Sociedade

DESIGUALDADE

Brasil é o que mais perde posições no IDH da desigualdade: 1% concentra 28% das riquezas

O Brasil perdeu uma posição no IDH geral e 23 posições no IDH que mede somente a desigualdade. O país foi o que mais perdeu posições nesse quesito, demonstrando os efeitos do golpe institucional para a concentração de renda e poder abissal brasileira.

segunda-feira 9 de dezembro de 2019| Edição do dia

Imagem: Rivaldo Gomes/Folhapress

O Brasil perdeu uma colocação no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e agora ocupa a 79ª posição. ONU divulgou dados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) nesta segunda-feira dia 9. Os dados divulgados são de 2018.

O Brasil perdeu a 78ª posição para um pequeno país na América Central, Granada, demonstrando o atraso brasileiro em resolver suas questões estruturais. O índice varia de zero a um e quanto mais próximo for de 1, mais desenvolvido é país. O país alcançou o IDH de 0,761, com uma melhora de 0,001 em relação ao ano passado.

Desigualdade

O Brasil é o país que mais perde posições no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) quando o valor é ajustado à desigualdade, ou seja, quando se leva em consideração as distorções em saúde, educação e renda. O IDH brasileiro cai de 0,761 para 0,574, uma perda de 24,57% no valor, o que faz o Brasil cair 23 posições quando comparado ao restante do mundo. Se a desigualdade de um País é grande, a perda no índice também é.

Desigualdade abissal brasileira pesou para a queda no IDH. De acordo com o relatório do PNUD, a fatia dos 10% dos mais ricos do Brasil concentra 41,9% da renda nacional. O universo dos 1% mais ricos representa 28,3% da renda, a segunda maior concentração do mundo nesta parcela populacional - atrás apenas do Qatar (29%). Ou seja, quase um terço de todas as riquezas no Brasil está concentrado em poucas mãos.

Gênero

O relatório também analisa as desigualdades entre homens e mulheres no Brasil. Se o IDH do universo masculino é de 0,761, o das mulheres é de 0,757 - quatro milésimos a menos. Por aqui, 61% das mulheres adultas chegam ao menos ao ensino médio, em comparação com 57,7% dos homens. Mesmo apresentando melhor desempenho nos quesitos educação e longevidade, as mulheres ficam atrás dos homens no que diz respeito à renda (41,5% menor que a dos homens). No mercado de trabalho, a participação feminina é de 54%, ante 74,4% dos homens.

Último colocado no ranking mundial do IDH, o Níger possui mais mulheres no Parlamento do que o Brasil - a representação feminina é de 17% no país africano, ante 15% aqui. Na vizinha Argentina, a porcentagem é mais do que o dobro - 39,5%.

No Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que faz parte do relatório, o Brasil ocupa a 89.ª posição entre 162 países que tiveram esse dado analisado. Foram consideradas as desigualdades em saúde reprodutiva (mortalidade materna e taxas de natalidade na adolescência); empoderamento (participação no Parlamento e escolaridade); e participação no mercado de trabalho.

Os dados demonstram o quanto o país é extremamente desigual em termos de acesso a bens e direitos mas também em relação ao gênero. O gênero se soma e aprofunda a desigualdade de classe no capitalismo brasileiro.

Fonte de informações: Agencia Estado




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