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QUEM MANDOU MATAR MARIELLE

Caso Marielle: miliciano diz que delegado recebeu R$ 400 mil para obstruir investigações

Conversa telefônica entre milicianos trouxe mais suspeitas em relação a investigação do caso Marielle. Delegado Rivaldo Barbosa, um dos responsáveis pelo caso, teria recebido R$ 400 mil para obstruir as investigações.

terça-feira 12 de novembro| Edição do dia

Um relatório da Polícia Federal, enviado ao Ministério Público do Rio, afirma que o delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa deve ser investigado no caso Marielle Franco. Na denúncia, Barbosa é apontado por receber R$ 400 mil em propina para evitar que os culpados pela morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes fossem descobertos.

Rivaldo Barbosa, que já chefiou a Polícia Civil do Rio, teria sido citado numa conversa telefônica entre o miliciano Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, e o vereador Marcello Sicilliano (PHS). Moreth teria dito que Barbosa recebeu dois pagamentos de R$ 200 mil, cada, por meio de um inspetor da DH da Capital identificado como Marcos.

“Mas a DH tá junto na sacanagem, né irmão?”, pergunta Siciliano.

“Tá junto porque levaram duzentos cruzeiros na primeira e depois levaram mais duzentos porque viu que ia babar. Então o malandragem lá, o delegado, botou tudo em você junto com aquele rapaz lá que tá preso [referência ao miliciano Orlando Curicica, falsamente acusado de ser o mandante]”, respondeu Beto, no diálogo gravado em fevereiro deste ano.

Beto Bomba é um dos chefes da milícia de Rio das Pedras, na zona Oeste do Rio, onde o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz, se escondeu durante as investigações do caso Coaf.

“Mas quem estava na sacanagem era o Rivaldo, né? Ou era o Giniton?”, indaga o vereador.

“Isso aí, é o Rivaldo Barbosa, é ele que levou quatrocentos cruzeiros, chefe. Foi quatrocentos cruzeiro, pô, tô te falando! Na hora que eles viram que ia babar, que o bagulho deu muita repercussão, o troço falhou, o troço ficou cara para caralho! Porque, chefe, quem rodar neste bagulho de Marielle vai para Catanduvas [presídio federal no Paraná] e vai ser esquecido, meu irmão! Porra, tô te falando, papo reto. Entendeu?”, disse.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do MPRJ confirmou, em nota, que os áudios telefônicos foram obtidos em ações de busca e apreensão e as "informações estão sendo investigadas sob sigilo".

Esses são mais alguns entre os vários indícios que mostram como o assassinato de Marielle está fortemente vinculado entre as milícias e ao Estado. Portanto, a investigação e punição dos culpados deve ser efetivada, sem deixar que se naturalize que o Estado burguês pode seguir fazendo o que quiser com nossos mortos, até mesmo quando se trata de uma vereadora de esquerda. É muito grave que siga sem chegarmos à verdade e justiça para Marielle, dando uma verdadeira licença para matar para milicianos e quem quer que seja.

No entanto também fica comprovado que não podemos ter ilusão de que sem uma investigação independente que trabalhe em paralelo e controle todo o processo, será possível chegar a alguma verdade. A investigação do Estado deve ser acompanhada e fiscalizada rigorosamente por uma investigação que seja independente, composta por defensores notórios dos direitos humanos, sindicatos, familiares, parlamentares do PSOL, movimentos sociais e todos aqueles que, ao contrário da polícia e do judiciário, não tem rabo preso com os capitalistas, com milícias e nem nenhum interesse em deixar impune alguém que matou uma parlamentar negra e de esquerda.É urgente impor, através de uma grande mobilização, essa investigação independente para que assim a punição dos culpados seja efetivada.




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