Gênero e sexualidade

CONTAGEM REGRESSIVA 8 DE MARÇO

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O 8M: Sejamos milhares nas ruas contra o machismo e o capitalismo

A um mês do Dia Internacional das Mulheres iniciamos com esse artigo uma série especial de comemoração do Dia Internacional das Mulheres.

quarta-feira 8 de fevereiro| Edição do dia

Estamos passando por momentos importantes na luta das mulheres. Em vários cantos do mundo, as mulheres estão mostrando que toda a opressão que sofremos no nosso dia a dia não será mais tolerada. Os abusos no trabalho e no transporte, os salários rebaixados e duplas jornadas, a violência física e estupros sofridos nas ruas e nas nossas próprias casas, as torturas psicológicas da mídia para odiarmos nossos corpos, as milhares de mortes que sofremos por abortos clandestinos: milhares de nós dizemos “chega”!

Nos Estados Unidos, coração do imperialismo, mais de 500 mil mulheres e homens se reuniram nas ruas Washington (e mais milhares em outras capitais norte-americanas) para deixar claro que o reacionarismo de Trump não passará. Seu discurso de ódio contra negros, imigrantes e mulheres, sua proposta de avanço contra direitos essenciais das mulheres já encontra a resistência das americanas e de todo o mundo. Foram estas mulheres que também foram protagonistas no ano passado com o movimento Black Live Matter, onde estiveram nas ruas contra a violência policial contra os negros. Estas mulheres negras que se levantaram contra a violência do capitalismo, que assassina seus filhos, são hoje exemplo de resistência para outras mulheres que se levantam no mundo contra este sistema nefasto que mata.

Na Argentina, milhares em todo o país se reuniram nas ruas e trabalhadoras junto a seus pares paralisaram atividades de empresas e setores públicos para protestar contra a violência às mulheres. Depois de casos escandalosos de assassinatos de mulheres por apenas serem mulheres, levantaram a bandeira “Nenhuma a menos (Ni una menos)”, escancarando essa nefasta realidade que antes ficava trancada a sete chaves, no “aconchego” dos lares e nos becos escondidos da cidade.

No Brasil, tivemos manifestações contra figuras políticas que atacavam abertamente as mulheres e as poucas políticas em nossa defesa, como Eduardo Cunha (redator da PL 5069 que complica ainda mais o atendimento a vítimas de estupros e abusos sexuais) e Marco Feliciano (acusado de estupro e defensor da ideia de que as reivindicações das mulheres destruiriam a sociedade e a família). O “Fora Cunha e Feliciano” tomou grandes proporções e a revolta só aumentou com o caso da jovem que foi estuprada por 33 homens e o ato criminoso postado publicamente nas redes sociais. No governo golpista de Temer, que vem para atacar ainda mais as mulheres trabalhadoras com várias medidas, entre elas a Reforma da Previdência, já se somaram às manifestações milhares de mulheres nas ruas contra este governo ilegítimo.

Este grito já reverbera. E o capitalistas, que só se beneficiam de todas essas violências que sofremos, já colocam suas empresas para vender produtos para a “nova mulher empoderada” e suas figuras midiáticas globais para fazer muita demagogia. Querem nos convencer de que defendem nossas bandeiras e de que podemos confiar em suas Fernandas Limas e Elianas. Mas não passa de um engodo para tirar nossa luta de nossas mãos, para que não questionemos profundamente as raízes de nossa opressão.

Estas nossas lutas são marcos fundamentais, mas precisamos ir por muito mais. Ainda sofremos todas as consequências de uma sociedade que se beneficia com lucro e sangue de nossa existência como mulheres, e todos os dias ainda morremos por sermos mulheres.

Nossa inspiração vem das mulheres que, há 100 anos, iniciaram a Revolução Russa no próprio dia internacional das mulheres. Abriam as portas para conquistas essenciais que ainda não se via em quase lugar nenhum no mundo, como o direito ao aborto, ao divórcio, aos salários iguais, às lavanderias e restaurantes públicos para dar fim à dupla jornada de trabalho. Atacaram os interesses daqueles que as atacavam constantemente.

Por isso, iniciamos com esse artigo uma série de outros de comemoração do Dia Internacional das Mulheres, em contagem regressiva ao 8 de março. Nestes artigos, traremos a denúncia do dia a dia da opressão nos locais de trabalho e estudo, os exemplos nacionais e internacionais de luta, os marcos históricos em que nos podemos apoiar e debates teóricos e estratégicos em torno do feminismo; tudo num esforço de contribuirmos para que nossa luta pela emancipação de todas as mulheres se dê num patamar definitivo. E chamar a todas e todos para, neste 8 de março, marcharmos todas com o Pão e Rosas contra o machismo e o capitalismo!




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