BOLSONARO

Bolsonaro defende fim das quarentenas e que COVID é “resfriadinho”. Panelaços em todo o país em revolta 

Bolsonaro voltou a fazer pronunciamento na TV. Mostrou seu absoluto descaso com a saúde dos trabalhadores dois dias depois que tinha assinado um decreto propondo que milhões ficassem sem salário por 4 meses. A revolta se ouviu em um forte panelaço em muitas cidades do pais. Seu pronunciamento alinha-se como um lambe-botas a Trump e alimenta a crise política enquanto o país passa por imensa crise sanitária e crise econômica. É preciso que os trabalhadores deem uma resposta a todas essas calamidades.

Marcello Pablito

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

quarta-feira 25 de março| Edição do dia

O discurso de Bolsonaro foi idêntico ao que empresários reacionários tem espalhado pelas redes sociais, minimizando os riscos de vida ou tentando minimizá-los comparando com o desemprego que eles mesmo querem impor. O discurso dele também repete o que Trump está ensaiando nos EUA enfrentando governadores de alguns dos maiores estados de lá. Os dois colocam aos trabalhadores a opção de morrer por COVID ou morrer de fome e no desemprego.

 O reacionário presidente brasileiros buscou estabelecer um diálogo com setores precários e informais da classe trabalhadora brasileira que temem mais a perda de renda do que o Coronavírus, seu discurso minimiza os riscos para todos brasileiros, inclusive para as populações de maior risco se o vírus continua se propagando na velocidade atual e é mantido o absoluto descaso com falta de leitos e respiradores necessários para tratar os previsíveis casos graves.

Bolsonaro aposta politicamente numa polarização de que o vírus matará pouco e ao mesmo tempo paga para ver como seu governo pode se sair com tamanha crise econômica perdendo apoio da classe média e de muitos eleitores, como demonstram os panelaços e pesquisas de opinião, bancando um enfrentamento com a mídia, com governadores e há que se ver como evolui a relação com ministros ligados as Forças Armadas e com o Ministério da Saúde. A proposta de acabar com as quarentenas pode abrir novo capítulo de enfrentamento, de Bolsonaro e governadores recolocando a disputa sobre quem manda nas estradas, nas tropas policiais.

Bolsonaro desafia as evidências sobre o vírus e desafia todo restante dos trabalhadores e da classe média que batalha para conseguir minimizar os riscos de contágio. O discurso dele vai na contramão da revolta de tantos trabalhadores de telemarketing e que tantos setores precários tem feito, querendo garantir condições sanitárias de trabalho ou a liberação do trabalho com salário pagos. Tamanho é seu descaso criminoso que não anunciou nenhuma medida de contenção à COVID-19 mas somente que testes com a Cloroquina estão sendo feitos, pelo hospital privado milionário que o operou e pelos EUA. É necessária absoluta transparência nesses testes, garantindo controle por acadêmicos de universidades públicas e controle pelos trabalhadores da produção e distribuição massiva dessa droga sob controle dos trabalhadores da saúde.

Mas não é possível apostar somente numa droga diante de uma pandemia, mesmo com a droga ainda restaria a necessidade centenas de milhares ou mesmo milhões que precisariam de leitos, leitos de UTI e respiradores. Ainda assim seriam necessárias medidas para garantir empregos e renda, todo o contrário do que ele busca.

A defesa da saúde e do emprego dos trabalhadores também passa longe de qualquer preocupação dos governadores que adotam outra postura em relação ao Coronavírus. Doria aplaudiu a MP da morte de Bolsonaro deixando evidente que divergem sobre a quarentena mas não divergem no pouco caso em criar leitos, em centralizar os leitos e clínicas privadas, e no pouco caso com a fome de trabalhadores que ficariam sem salário. No Congresso, Alcolumbre saiu rapidamente com duras criticas ao discurso de Bolsonaro, enquanto Rodrgo Maia anunciou antes do discurso a redução do salários dos servidores e políticos a partir dos salários de 5 mil reais. Com isso os deputados e senadores, Alcolumbre e Maia, e as cúpulas do judiciário vão continuar ganhando muito mais que cada trabalhador em quarentena para aplicar os planos de ajustes que só pioraram a situação da saúde e vão piorar nossas condições de vida durante a epidemia.

Para responder ao conjunto de crises do país, política, sanitária e econômica é necessário que os trabalhadores questionem as medidas adotadas por Bolsonaro e pelos governadores. Não será das mãos deles que teremos testes para todos para que as quarentenas sejam efetivas, nem teremos tratamento e instalações médicas, pessoal de saúde contratado para atender milhões de brasileiros, nem será garantido os empregos e a renda dos brasileiros. É possível responder a esse conjunto de crises enfrentando-se com os governos e com os lucros dos capitalistas e assim salvar vidas.




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