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CAIXA ECONÔMICA

CAIXA quer punir trabalhadores que lutaram contra a terceirização e o ajuste fiscal no dia 29/5

sexta-feira 12 de junho de 2015| Edição do dia

No último dia 29/5, dia de paralisação nacional chamado pelas centrais sindicais, o Sindicato dos Bancários de SP e região fechou agências na região da Av. Paulista e no centro de SP.

Entre essas ações, teve destaque o fechamento do prédio da Caixa na Praça da Sé, reduto da oposição bancária, onde no dia 15/4 já havia sido realizado um protesto com retardamento da abertura ao público, mesmo sem a presença de membros das entidades oficiais.

A equipe do Esquerda Diário entrevistou os dois delegados sindicais da Ag. Sé, Wagner Oliveira e Thais Oyola para falar da situação atual, após o anúncio de que a Caixa irá descontar os dias de um grupo de trabalhadores:

ED: Podem nos falar um pouco da situação após o dia 29/5 e as represálias da empresa?

Thais Oyola: A jornada do dia 29/5 foi convocada por todas as Centrais Sindicais do país como um dia de paralisação nacional. O nosso Sindicato aderiu ao chamado e paralisou diversas unidades de trabalho, entre elas com o fechamento total do Prédio da Sé, ação que contou com a presença de diretores do Sindicato, da APCEF e de dezenas de ativistas de base da categoria.

Frente a isso, para nosso espanto, a Caixa está adotando uma postura repressora, quando decide punir com o desconto do dia (e todas as implicações decorrentes) alguns dos trabalhadores que participaram deste dia nacional de paralisações.

Wagner Oliveira: Queremos salientar que a luta contra a terceirização e a precarização do trabalho e as condições de vida só pode avançar quando os trabalhadores começarem a tomar pra si as tarefas de mudar sua própria realidade e a realidade miserável (que hoje já é de 12 milhões de trabalhadores) que querem impor ao conjunto da classe trabalhadora, com o PL 4330 e os ajustes.

Essa luta não é contra a Caixa e sim a favor dos milhares de trabalhadores brasileiros que correm o risco, caso não se unam para lutar contra esse projeto monstruoso, de ter como única opção de trabalho esse modelo de neoescravidão que está em discussão no congresso nacional e que de forma impositiva já vitima milhões de trabalhadores no mundo, por isso consideramos o Dia Nacional de Lutas, uma luta necessária e justa. É inadmissível que a Caixa adote agora uma postura repressora frente a seus próprios empregados, postura que também é de deslegitimação das nossas entidades e do conjunto do movimento sindical brasileiro. Seria uma amarga ironia que a Caixa, que afirma seu papel social como banco público como sua própria missão, agora se colocasse a serviço do retrocesso nos direitos sociais e dos trabalhadores que a própria Caixa tanto se orgulha em atender.

ED: E como vocês veem as perspectivas para reverter essas medidas?

Thais Oyola: Antes de mais nada, temos que dizer que nós fizemos no último período um importante trabalho de esclarecimento, ao menos nas agências da Caixa do centro, assim como em outras regiões da cidade, da importância das bandeiras do dia 29/5. Na verdade, para a categoria bancária, as jornadas nacionais de luta nos dias 15/4 e agora no 29/5, foram encaradas como protestos contra o PL 4330, e assim foram tomadas por um setor da categoria como uma luta própria, independente do quanto o sindicato estivesse disposto a assumir de fato sua responsabilidade. Isso é extremamente positivo, e é por isso que estamos confiantes de que é possível fazer a direção da empresa recuar da sua posição atual, que é descabida.

Ao mesmo tempo, temos certeza de que tanto o Sindicato, quanto a APCEF estão atentos para denunciar essa flagrante contradição, e irão atuar junto aos trabalhadores e à população em geral para reverter essa grave injustiça. O povo trabalhador que procura a Caixa justamente nos momentos mais difíceis, que precisa do seguro desemprego, do abono do PIS ou do Bolsa Família, saberá se colocar ao lado daqueles que estão lutando pela manutenção desses direitos, contra a direção da Caixa se for preciso.




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