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Rio de Janeiro | Castro financia obras em troca de favores com Eduardo Cunha

Em obras públicas, com material custeado pelo Estado, trabalhadores da construção utilizam camisas com o escrito "Equipe Dani Cunha" em referência a filha de Eduardo Cunha (PTB). Danielle é pré-candidata a deputada federal pela União Brasil e conta com o apoio do governador do Rio, Cláudio Castro (PL).

segunda-feira 9 de maio | Edição do dia

Em ao menos quatro favelas do Rio de Janeiro, entre março e abril, esteve um grupo de homens com camisas escritas "Equipe Dani Cunha" trabalhando na pavimentação de obras públicas.

Especialistas em direito eleitoral afirmam que o caso tem potencial irregularidade e abuso de poder político e econômico. Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha (PTB), públicitária e pré-candidata a deputada federal pela União Brasil, também já foi investigada pela Lava Jato por ser beneficiária de conta na Suíça de sua madrasta.

Quando questionada, através da Lei de Acesso à Informação, a Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab) afirmou que pavimentou em março duas das ruas que aparecem na foto e que a construtora responsável pelo fornecimento de concreto foi a Concreto Belford Roxo. Roberta Monteiro, esposa de Clébson Guilherme Monteiro, um dos aliados da filha de Cunha, é uma das sócias dessa empresa, que é atualmente investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por fraudes em licitação envolvendo contratos entre a empresa e a Prefeitura de Belford Roxo.

Clébson, que desistiu de disputar a eleição, é empresário de Belford Roxo, já foi secretário nessa cidade, subsecretário de Integração Regional, da secretaria de Estado das Cidades e presidente do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro.

Mesmo tendo postado uma foto ao lado de Galô Fernandes, um dos trabalhadores das obras, com os dizeres "A Comunidade Obrigado Meu Deus pediu e nós resolvemos!", Danielle Cunha nega ter solicitado ou pagado para que os trabalhadores vestissem camisetas com o seu nome. A publicitária negou também proximidade com Clébson Monteiro e ainda afirmou não conhecer as atividades empresariais de sua família.

Apesar do governo do Rio de Janeiro também dizer desconhecer "qualquer ação política promovida durante as obras", Danielle conta com forte apoio do governador Cláudio Castro (PL). Além de ter tido a companhia de Danielle em eventos do estado e cultos evangélicos, Castro gravou um vídeo, no qual Cunha aparece, em que promete a Danielle solicitar o pedido que ela lhe fez.

No vídeo, Castro diz: "Estou eu e minha querida amiga Dani Cunha aqui na Cidade Alta. [Ela] acabou de me fazer uma solicitação para que a gente olhasse para essa região (...) Que a gente olhasse com carinho a questão de uma UPA. Imediatamente liguei para o secretário de Saúde e já vamos começar agora a buscar um terreno."

Segundo o governo do Rio de Janeiro, o pedido para pavimentação da rua João Paulo 2°, por exemplo, partiu da Associação de Moradores de Costa Barros da favela Terra Nostra, cujos habitantes tem de se enfrentar todos os dias com a precariedade habitacional.

Por trás de toda a demagogia e corrupção de Castro, Danielle e Cunha, há 8,3 milhões de pessoas no Brasil vivendo em áreas de risco, ou seja, locais que podem desabar sobre a cabeça de seus moradores.

A ausência por parte do Estado capitalista de qualquer plano sério para a transformação radical da infraestrutura urbana nas favelas e bairros periféricos, que responda na raiz essa questão, questiona a própria noção da enxurrada em Petrópolis, por exemplo, como mais uma “tragédia”.

É necessário um verdadeiro plano de obras públicas que gere emprego e coloque os moradores das zonas de risco e aqueles que desejam ter seu direito à moradia garantido como parte de uma transformação radical do ambiente urbano, que leve em conta todo o acúmulo técnico e científico para a formação de um novo ambiente social, de circulação e de trabalho. Esta é uma tarefa necessária e possível, que rompa com o capitalismo e retome o equilíbrio climático e ambiental, tarefa histórica de todos os explorados e oprimidos não só do Brasil, como de todo o mundo.




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