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PLENÁRIA NACIONAL DO PÃO E ROSAS | Cacau: "Organizar as mulheres negras e a classe trabalhadora para fazer revolução"

Confira a fala de Carolina Cacau, professora do Rio de Janeiro e dirigente do MRT, que ocorreu hoje na Plenária Nacional do Pão e Rosas neste sábado 06/03.

sábado 6 de março | Edição do dia

Oi companheiras, é um prazer estar aqui nessa plenária com tantas companheiras novas.

Queria começar a minha fala retomando que o ano da pandemia, também foi marcado, com o maior movimento de massas da história dos EUA, contra a violência policial e o racismo, com milhares de negros, brancos, latinos e imigrantes, saiu as ruas, por justiça a George Floyd, assassinado brutalmente pela polícia. Aí também as mulheres estiveram na linha de frente. Um grito de revolta que chacoalhou o mundo inteiro, questionando esse braço armado do estado que existe apenas para defender a propriedade privada dos capitalista e nos reprimir e matar.

Naquele momento a gente do MRT que também impulsiona o Quilombo Vermelho – Luta negra anticapitalista, do qual eu, Leticia e outras companheiras aqui fazemos parte, construímos uma plenária com mais de 500 pessoas e contou com a participação da nossa camarada dos EUA, Julia Wallace do Left Voice, que faz parte da Rede Internacional de Diários. Fizemos essa plenária para organizar a luta antirracista e anticapitalista aqui no Brasil, onde a polícia matou mais do que antes da pandemia, numa média de 5 pessoas por dia, como foi João Pedro, como foi com Marcelo Guimaraes, pai da Vitoria, que falou nessa plenária, trabalhador assassinado pela PM, esse ano em janeiro.

Historicamente, a gente sempre levantou a luta das mulheres negras, nosso grupo no Brasi, nasceu inclusive da luta em defesa das terceirizadas invisibilizadas dentro das universidades, que é também uma realidade de milhares de trabalhadoras do país, majoritariamente negras. Lutar em defesa dos setores mais precarizados da nossa classe faz parte do DNA do Pão e Rosas.

Há três anos a gente carrega como parte central das nossas batalhas a luta por justiça por Marielle, uma parlamentar negra e de esquerda, que foi assassinada em meio a intervenção federal como um recado para que todas nós abaixássemos a cabeça, mas diferente disso a sua luta segue viva nos combates que damos contra o governo Bolsonaro. O Estado é o responsável por até hoje não termos respostas, e por isso nós sempre defendemos uma investigação independente, sabendo que a luta por justiça só vira pela força da mobilização, assim encaramos, assim encaramos e por isso, quando fez um ano de sua morte paralisamos todas as aulas do curso de serviço social onde estamos no centro acadêmico e fomos com centenas de estudantes para ruas, porque acreditamos que esse são os métodos de luta que temos que em cada local de trabalho e estudo, para cada um dos nossos que cai.

Em 2019 lançamos o Livro a Revolução e Negro, uma arma também para mostrar as contribuições marxistas dos trotskistas sobre a questão negra internacionalmente e em 2020 com os acúmulos teóricos sobre mulheres e questão negra, a gente viu a necessidade de publicar um livro sobre as mulheres negras e o marxismo, que está nesse momento na gráfica para ser impresso.

Cada vez mais se fala das pautas das mulheres, dos negros e negras, do racismo, e isso é uma demonstração do espaço que conquistou nossas lutas. Mas no meio disso existem teorias e ideologias que não respondem a realidade das mulheres negras. A começar pelo feminismo liberal que só serve para manter os privilégios da classe dominante, mas tem outras que podem confundir muitas pessoas que querem lutar.

Uma dessas é a representatividade, um dos temas que a gente debate no livro, a gente vê que muita gente reivindica como o auge da nossa representatividade uma mulher negra ganhar o BBB, ou mesmo uma mulher negra chegar a vice presidência dos EUA. E por isso a gente quer dar aqui quer dar o enfoque do marxismo revolucionário sobre essa questão. Nós do Pão e Rosas somos marxistas, pq para nós o marxismo é a teoria que melhor explica a sociedade capitalista e a sua relação com as opressões de gênero e raça, mas é também é uma ferramenta para que a classe trabalhadora e todos os setores oprimidos possam subverter essa ordem capitalista e lutar por uma outra sociedade, esse é o nosso objetivo lutar por uma revolução socialista.

