Política

SALÁRIOS ATRASADOS E PROMESSAS DE PEZÃO

Bradesco renova leilão da folha de pagamento do RJ e governo diz que pagará 2 salários

Governo de Pezão diz que a quantia paga pelo banco privado para renovar o contrato da administração da folha de pagamento dos servidores será utilizado para quitar salários pendentes de maio e junho dos servidores. Pezão diz que quitará o restante dos salários após empréstimo do governo federal.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

quinta-feira 10 de agosto| Edição do dia

Foi divulgado no Diário Oficial o resultado do leilão para a administração da folha de pagamento dos servidores públicos do estado do Rio. O Bradesco, banco que já realiza esse serviço, renovou o contrato sem nenhum concorrente interessado na disputa pelo valor de R$ 1,3 bilhão. Isso garante que permanecerão administrando os salários por mais cinco anos, até o fim de 2022.

O governo de Pezão sinalizou que pretende pagar os salários atrasados de servidores com a quantia. Contudo, o valor seria suficiente, apenas para pagar salários atrasados de maio e junho, ficando ainda pendentes os de julho e o décimo-terceiro que não foi pago a uma grande quantidade de servidores, bem como o salário de agosto que estará em atraso a partir do dia 14. O valor do leilão entraria em caixa em até cinco dias úteis.

A ideia do governo é colocar panos quentes em um momento em que vários setores, como a UERJ, UENF, Faetec – além de servidores municipais da saúde do Rio e também professores em Caxias – estão saindo à luta e começando algumas greves e atos de rua contra os ataques do governo.

A outra “isca” que joga Pezão para tentar apaziguar os ânimos é o acordo com o governo federal do termo do Regime de Recuperação Fiscal, o que garantiria um novo empréstimo ao estado. Contudo, para que o acordo saia do papel, Pezão tem que garantir a efetivação da privatização da CEDAE, o que ainda está pendente e vem sendo negociado. O plano do governo de Pezão era leiloar a CEDAE para o BNDES, mas Temer estuda acabar com o Banco, o que inviabiliza essa via de venda da companhia de águas fluminense.

Meirelles assinou a primeira etapa, mas os prazos do acordo preveem que ainda pode levar até 60 dias para a União analisar a assinatura da nova etapa. A resposta dada nessa primeira etapa não incluem alívios fiscais, já que a venda da CEDAE exigida por Temer ainda não foi cumprida. De acordo com o jornal O Dia, Meirelles vai publicar despacho informando o status de análise em andamento, e assinando dois pareceres: um sobre a documentação entregue pelo Executivo Estadual, e outro sobre as leis apresentadas pelo Palácio Guanabara.

Mesmo assim, a intenção do governo é tentar convencer os servidores que está “normalizando” a situação do pagamento dos salários. É uma evidente enrolação dos servidores. Enquanto tenta nos enganar, o governo continua cedendo isenções fiscais aos grandes empresários. O projeto aprovado na ALERJ e que segue para sanção de Pezão prevê a manutenção de isenções no valor de R$ 640 milhões, como mínimo.

O que Pezão quer é manter os servidores nessa situação insustentável de penúria e endividamento até que peçam demissão. Isso porque um dos planos já anunciados pelo governo para “ajustar” as contas é implementar um Plano de Demissão Voluntária (PDV) de servidores, fazendo com que paguemos com demissões e precarização dos serviços públicos pela crise.

Assim, mesmo que Pezão pague os salários de maio e junho com o dinheiro do leilão da folha de pagamento ao Bradesco (o que não é garantido, como já vimos em promessas anteriores de pagamento que não foram cumpridas pelo governo), a situação seguirá incerta e os ataques a nossos direitos mais elementares continuarão sendo implementados para garantir os lucros dos capitalistas. Nos últimos doze anos, foram mais de R$ 180 bilhões de reais em isenções, muito mais do que o necessário para acabar com a crise no estado e pagar os servidores.

Por isso temos que exigir a taxação das grandes fortunas, para que sejam os capitalistas a pagar pela crise, e que tenhamos salários e serviços públicos de qualidade. Porque nossas vidas valem mais do que os lucros deles.




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