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JOGOS PANAMERICANOS

COB repreende Joana Maranhão e quer impor censura aos atletas no Pan

terça-feira 7 de julho de 2015| Edição do dia

“Vou para o Pan, mas não representarei Feliciano, Bolsanaro, Eduardo Cunha e Malafaia”, diz a Nadadora Joana Maranhão. A resposta do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) foi pressionar os atletas para não darem declarações políticas.

Joana Maranhão, nadadora que representará o Brasil nos Jogos Pan-Americanos deste ano – que acontecerão em Toronto, Canadá –, fez nos últimos dias uma declaração que tem sido considerada “polêmica” pela grande mídia.

A atleta postou na última quinta-feira em seu facebook um vídeo que, segundo ela, é um “desabafo necessário” pra sua saúde mental. Joana se posiciona sobre um dos maiores ataques que têm sido direcionados à juventude negra e da periferia: a redução da maioridade penal, que só foi aprovada por uma manobra de Eduardo Cunha, o então presidente da Câmara.

Ela afirma: “A gente sabe que no Brasil quem vai ser preso é menor de idade, preto e de favela; e o menor infrator de família bem resolvida e com grana não vai pra cadeia”. Além disso, relembra o triste episódio em que atearam fogo em um índio: “Aquelas pessoas que queimaram um índio em Brasília falando que pensavam que era um mendigo, um deles hoje é policial civil”.

Neste momento, em que essa Emenda criminosa é aprovada, é extremamente necessário que consigamos o maior apoio democrático possível, inclusive de figuras públicas conhecidas pelo povo, para desmascarar a verdadeira face dessa medida, que é reprimir a juventude brasileira, e principalmente aquela que não aceita calada as injustiças e se atreve a tomar as ruas, como em junho de 2013.

Não nos esqueçamos que essas figuras ficam marcadas na história por suas posições políticas, que podem influenciar milhares de pessoas. O jogador de futebol Sócrates, do Corinthians, também se posicionou publicamente contra a Ditadura Civil-Militar no Brasil, em seus depoimentos e até nas comemorações de seus gols, erguendo o punho em referência às lutas populares. Em campo, o time entrava com uma faixa dizendo “Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia”.

Além disso, um exemplo menos conhecido, mas importante, é o de uma das torcidas organizadas do Ferroviário do Ceará - o Ferrão, como é conhecido –, time operário de Fortaleza que tem como lemas as frases: “Nem guerra entre torcidas, nem paz entre classes” e “Nada diminui nossa paixão incendiária. Ferroviário, orgulho da classe operária”.

A resposta do COB

Segundo o dirigente da COB, em entrevista ao Portal Terra, “enquanto o atleta não está sob nosso controle, não temos domínio nenhum, cada um pode se posicionar como quiser, como aconteceu esta semana (com a Joanna Maranhão). Quando chega aqui sim, a gente dá uma orientada, mostra que quando está aqui dentro é um embaixador do Time Brasil, e que é melhor ele guardar sua posição para si. Não temos nada contra, só que não fale em nome da delegação inteira”.

E que “não tem como proibir essa molecada de hoje em dia de usar redes sociais. Nós vamos orientá-los, nem faremos cartilhas. A ideia é que um grupo de treinadores (conselho com técnicos de quase todas as modalidades olímpicas) direcione porque eles conhecem o caminho para a vitória”.

São declarações que têm o intuito de pressionar os atletas a não se posicionar sobre os problemas da realidade nacional.




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