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CONUNE USP: Por que votar criticamente na chapa da Oposição de Esquerda?

Essa semana está acontecendo às eleições para o 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes, na USP. A votação vai até essa quinta-feira, no total são 4 chapas que concorrendo. Abaixo colocamos os motivos porque nós da Faísca Anticapitalista e Revolucionária chamamos um voto crítico na chapa Lutar e Mudar as Coisas, da Oposição de Esquerda.

quinta-feira 1º de junho| Edição do dia

No mês de junho, milhares de jovens de diversas universidades do país, estarão no 55º Congresso da UNE, em Belo Horizonte. A votação para eleger os delegados da Universidade de São Paulo começou nessa terça-feira e vai até essa quinta. Estão concorrendo 4 chapas: Lutar e Mudar as Coisas (Oposição de Esquerda), USPInova (direita), Não há tempo a temer (Esquerda Marxista) e Nossa Voz (PT, Levante Popular da Juventude e UJS). Essa votação e a própria realização do congresso se dá em um momento único em nosso país, onde a cada dia se aprofunda mais a crise política. E depois da classe trabalhadora ter entrado em cena, apesar do enorme controle das burocracias sindicais, protagonizando importantes ações, como a greve geral de abril e a marcha para Brasília no último dia 24, que contou com milhares resistindo a brutal repressão policial.

Em meio a tudo isso, milhares de jovens estão em busca de uma saída independente para que não sejamos nós, aqueles que paguem pela crise capitalista. Hoje a UNE é a única entidade nacional que agrupa centenas de entidades de base dos estudantes universitários, que alcança centenas de milhares de jovens de instituições públicas e privadas em todo o país. Apesar de ser uma referência a setores amplos da juventude, a UNE expressa nas políticas de sua direção majoritária uma burocracia que não permite a entidade construir uma saída independente e que verdadeiramente responder às demandas da juventude e aliada aos interesses da classe trabalhadora.

Por que votamos criticamente na Oposição de Esquerda?

Chamamos um voto crítico na chapa Lutar e Mudar as coisas, porque achamos que essa chapa defende em seu programa pontos importantes e corretos para avançarmos na luta contra as reformas e o governo golpista de Temer. Lutando contra o burocratismo das direções majoritárias, representadas nessa eleição pela chapa Nossa Voz, que hoje impedem que a UNE possa se transformar na principal entidade de organização dos jovens, para que possamos estar altura de responder os desafios que estão colocados.

Queremos com essa declaração abrir um diálogo tanto com os jovens independentes e as correntes que hoje constroem a Oposição de Esquerda, mas também com todos aqueles que votam e apoiam, sobre a necessidade de avançar numa discussão mais profunda sobre quais as tarefas e os desafios da juventude nesse momento e qual o programa que melhor pode responder a essa situação.

Nós jovens somos o grande alvo dessas reformas, sobretudo a juventude trabalhadora. Hoje sofremos como o desemprego ou ocupamos os piores postos de trabalho, para poder estudar ficamos completamente sem vida, pois trabalhamos durante o dia, fazemos as matérias à noite, passamos horas do nosso dia nos transportes públicos lotados e não temos tempo nem dinheiro para lazer. As reformas querem terceirizar tudo e fazer com que a nossa geração não se aposente, que trabalhemos até morrer. Não podemos aceitar essa situação, não nos conformamos com a vida dos nossos avós e pais, sofrendo com falta de saúde pública, que agora tende a se agravar com o teto de gastos para serviços públicos.

Nosso apoio crítico bem na tentativa de fortalecer a construção de uma oposição, que se propõe a travar uma forte luta contra o burocratismo promovido pela União da Juventude Socialista (UJS) e setores petistas, com a conivência do Levante Popular da Juventude. Entendemos que para isso, a Oposição de Esquerda precisa romper com a lógica que separa o processo eleitoral e os fóruns da entidade dos acontecimentos da luta de classes. Esse processo eleitoral e principalmente todo o 55º Congresso da UNE precisam estar a serviço de organizar milhares de estudantes para se colocarem em luta contra as reformas e os ataques de Temer. Promovendo a auto-organização dos estudantes, impulsionando comitês, debates, atos e tudo que for necessário para que tomemos a luta em nossas mãos e estejamos lado a lado com os trabalhadores numa greve geral até derrubar as reformas e Temer. O congresso da UNE será poucos dias antes daqueles que foram indicados, a partir da reunião das centrais sindicais, como a data da Greve Geral. Cada dia que passa é um dia a mais para que a burguesia busque resolver a crise por cima, por isso à preparação e principalmente o congresso devem estar a serviço de organizar a juventude para uma greve geral até a derrubada das reformas e de Temer.

Algumas diferenças sobre quais as respostas programáticas para a crise

Repudiamos a tentativa de "golpe dentro do golpe" representada pela proposta de eleições indiretas. No entanto, em nossa opinião, a consigna defendida pelos companheiros da chapa Lutar e Mudar as coisas, de eleições diretas e gerais já, seria um desvio de todo esse processo de luta. Pois ao invés de se enfrentar com esse regime político podre, acabaria recompondo o jogo burguês. É legitimo o sentimento democrático de escolher, sobretudo após o golpe institucional de 2016 que feriu o sufrágio universal, mas achamos que se é pra ter uma eleição, ela não pode se restringir a simplesmente trocar os jogadores, mas precisa avançar para mudar as regras do jogo, impondo pela força da nossa luta uma eleição de representantes para a um assembleia constituinte livre e soberana. Onde batalharíamos pela eleição daqueles que defendam os interesses da nossa classe. Essa constituinte teria como primeira tarefa anular todas as reformas aprovadas pelo governo golpista de Temer, assim como anular as reformas e ataques aprovados nos governos Dilma, Lula, FHC e Color. E poderia avançar para expropriar todas as empresas desses empresários corruptos e colocá-las sob controle dos trabalhadores e a serviço das necessidades do povo. Para enfrentar o problema da corrupção verdadeiramente, julgando corruptos e corruptores, impondo juris populares e medidas que acabem com os privilégios dos políticos e do judiciário. Debatemos temas fundamentais como o não pagamento da dúvida pública, a reforma agrária, entre outros.

Nesse processo nós , desde uma perspectiva anticapitalista e revolucionária, buscaríamos dialogar com todos os jovens e trabalhadores sobre a necessidade a acabarmos com esse regime podre, por meio de um governo dos trabalhadores em ruptura com o capitalismo, que avance para a construção de uma sociedade livre de toda forma de exploração e opressão.




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