Sociedade

BOLSONARO E A DITADURA MILITAR

Bolsonaro exalta tortura e ironiza Dilma Rousseff

terça-feira 29 de dezembro de 2020| Edição do dia

Jair Bolsonaro ironiza a tortura sofrida por Dilma Rousseff, em 1970, quando foi presa durante a Ditadura Militar. Em conversa com apoiadores, Bolsonaro disse: "Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-X".

Novamente, Bolsonaro exalta a tortura um mecanismo usado pela Ditadura Militar em toda a América Latina para se voltar contra as massas trabalhadoras e a juventude que ousavam lutar contra as precárias condições de vida, arrocho salarial e por liberdade política. Quando era deputado, votou à favor do impeachment de Dilma "em nome o Carlos Alberto Brilhante Ustra", o torturador da ex-presidente. Um impeachment que resultou em governos golpistas como o de Michael Temer e depois de Bolsonaro que tem como objetivo retirar todos os direitos dos trabalhadores e das mulheres. A tortura é usada ate hoje pela polícia contra os trabalhadores e a população negra e pobre.

O pronunciamento gerou revolta e a manifestação de outros políticos.

"O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade à presidenta Dilma, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais conhecerá", escreveu Lula no Twitter.

"Minha solidariedade a ex-Presidente Dilma Rousseff. Brincar com a tortura dela - ou de qualquer pessoa - é inaceitável. Concorde-se ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites", se manifestou Fernando Henrique Cardoso.

Dilma também se pronunciou na imprensa através de nota onde classificou o presidente como "sociopata", "fascista" e "cúmplice da tortura e da morte". "Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões"




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