou então que o STF vai impedir as loucuras de Crivella no Rio de Janeiro.

Para que a juventude não caia nem nas saídas institucionais seja com representantes do imperialismo europeu, seja com um STF que foi pilar do golpe institucional, mas tampouco na resignação diante de tantos ataques é preciso retomar o caminho da mobilização, a força da juventude que se expressou no 15 e 30M e em outras manifestações, batalhando por uma política que possa superar a linha das direções oficiais, impondo que elas organizem e se mobilizem em um patamar que não foi visto até agora. Seria uma tarefa fundamental da UNE coordenar as lutas que já estão em curso, organizar manifestações unitárias, unificar a luta contra os cortes na educação e ciência, com a luta contra a censura LGBT e também a batalha pelo clima que será uma manifestação internacional. No Brasil essas batalhas não estão separadas.

Nas universidades a realização de assembleias universitárias reunindo os três setores pra debater um forte plano de lutas, com exigência de que as reitorias se estão realmente contra os ataques liberem as aulas e os trabalhadores e docentes sem corte de salários para realizar essa assembleia, seria um passo decisivo pra avançar, massificar e coordenar a luta nacionalmente contra o Future-se e o Marco Legal da Ciência. Essa proposta foi aprovada no Congresso dos Trabalhadores da USP na última semana. Que as universidades levantem a bandeira pela liberdade e diversidade sexual, contra a política do governador paulista João Dória sobre a "ideologia de gênero" nas escolas e a defesa intransigente dos LGBTs e também rechaçando cada um dos ataques aos negros como vimos no Supermercado Rycoy e com a absurda prisão de Preta Ferreira. Com este espírito, é preciso se preparar pra construir com muita força uma enorme manifestação contra Bolsonaro e todas as alas desse "bonapartismo" rumo ao 20 de setembro na greve mundial pelo clima, iniciativa que a FT (Fração Trotskista), organização internacional que o MRT compõe, também construirá nos países onde atua.

Batalhar por essa política pra dar um caminho a juventude é também a maneira de conduzir a uma estratégia que seja abertamente anticapitalista. Nas próximas semanas a juventude Faísca, composta pelo MRT e independentes, estará batalhando por essa políticas nas universidades e nas escolas. Conduzir a juventude a uma estratégia anticapitalista significa ao mesmo tempo ir lutando pra construir uma ala revolucionária e pró-operária nos movimentos de juventude, convencendo que é necessário se aliar a classe trabalhadora também em suas batalhas parciais seja em lutas abertas seja contra a burocracia sindical pra retomar os sindicatos. Por isso, nessa semana está em jogo a eleição de uma das categorias mais emblemáticas e estratégicas do país que são os metroviários de São Paulo, vanguarda das greves gerais de 2017 e "tribunos" da luta contra a reforma da previdência com seus coletes vermelhos. Nesta eleição, os trotskistas do MRT junto a independentes apresentam a chapa 4 que vem fazendo um grande chamado a uma campanha unitária contra a repressão e que os metroviários possam se aliar a população e a juventude na luta por um transporte estatizado e sob controle operário e popular.

Todas essas lutas da juventude devem se articular com o enfrentamento às reformas de Bolsonaro e do golpismo, em especial a reforma da previdência. Essas lutas devem se articular também com a luta contra a prisão arbitrária de Lula, defendendo sua liberdade imediata, sem dar nenhum apoio político ao PT.




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