Juventude

UNICAMP

Carta da Faísca ao DCE e ao CACH da Unicamp

Precisamos formar um polo anti-burocrático em preparação ao dia 13 para enfrentar a Reforma da Previdência, o autoritarismo de Bolsonaro, os ataques à educação e superar a estratégia das direções burocráticas do movimento estudantil e de trabalhadores que entregam nosso futuro. Chamamos o DCE a construir uma assembleia pela base, com passagens em sala e reuniões a partir de Institutos e Faculdades.

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sexta-feira 2 de agosto| Edição do dia

Mais do que nunca, precisamos enfrentar Bolsonaro, que coloca sua banca reacionária e seu autoritarismo a serviço das empresas e governos imperialistas, como marca registrada do projeto do golpe institucional. Queremos debater a oposição ao que se impõe à juventude, no 11º ano da crise econômica internacional, com a Reforma da Previdência, índice de 30% de desemprego e trabalhos precários, como o Rappi, em que Thiago Dias morreu de tanto trabalhar.

O autoritarismo e a barbárie social se aprofundam com a portaria 666 de Sergio Moro, que permite expulsão de estrangeiros, o pedido de prisão de Glenn Greenwald pelos deputados do PSL, a declaração de Bolsonaro sobre Fernando Santa Cruz (pai do presidente da OAB, torturado e assassinado pela ditadura militar), com o assassinato do líder indígena Wajãpi pelas mãos de garimpeiros e o massacre no presídio no Pará. Bolsonaro se fortalece para destilar reacionarismo com o avanço da Reforma da Previdência do governo, Maia, Alcolumbre e STF na Câmara dos Deputados, e isso asfalta o caminho para ataques mais privatizantes. Já vemos com a venda da BR Distribuidora e, além do anúncio de novos cortes, o programa “Future-se” do MEC de Weintraub. Esse programa garante que o investimento das áreas de pesquisa estejam vinculados aos interesses dos capitalistas internacionais, permitindo que tenham orçamento nas universidades federais através das OSs, junto à possibilidade de se especular na bolsa com a verba destinada. Assim, é também uma ofensiva ideológica contra a ciência.

É nesse contexto que a atuação das direções burocráticas de trabalhadores e de juventude, CUT, CTB e UNE, está a serviço da política dos governadores do PT e do PCdoB no nordeste, partidos que dirigem essas entidades e estão dizendo que devemos abaixar a guarda do enfrentamento a Bolsonaro e batalhando pela inclusão dos estados e municípios no texto final da Reforma, à qual já declararam apoio. No 57° Congresso da UNE, em Brasília, com a direção majoritária encabeçada pela UJS (juventude do PCdoB), acontecia ao mesmo tempo a aprovação em primeiro turno da Reforma. A majoritária fechou os olhos e chamou um ato dois dias depois, negando-se a mobilizar a força dos estudantes, que se expressou nos dias 15 e 30 de maio, assim como, com CUT e CTB, vieram separando a juventude da classe trabalhadora e não construíram nenhum plano de lutas sério contra a Reforma e os ataques à educação.

Por isso, nós da Faísca combatemos essa política desde o início, exigindo que fosse uma luta unificada, uma vez que vemos que é impossível separar o projeto de educação do conjunto dos ajustes que ameaçam nosso futuro, como a Reforma da Previdência, central na correlação de forças nacional. No CONUNE fizemos um chamado à Oposição de Esquerda (PSOL, PCR e PCB) para acontecer uma Plenária Unificada cujo centro não fossem os cargos da direção da UNE em si mesmos, mas a melhor política para o movimento estudantil. Nós votamos criticamente na chapa da Oposição à direção da UNE, mas achamos que essa Plenária não ter acontecido foi um grande erro, já que todas as organizações que se colocam no campo de oposição à majoritária da UNE deveriam se dar o desafio de construir uma força social contra esse divisionismo intencional, que prepara nossa derrota ao não ligar qualquer estratégia de obstrução no Congresso, para impedir a votação para ganhar tempo, com o combate real dos movimentos estudantil e de trabalhadores.

Agora, com o retorno das aulas, achamos que a partir da Unicamp poderíamos dar um exemplo anti-burocrático, sendo que temos entidades importantes, como o DCE e o CACH, dirigidas por forças da Oposição de Esquerda da UNE. Chamamos desde agora à preparação de um 13 de Agosto que se enfrente com os ataques e não faça coro à intenção da UNE em nos dividir em nome de seus interesses eleitorais, denunciando esse papel. Para isso, é preciso unificar a batalha contra os avanços autoritários que Bolsonaro e Moro sinalizam com os ataques econômicos, contra o discurso de “cortina de fumaça” que abre espaço à extrema direita. É urgente que o DCE construa uma assembleia pela base, com passagens em sala e reuniões a partir de Institutos e Faculdades, e chamamos a que convoquemos juntos uma Plenária estadual da Oposição de Esquerda, que organize todos aqueles que querem se contrapor à política da majoritária da UNE e das centrais sindicais que entregam nosso futuro, exigindo um plano de lutas unificado e efetivo, que se materialize em um dia 13 que não seja formal, como querem as direções.

Nós da Faísca defendemos que apenas a auto-organização de estudantes e trabalhadores, em unidade, pode derrotar Bolsonaro, os golpistas que se apoiaram na Lava Jato e os planos dos capitalistas. A juventude precisa voltar às ruas, junto à classe trabalhadora, cumprindo o papel que já demonstrou ser capaz em outros momentos da nossa história. A esse serviço, na Unicamp, colocamos nossa posição minoritária na gestão proporcional do CACH e nossa participação na gestão do CAP - Marielle Franco. Além disso, justamente para tirar conclusões das últimas batalhas do movimento estudantil, desde o golpe institucional, e preparar nossos embates futuros, viemos desde a Calourada defendendo a necessidade de um Congresso dos Estudantes da Unicamp, que não acontece desde 2015. Por ora, seguimos sem resposta, e é papel das nossas entidades e de um movimento estudantil sério batalhar para que o Congresso ocorra, ainda mais no primeiro ano de governo Bolsonaro.




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