Ter ainda hoje menos negros e mulheres no parlamento e espaços de poder no capitalismo, expressam que a sociedade é patriarcal e racista, mas isso não pode nos levar a ter como estratégia a ocupação dos espaços como representatividade, como um fim em si mesmo, por fora da política que essas pessoas levem, sejam elas mulheres ou negras. Nossa batalha não é para sermos uma no topo ou algumas no poder. De que serve uma mulher negra, como Kamala Harris, a primeira mulher negra a bombardear o Oriente Médio, que teve toda sua carreira ligada a aumentar a repressão contra os negros, serve apenas para enganar as mulheres que acham que nossa luta pode ser resolvida por ela e não, vamos enfrentar todas e todos representantes desse sistema podre.

Por isso a gente também debate com setores do psol, que defendem essa política institucional de representatividade como grande objetivo e por isso defendem uma frente com setores da direita, q nada tem a ver com a luta das mulheres trabalhadoras, ao mesmo tempo que se calam frente a paralisia das centrais sindicais e sindicatos e não batalham pra organizar as trabalhadoras e a juventude nos locais de trabalho e estudo, o que como Maíra demonstrou pressupõe se enfrentar com as direções burocráticas. Viemos chamando o PSOL e toda a esquerda a colocar todas as suas forças pra exigir das grandes centrais sindicais um plano de luta nacional pra que a gente possa organizar e erguer nossa força contra todos os absurdos que tão ocorrendo.

Pra nós feministas marxistas, se trata de organizar as mulheres, com as mulheres negras à frente, em aliança com toda a classe trabalhadora, não para reformar essa sociedade capitalista, não para esperar de 4 em 4 anos pelas eleições, para derrubar esse sistema. Para estarmos na linha de frente da revolução. Existem muitas mulheres pioneiras em vários espaços e valorizamos isso, mas a gente não se submete, a teorias, como a do lugar de fala, ou as teorias identitárias, que na prática defendem separar mulheres negras de brancas, homens de mulheres, ou mesmo as ideias coloristas que querem em nome de supostos privilégios, dividir entre negros de pela clara ou retintos, ou nos separar da luta LGBT. Não companheiras, para nós se trata do contrário, da unidade, da nossa classe trabalhadora, que é em sua maioria feminina e negra, com o conjunto dos setores oprimidos. Nosso feminismo não é do Globo, do Bradesco Mulher ou da Avon, o nosso feminismo é socialista.

Por isso, a gente vai lançar esse livro Mulheres Negras e o Marxismo, que trata desses temas e vários outros, e lá a gente polemiza muito sim, justamente porque temos muito orgulho em defender o marxismo revolucionário. E chamamos a cada uma das companheiras aqui a não colocar ele na prateleira, esse livro é uma ferramenta, uma arma de luta, contra a opressão que cada uma de nós e milhões de mulheres vivem todos os dias, no mundo inteiro, contra o racismo que nós mulheres negras sofremos, mas principalmente contra essa sociedade capitalista que lucra com cada uma dessas opressões. Que esse livro seja um grito pela revolução operária e socialista que é a sociedade que a gente defende.

Nosso chamado é para que cada camarada tome esse livro como uma ferramenta sua, para construir o Pão e Rosas de Sul a Norte do país, que a gente faça grupos de estudos em cada lugar, vai ter um curso com a companheira Leticia, no campus virtual que é uma ferramenta gratuita, que cada um pode se apropriar para conhecer o marxismo. A gente quer que essa ideia chegue em trabalhadoras de todo o país, como na última semana, que recebemos um vídeo uma trabalhadora de Sergipe gravou, dizendo como o livro a Precarização Tem Rosto de Mulher encorajou ela numa situação difícil de demissão no seu local de trabalho, a gente quer fazer esse tipo de coisa, e dar um passo a frente para organizar trabalhadoras e jovens nessa perspectiva de um feminismo socialista.




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