ATO INTERNACIONAL - CHILE

Camila Delgado, Chile: “Porque milhões acordaram em todo o mundo, hoje a tarefa é vencer!"

Camila Delgado, dirigente sindical de trabalhadores do comércio, membro da Assembleia Popular de Temuco e redatora do La Izquierda Diário - Chile, representou o Chile em uma saudação durante o Ato Internacional simultâneo da FT contra o racismo e a violência policial.

sábado 11 de julho| Edição do dia

Com oradores dos Estados Unidos, França e Brasil, e saudações da Grã Bretanha, Alemanha, Chile e Bolívia, o ato ocorreu neste sábado, 11, contra toda forma de racismo e violência policial, e você pode assisti-lo aqui:

Desde Temuco, no sul do Chile, que fica na região de La Araucanía, território e epicentro da resistência do povo mapuche, Camila sauda o Ato Internacional Antirracista. O povo mapuche são um dos setores mais expostos ao coronavírus, devido à falta de condições de vida imposta pelo capitalismo neoliberal chileno. Ela explica que lá a violência policial é sistemática, com territórios militarizados e a frequente ocorrência de assassinatos de lutadores:

“A impunidade policial foi parte das razões pelas quais nos rebelamos em outubro, quando a bandeira mapuche balançava em cada manifestação como um ícone de resistência histórica. Em Temuco também derrubamos várias estátuas e símbolos colonialistas, como está acontecendo hoje em outros países.”

Camila continua, mostrando que eles vêem com clareza que os inimigos da luta pelo direito à autodeterminação nacional e territorial dos povos oprimidos são os monopólios florestais, latifundiários, capitalistas e as suas forças repressivas. Ela afirma que para acabar com a opressão é preciso derrotar todos estes. Porém, explica que não é uma tarefa fácil, e que se vê nas ruas a força da classe trabalhadora, da juventude e do povo mobilizado para enfrentar o governo do presidente Sebastiàn Piñera. Sobre isso, Camila lembra que tanto a direita quanto os governos progressistas são responsáveis pela violência policial, criticando também a atuação dos partidos reformistas e burocracias sindicais:

“E vimos também como os partidos reformistas e a burocracia sindical evitaram com que esse governo caísse. O mesmo que hoje nos levou a uma catástrofe sanitária e social sem precedentes! O mesmo que mantém 2 mil presos desde a rebelião, assim como também presos mapuches que hoje estão em greve de fome! Exigimos sua liberdade imediatamente!”

Depois disso, Camila afirma que a batalha por forjar a aliança entre trabalhadores, mapuches e a juventude é compartilhada com os companheiros do outro lado da cordilheira, do Partido de Trabalhadores Socialistas (irmão do MRT na Argentina). Lá, os trabalhadores Zanon -indústria gráfica que, após muita batalha, hoje funciona sob controle dos trabalhadores- forjaram uma profunda unidade com a comunidade mapuche, por isso essa experiência se torna uma grande inspiração para os chilenos.

“Para ajudar a forjar essa aliança e superar aqueles que sustentam um governo criminoso, para nós é urgente dar passos na construção de um partido revolucionário da classe trabalhadora, de uma nova esquerda anticapitalista e revolucionária. Esse é um debate que estamos abrindo junto com as centenas de companheiras e companheiros com quem até hoje impulsionamos experiências de auto-organização em comum, como o Comitê de Emergência e Abrigo em Antofagasta, o Comitê de Segurança e Saúde do Hospital Barros Luco, ou a própria Assembleia Popular em Temuco. Porque milhões acordaram em todo o mundo, hoje a tarefa é vencer e acabar com o que começamos!”

Assista a saudação de Camila Delgado no ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial:

Assista na íntegra:

Veja também o PODCAST INTERNACIONAL - IDEIAS DE ESQUERDA, com os principais debates internacionais do momento:




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