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CORONAVÍRUS

Bolsonaro diz que número de mortes por covid-19 é invenção de seus adversários

sábado 28 de março| Edição do dia

Bolsonaro aprofunda sua negação do coronavírus levando adiante uma campanha financiada por dinheiro público para acabar com a quarentena. A manutenção do governo Bolsonaro nestes condições só revela a putrefação da burguesia golpista que o auxiliou à chegar ao poder.

Em entrevista ao apresentador e possível candidato da direita, José Luiz Datena, na Band, Bolsonaro afirmou, entre outras coisas, que o número de mortos pelo coronavírus (covid-19) tanto em São Paulo quanto na Itália, está sendo inflado pelos seus adversários políticos.

Bolsonaro afirmou que os estados brasileiros devem estar fraudando o número de óbitos para fazer "uso político":

— Agora, o que estou vendo também, em alguns estados do Brasil, se eu não estou politizando, se eu for ver, ninguém mais, quase ninguém mais está morrendo de H1N1. Todo mundo é covid-19. Parece que a intenção é de potencializar isso para falar: "Tá vendo, o que eu fiz justificou, morreram tantas pessoas. Se eu não tivesse feito, teriam morrido cinco, 10 ou 20 vezes mais".

Com informações d’O Globo.

O negacionismo de Bolsonaro é totalmente pensado: visa confundir a sua reduzida base eleitoral, levantando "dados" (ou melhor dizendo, falsificando-os) tentando com isso convencer os trabalhadores que estão sendo obrigados à não fazer quarentena, a tentar fazê-los acreditar no absurdo: que toda esta "história" de coronavírus teria sido invenção para atacar Jair Bolsonaro:

— Procura saber por estado quantos morreram de H1N1 até o momento. Não é que eu queira que tenha morrido, mas ano passado foram 700 pessoas mais ou menos. Vai ter que ter alguém que morreu esse ano disso daí. Se for todo mundo com coronavírus, é sinal de que tem estado que está fraudando a causa mortis daquela pessoas, querendo fazer um uso político de números. (...) — Em São Paulo não estou acreditando nesses números (...)

Mas a teoria da conspiração vai longe, pois Bolsonaro botou ainda nesta sua conta, as milhares de mortes ocorridas na Itália. Para ele, na Itália também teria "adulterado" o número de mortos. (Será que é lá que começou o movimento para derrubar Bolsonaro?):

— O vírus evolui, nós temos informações do mundo todo de como as coisas estão sendo tratadas, inclusive certos mitos nós estamos desfazendo. A questão das mortes na Itália, por exemplo, a maioria das mortes não tem nada a ver com o coronavírus, nada a ver. Eram pessoas que estavam em uma região fria e todos com uma média de idade de 80 anos

Um discurso completamente fora da realidade. Bolsonaro provavelmente aprendeu-o com seu guru, Olavo de Carvalho, que afirmou antes de todos que o coronavírus seria uma invenção da mídia ou algo do tipo. Cercado de terraplanistas, Bolsonaro considera que pode desafiar a própria gravidade que aos poucos parece levar seu governo por terra.

Leia também: Custo da campanha de Bolsonaro contra a quarentena pagaria 10 mil dias de internação no SUS

Enquanto Bolsonaro desafia a própria ciência, os que ’desafiam’ Bolsonaro no Supremo, no Congresso, na imprensa e talvez até no exército, reservam para os trabalhadores muito menos do que para os Bancos, neste momento e que se pensam medidas para reverter a crise do coronavírus. Com R$ 1,2 trilhão de reais para os bancos e uma renda mínima que custaria R$ 14,4 bilhões aos cofres públicos, dá para ver que Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre preparam a manutenção das condições precárias de vida dos trabalhadores mesmo em períodos de crise - com uma ajuda financeira de R$ 600,00 a R$ 1.200,00 enquanto as contas continuam à bater, aluguel, luz, água, etc. E junto à isto, centenas de milhares de brasileiros se enfrentam ainda com a falta de infraestrutura, de água e de esgoto, durante esta crise. E mais dezenas de milhões que dependem do serviço de saúde público, o SUS que passou décadas com cortes e que agora ainda sofre com o teto de gastos públicos.

Se estes se apoiam numa possibilidade de um impeachment, ou de um isolamento de Bolsonaro como pede a Folha de Sp e outros grandes meios de comunicação, o congresso usa, de um lado, medidas para tentar acalmar a rebelião social, como a tal "renda mínima", e de outro lado, em medidas que vão atacar o emprego e o salário dos trabalhadores. Afinal, são o mesmo Congresso, STF e Forças Armadas que atuaram conjuntamente para garantir ataques como reforma da previdência, mas que estavam unidos bem antes no próprio golpe institucional. Temem e fogem da intervenção das massas, e atuam para que estas não intervenham na situação nacional. Assistem, por exemplo, o que ocorreu na Itália, em que milhares de mortos hoje representam não só uma grave crise social, como ainda, uma série de greves e uma ameaça à grande "unidade nacional" anti-operária com uma greve geral no último 25 de março.

Por tudo isso, é preciso que sejam os trabalhadores que deem a resposta à crise. Não será de Maia, de Alcolumbre, e nem dos militares, que será possível combater o coronavírus e a crise gerada por ele, estabelecendo o controle operário das empresas que querem obrigar os trabalhadores a se expor, e colocar as empresas para produzir testes e respiradores, infraestrutura para hospitais, máscaras de proteção etc.

Somente com a taxação das grandes fortunas e a estatização de grandes setores da economia, e o controle operário da produção, será possível ter uma saída para que não sejam os trabalhadores que paguem, com a vida, ou com o desemprego, ou com seus salários. É possível, pelo contrário, dar um verdadeiro combate aliado ao avanço da técnica científica, para ir além de combater o covid-19, mas ir contra diretamente as mazelas desta sociedade em que dezenas de milhões são obrigados à escolher entre trabalhar e possivelmente adoecer, ou ficar em quarentena e provavelmente passar por uma situação miserável sem condições de se sustentar.

Leia mais: Emprego, renda e testes para todos: por um verdadeiro plano de guerra na crise e contra Bolsonaro




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