Política

GOVERNO BOLSONARO

Carlos Bolsonaro ataca GSI e General Heleno em caso do avião presidencial com cocaína

Carlos Bolsonaro mais uma vez utilizou o Twitter para atacar a ala dos militares. Dessa vez a crítica do chamado “02” foi contra o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

terça-feira 2 de julho| Edição do dia

Respondendo ao site bolsonarista “Snapnaro”, que jogou a conta do escândalo dos 39 kg de cocaína no avião da comitiva de Bolsonaro para o GSI e para a FAB, citando abertamente o nome de Heleno, Carlos tuitou:

“Por que acha que não ando com seguranças? Principalmente aqueles oferecidos pelo GSI? Sua grande maioria podem (sic) ser até homens bem intencionados e acredito que seja, mas estão subordinados a algo que não acredito. Tenho gritado em vão há meses internamente e infelizmente sou ignorado”.

Segundo o Estadão, o tweet de Carlos causou certo alvoroço no Whatsapp da caserna. Militares da alta patente do exército criticaram duramente Carlos, pedindo mais afastamento do filho de Bolsonaro por parte do governo.

Alguns analistas colocam Carlos com um discurso isolado do próprio Bolsonaro e do seu governo, mas é preciso ver também o caráter provisório do cessar-fogo que se abriu depois da crise das denúncias do The Intercept Brasil que colocaram Moro e Dalagnol na berlinda. Militares e bolsonaristas cerraram fileiras em torno de Moro e da defesa incondicional da Lava Jato – como também se expressou neste domingo, nos atos fracassados da direita, que foram salvos pelos bolsonaristas e pelo Exército, com a presença de Heleno discursando em defesa de Moro.

Esse “cessar-fogo” provisório, como falamos aqui, já permitiu a Bolsonaro realinhar as forças do governo e deu aval inclusive para três demissões de militares nas últimas semanas: Santos Cruz, da Secretaria de Governo; Framklimberg de Freitas, da Funai; e Juarez de Paula, dos Correios; sem causar grandes movimentações do próprio Exército.

O conflito de Carlos Bolsonaro contra Heleno causou inconformismo em analistas como Eliane Cantanhêde do Globo News. Em artigo ao Estadão relata as distintas divisões no governo e mostra que pelo contrário, “o planalto deveria estar comemorando o acordo com a União Europeia e as energias do presidente da República, do governo, dos governadores e da sociedade deveriam estar concentradas na reforma da Previdência”.

E ainda diz: “é ele, o Congresso, que está salvando a reforma, o equilíbrio fiscal e o futuro do País. Viva o Congresso! Aliás, um viva às instituições!”.

As palavras da colunista expressam que apesar das divisões entre o governo Bolsonaro e as próprias divisões no Congresso, todos se rearranjam a partir da necessidade da reforma da Previdência e de transformar o Brasil ainda mais em uma fazenda do mundo, aprofundando sua exploração enquanto semi-colônia.

Enquanto isso, as divisões entre Centrão, governo e “oposição” cessam também essa semana para fazer passar o relatório da reforma da Previdência, já que governadores do PT assinam embaixo da reforma da Previdência que está tramitando no Congresso, pedindo, ainda, para que ela também sirva aos estados e municípios.

Ou seja, não podemos esperar da “oposição” nenhuma defesa da Previdência de milhões de brasileiros que está a cada dia mais em risco, já que apesar dos dirigentes sindicais e estudantis do PT e PCdoB falarem contra a reforma, seus governadores seguem negociando nosso futuro com Maia.

Os trabalhadores e a juventude precisam assumir a tarefa de impor a essas direções um plano de lutas concreto para que possamos levantar uma grande mobilização que enfrente qualquer variante de reforma da Previdência, que quer atacar a vida dos trabalhadores e de todo povo pobre.




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