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Casa de Cultura de Ermelino Matarazzo intensifica atividades e resiste a fechamento

Com apoio de artistas, coletivos e moradores do entorno, ocupação cultural resiste aos constantes ataques da gestão Dória.

terça-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Alegando problemas estruturais a gestão Doria (PSDB) tenta interditar o espaço desde outubro do ano passado. Segundo representantes do coletivo, esta não é a real motivação da gestão. Desde que houve a recusa à proposta apresentada pelo secretário André Sturm, de que as atividades no espaço prosseguissem sem contar com recursos da Secretaria da Cultura, diversos ataques ocorreram, sendo o mais recente, o corte no fornecimento de água e energia.

Na época da recusa, durante a discussão, Sturm ameaçou “quebrar a cara” do ativista cultural Gustavo Soares. A “genial” proposta do secretário era que os artistas e profissionais que administram o espaço cobrassem ingresso pelas atividades realizadas, medida que certamente afastaria o público que costuma ocupar o espaço e usufruir das atividades. Além disso, nenhum deles contaria com qualquer recurso financeiro, apenas teriam a autorização oficial para o uso do espaço.

Segundo Gustavo Soares, “todas as Casas de Cultura da cidade recebem verbas, tanto para os coordenadores e funcionários do espaço quanto para a programação. Por que Ermelino deveria ser diferente?”

Na última sexta-feira (2), o coletivo divulgou a programação cultural para o mês de fevereiro, bastante ampla e diversificada. As atividades ocorrem todos os dias e são gratuitas. São mais de 30 coletivos culturais fortalecendo as ações em esquema de revezamento para concretizar a agenda. A programação de fevereiro conta com cinema, hip hop, capoeira, debates sobre saúde mental e claro, ensaios de bloco de carnaval.

Para assegurar a materialidade, realizam um brechó comunitário e também lançaram campanha de financiamento coletivo. Além disso, recebem doações de material de limpeza da comunidade do entorno, o que comprova o reconhecimento e relação com os moradores e frequentadores do espaço. Gustavo ainda acrescenta: ”Atualmente, cortaram a água e estamos funcionando com ajuda dos moradores, que cedem água em galões e baldes para o espaço.. Seguimos funcionando normalmente”. Fica nítido como o espaço é importante pra a comunidade.

O edifício em que hoje está a Casa de Cultura de Ermelino Matarazzo tem cerca de 40 anos de uso e era um imóvel da própria prefeitura regional que estava inoperante por 10 anos. Segundo a avaliação da prefeitura regional, é necessário que se mantenha a interdição devido às questões de estrutura, como trincas e infiltração. Na prática, no entanto o que se vê é outra realidade: um espaço em funcionamento, ativo, proporcionando cultura e atividades artísticas e como ressalta Gustavo, “Com segurança à todos os usuários. Completa: “ A prefeitura não dialoga para resolver o impasse, apenas se esforçam para boicotar o espaço de todas as formas possíveis”.

Confira a programação:

Vida longa à ocupação Ermelino Matarazzo!

Arte não é mercadoria e cultura é direito de todos e todas.




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